Lollapalooza 2014: Amadurecido, Vampire Weekend deixa os dias de “micareta indie” para trás

Promovendo disco sucesso de crítica, a banda de Nova York fez show contemplativo e menos dançante
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por Pablo Miyazawa
7 de Abril de 2014 às 00:03

A última vez em que o Vampire Weekend se apresentou no Brasil foi em fevereiro de 2011, alguns meses antes de entrar em estúdio para gravar o álbum Modern Vampires of the City. A sonoridade de intenção dançante com batidas e rastros de world music se fez presente, e não foram poucas as reportagens da época que relacionavam os climas dos shows a algo semelhante a uma “micareta indie”.

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Na tarde de domingo, 6, a banda se apresentou no palco Onix do festival Lollapalooza com um repertório mais interessante e diversificado do que há três anos. Não por acaso, dessa vez foram tocadas seis músicas do disco mais recente, eleito o melhor lançamento de 2013 pela Rolling Stone EUA. E talvez curiosamente, a plateia brasileira pareceu já bastante familiarizada com algumas das faixas “novas”, como “Ya Hey”, “Diane Young”, “Step” e “Unbelievers”.

Mesmo com apenas três discos na bagagem e um punhado de anos de carreira, o Vampire Weekend tem o direito de celebrar uma trajetoria consistente e bem reconhecida. Vampire Weekend, de 2008, evidencia as citadas referências à world music, que dão tempero étnico aos arranjos modernos e às letras espertas do vocalista/guitarrista Ezra Koenig. O segundo, Contra, de 2010, flerta mais com o experimentalismo e os timbres eletrônicos, evidenciando os talentos de produção do multi-instrumentista Rostam Batmanglij. Soando como uma mistura calculada entre os dois primeiros álbuns, Modern Vampires of the City é uma execução ambiciosa baseada em timbres orgânicos, arranjos falsamente pretensiosos e melodias delicadas e memoráveis.

O repertório renovado e o palco ao ar livre poderiam significar que o Vampire Weekend se daria ao luxo de fazer um show evoluído em relação à "micareta indie" de três anos atrás. A amplitude das novas canções de fato transforma a experiência (a delicada “Hannah Hunt” soa sublime ao vivo), mas pouco influencia a performance e atitude dos integrantes. De modo quase blasé, os quatro rapazes bem nascidos – que se conheceram na elitista Universidade de Columbia, em Nova York – não se dedicaram a grandes interações, firulas e coreografias, com a exceção das danças desajeitadas do baixista Chris Baio e trejeitos animados do baterista Chris Tomson. De jaqueta jeans e óculos escuros, o sorridente Koenig comunicou-se com a multidão apenas o necessário, sem exagerar na falsa simpatia. Em uma das interações mais complexas, declarou, provavelmente querendo soar diplomático: “Nova York é a melhor cidade da América do Norte. São Paulo é a melhor cidade da América do Sul. Estamos juntos”. Ganhou aplausos, ainda que tímidos.

Apesar de a banda pouco fugir do script, o público, castigado pelo sol das 17h, respondeu calorosamente às duas fases do setlist – tanto nas músicas mais complexas de Contra e Modern Vampires... quanto nas mais animadas e direto ao ponto do disco do álbum de estreia, como “A-Punk”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” e “Walcot”, que encerrou a apresentação em ritmo de baile de carnaval. Se levadas em conta a performance de palco do quarteto e a evolução da complexidade da trinca de álbuns, é até possível enxergar algo no futuro: o Vampire Weekend ao vivo se tornará uma banda para se contemplar, e cada vez menos para se dançar. Resta saber se os fãs atuais estão prontos para ficar parados.

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