Psi, nova série da HBO Brasil, quer mostrar uma “São Paulo psicológica”

Com previsão de estreia para o ano que vem, a produção do canal a cabo é inspirada nos livros do psicanalista Contardo Calligaris

Stella Rodrigues Publicado em 06/06/2013, às 20h48 - Atualizado às 20h55

Psi
Divulgação

A primeira coisa que a equipe de Psi quis esclarecer durante a coletiva que aconteceu na manhã desta quinta, 6, em São Paulo, é que esta não é mais uma versão da ótima Em Terapia, série norte-americana baseada em outra, de Israel, original que ainda rendeu um remake brasileiro com direção de Selton Mello. Apesar do protagonista, Carlo Antonini (Emilio Mello, de Cazuza – O Tempo Não Pára), atuar em todas as áreas da tríade psi (é psicanalista, psicólogo e psiquiatra), “não se trata de uma série de consultório”, repetiu diversas vezes Contardo Calligaris, autor dos livros que inspiraram a série e, também, corroteirista (ao lado de Thiago Dottori), produtor e criador da série produzida 100% com recursos da HBO, que exibirá o programa. “Quisemos mostrar uma São Paulo psicológica, sair da arquitetura, que é tão explorada, e mostrar as pessoas, essa pluralidade de personalidades que existem em grandes metrópoles”, explicou o diretor geral do projeto Marcus Baldini (Bruna Surfistinha).

O teaser mostrado durante o evento indica uma série de ação com drama psicológico. Mas ainda é cedo dizer. Atualmente, as gravações estão em sua quinta semana, deverão se estender até 19 de setembro. Serão 13 episódios, nesta primeira temporada, que devem estrear em 2014 na HBO Brasil e serão exibidos em toda a América Latina, como é de costume com as produções nacionais da empresa.

“A ideia era fazer alguma coisa juntos”, disse Contardo sobre a parceria com Baldini. “Em dado momento, eu estava adaptando Conto de Amor para um filme e o Baldini estava comigo no projeto. E eu imaginei que daria para fazer algo com o protagonista desses romances vivendo outras aventuras. A gente poderia inventar histórias para esse protagonista, além de adaptar”.

O protagonista é um recém-separado, com dois enteados e um filho, que nas horas vagas do consultório investiga crimes, se envolve em casos psicológicos pouco comuns e se vê em meio a patologias das mais diversas – isso, repetindo, dentro e fora do consultório, mas especialmente fora dele. A trama mostrará uma história diferente a cada episódio.

“Desde o começo achei muito interessante os personagens que o Contardo propõe. Ele trouxe essa riqueza que o psicanalista vê no contato humano para a gente (atores e direção). É um material muito bom. Ás vezes eu desacreditava de coisas que ele me contava e ele dizia que todo dia chegava alguém no consultório falando isso, era cotidiano, são temas universais. As pessoas são muito esquisitas”, ri Baldini.

Trabalhando em um esquema que deixa pouco espaço para folgas e algum tempo livre para respirar, o ator principal, Emilio Mello, diz que está se divertindo muito, “o que é bom, porque o trabalho é hercúleo. São 19 semanas gravando 13 episódios, trabalhando quase todos os dias. Depois de 5 semanas, ainda estou aprendendo a fazer esse personagem e espero continuar aprendendo até a segunda temporada. De um livro para o outro do Contardo, esse personagem muda muito. E na série ele já é um terceiro personagem. O legal dele é isso, você nunca sabe para onde ele vai, como vai agir, o que abre muitas portas. Estamos no processo de abrir essas portas para dar ao público. Ele será um personagem diferente para cada um que estiver assistindo.”

A produção tem ares de grandiosa. Segundo Calligaris, são 240 atores, sem contar os figurantes, além de quase 100 locações. Alguns dos outros personagens principais são Valentina (Claudia Ohana), melhor amiga de Carlo, também psicanalista; Roberto (Otavio Martins), amigo policial que é de muita serventia às investigações do protagonista; Severino (Raul Barreto), um coveiro do cemitério da Consolação com mestrado em filosofia que “tem uma relação curiosa com a morte”, conforme explica Calligaris, e Flávia (Ainda Leiner), a ex-mulher de Carlo.