Iron Maiden encerra com intensidade a porção brasileira da turnê de The Book of Souls

Show foi realizado em São Paulo, no Allianz Parque, no último sábado, 26
  • Imprimir
Iron Maiden no Rio de Janeiro
Jacson Vogel
por Paulo Cavalcanti
27 de Março de 2016 às 06:35

A foto acima mostra a banda no Rio de Janeiro

Enquanto bandas como Black Sabbath e Mötley Crüe vão para a estrada com turnês de despedida, o Rush ameaça parar de vez e o AC/DC lamentavelmente se desmancha como um carro velho caindo aos pedaços, é bom que saber o Iron Maiden ainda se encontra inteiro e dando 100% no palco. E isto depois do grande susto pelo qual passou o cantor Bruce Dickinson, que foi diagnosticado com câncer, mas felizmente se recuperou plenamente. Nesta noite de sábado, 26, o Iron Maiden encerrou a porção brasileira da turnê do disco duplo The Books of Souls em São Paulo, no Allianz Parque. Antes disso, o sexteto britânico já havia tocado no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza. No território paulista, a apresentação não foi diferente das outras que aconteceram nas demais capitais do país. O repertório valorizou várias faixas de The Books of Souls e também teve uma dose razoável de clássicos – embora, como todos sabem, outras favoritas do público como “Run to The Hills” tenham sido deixadas de lado.

Antes do Iron Maiden assumir o comando no Allianz, o local teve a presença do Raven Age (banda do filho do baixista Steve Harris) e uma boa (mas curta) apresentação do Anthrax, uma veterana do thrash metal. A excitação se tornou intensa quando finalmente o palco do Maiden foi revelado, uma espécie de réplica de um templo da antiga civilização maia. O grupo subiu ao palco às 21h25, mas antes, um vídeo foi exibido no telão, mostrando o Ed Force One, o Boeing 747-400 da banda, caindo na floresta, em meio a uma ruína maia. Para resgatar a aeronave, aparece Eddie, o boneco monstrengo que é o mascote dos músicos ingleses. Depois do vídeo, o Maiden entrou com a longa e épica “If Eternity Should Fail”, canção de Dickinson com toques místicos que abre The Book of Souls. O vocalista, a princípio, apareceu sozinho enquanto cantava à frente de uma espécie de altar que emanava fumaça, enquanto piras de fogo se situavam logo atrás dele. “Speed of Light”, mais uma do novo álbum, veio a seguir, com os guitarristas Adrian Smith e Dave Murray trocando solos incendiários. Depois, o Iron tirou do fundo do baú “Children of The Damned”, de The Number of The Beast (1982).

A banda inteira, notadamente Dickinson e o baixista e líder Steve Harris, mostraram um preparo físico notável, correndo de ponta a ponta do palco. E, é claro, o vocalista soltou seu grito de guerra “Scream for me, São Paulo”, inúmeras vezes. "Tem 40 mil pessoas aqui. A lotação está esgotada", falou o cantor. "Este é o último show da turnê brasileira. Assim, guardamos o melhor para o final", seguiu. Como a intenção era divulgar The Book of Souls, vieram mais duas faixas do trabalho. "Essa é uma história triste sobre um homem engraçado", Dickinson falou. Foi a deixa para “Tears of a Clown” (feita em homenagem ao comediante Robin Williams). Na sequência veio a longa, mas vibrante “The Red and The Black” – o momento para os guitarristas Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers mostrarem serviço.

Quando soaram os primeiros acordes de “The Trooper”, tudo mudou radicalmente. Gritos, palmas e assobios se sucederam em uníssono no momento em que Dickinson, com uniforme de soldado, entoava a letra épica enquanto empunhava duas esfarrapadas Union Jacks, a bandeira inglesa. O pique foi mantido com as também célebres "Powerslave" (com Dickinson usando uma máscara) e “Death or Glory”. A próxima a ser apresentada foi “The Books of Souls”, a faixa que dá título ao álbum lançado no ano passado. "Há muito tempo, existiu o império maia", disse Dickinson. "Eles foram muito poderosos. Mas um dia, caíram. Este é o destino de todo império e também de todo exército". Enquanto a faixa era executada, o guitarrista Janick Gers fazia suas pirotecnias e correrias pelo palco. E foi aí que entrou no palco Eddie. O público vibrava de tanta satisfação: o boneco começou a provocar os músicos e depois foi devidamente "executado" por Bruce Dickinson, que arrancou o coração do monstro e o jogou ao público.

Em seguida vieram "Hallowed Be Thy Name" (com Dickinson de camiseta "ensanguentada"exibindo um nó de carrasco. Ele aproveitou a corda para dar golpes certeiros nos pratos do baterista Nicko McBrain); a sempre assustadora "Fear Of The Dark" (com tudo apagado, exceto a luz dos celulares do público, um momento de arrepiar); e a emblemática “Iron Maiden”, com Eddie fazendo sua segunda entrada no palco, agora se materializando como um boneco inflável emulando a capa de The Book of Souls.

Após uma pequena pausa, o sexteto voltou para o bis, com a esperada “The Number of The Beast” – um pavoroso Belzebu gigantesco inflável aparecia no fundo do palco, enquanto a plateia cantava com banda como se não existisse amanhã. “Estivemos aqui pela primeira vez em 1984”, falou Dickinson. Na verdade, ele se enganou; o Maiden estreou aqui em 1985, no Rock in Rio. "A maioria de vocês nem era nascida", ele seguiu. E concluiu: "É com tristeza que deixamos o Brasil. Mas São Paulo sempre é especial. Nós somos irmãos de sangue!". E deu sequência tocando "Blood Brothers" de Brave New World (2000), que juntou emoção e energia, prestando assim uma homenagem à vasta comunidade de fãs do Iron Maiden da cidade. Tudo acabou com uma arrasadora versão de "Wasted Years", de Somewhere in Time (1986), com todo mundo esbanjando técnica e Dickinson se divertindo e cantando com o guitarrista Adrian Smith. Por quase duas horas o sexteto provou que ainda tem peso, garra e musicalidade de sobra.

Recomendadas