Led Zeppelin subiu ao palco pela primeira vez há exatos 50 anos

A banda tocou na Dinamarca como New Yardbirds

Paulo Cavalcanti Publicado em 07/09/2018, às 09h19 - Atualizado às 11h13

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Reprodução/Facebook

O Yardbirds foi uma das bandas fundamentais na evolução do rock. Hoje, todos lembram-se do grupo por ele ter abrigado Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, três das maiores lendas da guitarra de todos os tempos. Em meados de 1968, apenas Jimmy Page havia sobrado. Ele queria seguir com Yardbirds, mas os outros integrantes da banda, cansados da vida na estrada e do pouco dinheiro que sobrava, o deixaram sozinho. Page, ao lado do empresário Peter Grant, tratou de contratar novos músicos. A banda ia passar a se chamar New Yardbirds para marcar a mudança.

No fim das contas, Page fechou com John Paul Jones, baixista, tecladista e multi-instrumentista. Eles eram amigos e colaboradores dos tempos em que atuavam como músicos de estúdio. No pacote também estavam Robert Plant (vocalidta) e John Bonham (baterista), dois jovens talentosos e vindos da Band of Joy, de Birmingham.

O velho Yardbirds ainda tinha contratos para cumprir. Uma destas obrigações era uma agenda de shows na região da Escandinávia. Assim, no dia 7 de setembro de 1968, no Gladsaxe Teen Clubs em Gladsaxe, Dinamarca, o New Yardbirds fazia sua estreia no palco. Na ocasião, tocaram standards do blues e faixas do repertório do Yardbirds, como “Train Kept a-Rolling”. Dias depois, o nome do quarteto mudava definitivamente para Led Zeppelin.

Existem diversas versões de como eles chegaram a esse novo. A mais provável é a de que John Entwistle e Keith Moon, baixista e baterista do The Who, tinham intenção de sair da banda e formar um grupo próprio, que se chamaria Lead Balloon, já que iria voar como um “um balão de chumbo”. Em 1968, quando Moon e Page gravavam “Beck’s Bolero”, o baterista teria contado a história para o guitarrista e, meses depois, Page teria narrado a história para o empresário. Grant adorou o termo, mas trocou o “balão” por “zepelim”, além de ter tirado o “a” de lead; achou que led seria mais intrigante.

Grant fez acordo com a gravadora Atlantic e o primeiro álbum, Led Zeppelin, saiu em janeiro de 1969. A crítica o detestou, falando que era a obra de uns garotos ingleses brincando de tocar blues barulhento. O disco vendeu bem, contudo, e o Led Zeppelin caiu na estrada como uma horda de vikings querendo saquear as cidades. O segundo LP, Led Zeppelin II (outubro de 1969), trazendo a trovejante “Whola Lotta Love”, colocou o quarteto no top da hierarquia do rock da época.

Nos anos 1970, não houve banda maior do que o Led Zeppelin. Ela lotava estádios e ganhava muito dinheiro. O Led Zeppelin e sua entourage era as figuras mais excessivas na era dos excessos. Orgias sexuais, envolvimento com magia negra, uso de drogas pesadas... tudo isto entrou para o folclore da banda. Jimmy Page comprou uma mansão em frente ao Lago Ness, na Escócia, que havia pertencido ao infame ocultista britânico Aleister Crowley. Dali em diante, a mística satânica em torno do músico só aumentou.

Anos depois, eles negaram este passado de devassidão, alegando que “houve muito exagero”. Em 1985, a biografia não autorizada Hammer of the Gods, de Stephen Davis, baseada nas memórias do roadie Richard Cole, pintou o Led Zeppelin da pior maneira possível. Em uma entrevista para a Rolling Stone em 1990, Page disse ao jornalista J.D. Considine: “Acho que abri este livro em algum lugar. Comecei a ler e joguei pela janela. Nem me dei ao trabalho de ler tudo. Quero dizer, todo o humor em volta do Led desapareceu. Aquilo era puro sensacionalismo. Eu sei o que dizem, que onde há fumaça, há fogo. Mas aquilo não era um relato factual”.

De qualquer forma, quando o quarteto lançou, em novembro de 1971, o disco Led Zeppelin IV, o mundo pertencia a eles. No álbum estavam canções que todo roqueiro que se preza conhece bem, como “Black Dog”, “Rock and Roll” e “Going To California”. E, é claro, no disco tinha “Stairway to Heaven”, a canção mística, épica e enigmática que define toda a essência do Led Zeppelin.

A dominação do Led Zeppelin seguiu, mas algumas coisas foram mudando aos poucos. Álbuns como Houses of The Holy (1973), Physical Graffiti (1975), Presence (1976) e In Through the Out Door (1979) eram sólidos e repletos de grandes faixas, mas a banda agora tinha que enfrentar uma legião de imitadores e concorrentes. Quando o punk surgiu, os integrantes do Led ainda sofreram duros golpes dos rosnantes novatos, que os chamavam de milionários autoindulgentes e prepotentes. Na verdade, os integrantes estavam mais maduros e reclusos, sentindo os revezes do estrelato do rock. Independente dos resmungos dos punks, cada disco do Led que chegava às lojas invariavelmente vendia milhões. Estes álbuns desaguavam em turnês milionárias.

No dia 25 de setembro de 1980, o baterista John Bonham, apelidado de “The Beast” (A Besta), por seu avantajado tamanho físico e por nem sempre tratar as pessoas de forma pouco cordial quando estava embriagado, morreu aos 32 anos após ter ingerido 40 doses de vodca. Com a tragédia, os outros três decretaram o fim oficial da banda. Anos depois, Page e Plant trabalharam juntos em alguns projetos. Os dois, mais Jones, se reuniram em algumas ocasiões especiais usando o nome do Led Zeppelin, mas já não era a mesma coisa.

Cinquenta anos depois, o Led Zeppelin ainda é um marco a ser batido. Aqueles que viveram os anos 1970 se lembram do período com uma empolgação nostálgica aliada a uma forte ressaca. Este tipo de sentimento cabe com propriedade ao legado do Led Zeppelin. A música dos britânicos, porém, nunca ficou datada e segue mais popular do que nunca.