Lollapalooza 2014: com problemas técnicos, Nação Zumbi celebra os anos 1990 e mostra músicas novas

Banda comemora 20 anos do clássico Da Lama Ao Caos e apresenta “Defeito Perfeito”, além das já conhecidas “Foi de Amor” e “Cicatriz”
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por Lucas Brêda
5 de Abril de 2014 às 23:47

Única banda brasileira a tocar em “horário nobre” no Lollapalooza Brasil, o Nação Zumbi mostrou que os anos de “férias” fizeram bem à banda. Às 20h, no palco Interlagos, a banda deu início à apresentação com “Quando a Maré Encher”, anunciando o que viria dali para frente – público conquistado e animado desde os primeiros acordes, que pulou e cantou com as músicas mais antigas e ouviu com atenção as novas batidas da banda.

“Bossa Nostra” e “Fome de Tudo”, tocadas logo em seguida, escancararam os problemas com a guitarra de Lúcio Maia. Quase inaudível, o instrumento responsável pelos riffs estridentes que guiam as músicas do grupo ficou escondido por trás do baixo e dos tambores que ecoavam ensurdecedores. Os tambores, aliás, furiosos, dão originalidade e força ao som do Nação Zumbi – diferente do Imagine Dragons (que tocou mais cedo no mesmo dia), em que os tambores apenas amplificam os ritmos da bateria.

“Sobreviveremos à copa?”, perguntou o vocalista Jorge Du Peixe, anunciando “Hoje, Amanhã e Depois”, que antecedeu “Cicatriz” – single recente da banda, estará no novo disco, autointitulado (“Mais um. Para reforçar a identidade”, ele disse, se referindo ao fato de a banda já ter um disco chamado <>Nação Zumbi) a ser lançado em abril. Além de “Cicatriz” e “Foi de Amor”, os pernambucanos apresentaram “Defeito Perfeito”, inédita, anunciada pelo frontman como “Nelson Rodrigues encontra Tim Maia e Jorge em algum lugar desses por aí”.

Os 20 anos de Da Lama ao Caos, clássico e último disco do Nação Zumbi com Chico Science, também foram devidamente comemorados. “Rios, Pontes e Overdrives”, “A Cidade”, “Manguetown” e “Da Lama ao Caos” (esta no encerramento da apresentação) trouxeram à tona o sentimento dos anos 1990 na música brasileira. Mesmo ganhando mais cor conforme o show avançava, a guitarra de Lúcio Maia ainda seguia encoberta pelos graves – ao contrário do guitarrista, que dava pulos e fazia piruetas a cada canção, terminando o show sem camisa.

Depois de ter encabeçado as mudanças no rock brasileiro de duas décadas atrás, o Nação Zumbi que desempenhou 12 canções no Lollapalooza, aparece olhando para frente – as percepções sociais de Chico Science soam deslocadas dos temas abordados por Du Peixe nas novas músicas. Entretanto, com um disco encaminhado e shows revigorados, o som do mangue do Nação Zumbi mostra que ainda é um dos únicos no Brasil que podem competir com bandas como o Nine Inch Nails (que tocava no palco Onix no mesmo horário).

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