Sem usar artifícios, Halsey convence tanto quanto qualquer outra cantora pop em show em São Paulo

Artista causou na apresentação, que começou meia hora mais cedo e, ainda, teve um discurso sobre como ela odeia ouvir seu próprio hit tocando nas rádios
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por Fernanda Talarico
7 de Junho de 2018 às 16:41

Uma semana e um dia depois do sucesso estrondoso da apresentação de Harry Styles em São Paulo, o Espaço das Américas recebeu a norte-americana Halsey, mas, dessa vez, com a casa não tão cheia: os ingressos não se esgotaram, como aconteceu com os bilhetes para a performance do integrante do One Direction. Pelo contrário, na véspera havia promoção para a venda de lugares. A dificuldade em comercializar as entradas foi um provável resultado mais do momento econômico do país (e do fato de que os ingressos custavam até R$ 520) do que um reflexo da popularidade da moça. Halsey e Lauren Jauregui, do Fifth Harmony, que foi responsável pelo show de abertura, mostraram que estava tudo certo, mesmo sem lotar o local. Elas deram tudo de si.

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A apresentação rápida que antecedeu a principal atração da noite foi o primeiro show da carreira solo de Lauren, que cantou três músicas autorais: “Toy”, “Inside” e “Expectations”. Algumas faixas que nasceram de parcerias também apareceram, como “In Your Phone”, feita com o rapper Ty Dolla Sign, “Back To Me”, com a cantora Marian Hill, e também “All Night”, feita com o DJ Steve Aoki. Os fãs, que se mostraram bastante emocionados, não pareceram se importar com o possível fim do Fifth Harmony ou com a duração curta da apresentação de Lauren.

Na contramão do que estamos acostumados, Halsey subiu ao palco com 30 minutos de antecedência. Esta é a segunda vez que ela vem ao Brasil, sendo que a primeira foi em 2016, no Lollapalooza. Dessa vez, ela trouxe a turnê do segundo disco de estúdio, Hopeless Fountain Kingdom. O figurino escolhido pareceu aludir a uma Britney Spears mais jovem, mas, ao mesmo tempo, as outras características do show a distanciavam dessa ideia: diferente das divas pop, Halsey manteve a performance sozinha, ou seja, sem cenários, trocas de roupa, vários bailarinos e pirotecnia. Ela não precisa de nada disso. Durante todo o tempo, a norte-americana dominou o palco, dançou, cantou, conversou com o público e, principalmente, deixou claro que estava se divertido.

O único elemento "extra" foi um convite para que Lauren retornasse ao palco para cantar com ela "Strangers". "Se você está com sua bandeira LGBT, quero que você a levante para que eu possa vê-la", pediu a anfitriã durante a canção. "Strangers" foi composta pelas duas e elas a definem como uma "declaração de amor aos LGBT+". Halsey, que em várias entrevistas contou que é bissexual, atualmente namora o rapper G-Eazy, com quem fez a música "Him&I".

Em um momento mais intimista, ela chegou a se sentar na ponta do palco para cantar, acompanhada de um piano e violão, a hiperpopular "Closer", uma parceria com o duo The Chainsmokers. Nessa hora, Halsey deixou o bom humor correr solto e não teve medo de polêmica: disse que não aguentava mais escutar essa música em todos os cantos. "Tocou muito nas rádios, já ficou irritante. Eu entro em um restaurante, começa a tocar e alguém comenta: 'Odeio essa música!'. Eu falo: 'Err... eu também'", brincou."Porém, é incrível saber que essa é a canção que faz parte da vida de muita gente. Era ela que estava tocando quando casais se casaram e quando uma pessoa conheceu o amor da vida dela. Muito obrigada por isso!"

O show ainda teve "Bad at Love", "Sorry" e "Gasoline". Ao final, ficou claro que o público conhecia todo o repertório, não apenas os sucesso, e vibrava a cada acorde que iniciava uma nova faixa. Antes de começar "Is There Somewhere", a cantora ofereceu a noite e a canção aos fãs: "Se estou aqui, é por vocês", depois desceu para a pista, deixando todos os presentes desesperados para encostar nela.

A turnê segue para o Rio de Janeiro nesta quinta, 7, e, segundo a própria cantora, ela com certeza voltará ao Brasil. O show terminou por volta das 23h, com "Hurricane" fechando a noite com chuva de papel picado, fãs emocionados e um uníssono de "Halsey, eu te amo".

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