Morre Jim Carroll, autor de Basketball Diaries

Diários do poeta e roqueiro, prestigiado por Patti Smith e Allen Ginsberg, inspiraram Diário de um Adolescente, com Leonardo DiCaprio
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Jim Carroll
Reprodução
por Da redação
14 de Set. de 2009 às 14:29

Morreu na sexta, 11, aos 60 anos, Jim Carroll, ícone da cultura marginal que deixou como maior legado The Basketball Diaries, série de diários adaptada aos cinemas em Diário de um Adolescente, estrelado por Leonardo DiCaprio em 1995.

A causa da morte foi ataque cardíaco, informou a ex-mulher, Rosemary Carroll, segundo o jornal The New York Times.

Carroll tocou a juventude com pé no acelerador, guiado pela combinação drogas-poesia-esporte. Ao mesmo tempo em que foi estrela do time de basquete da Trinity (escola de elite em Manhattan, na qual ingressou após ganhar bolsa de estudos, em 1964), o nova-iorquino levava ao extremo seu vício em narcóticos - prostituir-se, por exemplo, acabou virando uma das alternativas para bancar heroína.

Os anos conturbados foram registrados em diários, publicados em 1978. Mas a aura cult em torno de Carroll veio antes. "Eu o conheci em 1970, e ele já era bastante conhecido, por todo mundo, como o melhor poeta de sua geração", disse Patti Smith, em entrevista ao NY Times. "O trabalho era sofisticado e elegante. Ele tinha beleza."

As características levantadas pela roqueira renderam-lhe, à época, a fama de "novo Bob Dylan". Mas, ao contrário do ícone do folk, Carroll não se envolveu com a música de imediato. No final dos anos 70, ele montou a Jim Carroll Band, atraindo a atenção de Keith Richards. O músico dos Rolling Stones conseguiu para a banda novata um contrato de três álbuns com a Atlantic Records. A estreia chegou em 1980, com Catholic Boy - não raramente referenciado como "o último grande álbum do punk".

O single "People Who Died" - uma elegia poética a amigos mortos - foi inserido na trilha de E.T. - O Extraterrestre, de Steven Spielberg, que estreou dois anos depois.

Foi Smith quem incentivou a carreira musical de Carroll - no começo, ele proclamava poesias, enquanto a banda da roqueira dava o pano de fundo musical. O escritor morou com Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe no início dos anos 70, experiência contada no livro Forced Entries: The Downtown, 1971-1973. Após isso, o autor mudou-se para uma comunidade artística em São Francisco na tentativa de se livrar das drogas. Lá, encontrou Rosemary, com quem casou e, posteriormente, se divorciou.

"Quando eu tinha nove anos, cara, percebi que a coisa mais importante não era fazer o que você estivesse fazendo de forma fantástica, mas parecer fantástico enquanto você está fazendo isso", um ainda jovem Carroll contou ao poeta Ted Berrigan, nos anos 60.

Da primeira à última página, fica claro a guinada de Carroll. "Hoje foi meu primeiro jogo pela Liga Biddy e meu primeiro dia em qualquer liga organizada de basquete. Estou entusiasmado com a vida por causa desse evento excitante", relatou na estreia dos diários.

Os escritos finais são bem menos inocentes. "Totalmente chapado, e com toda a droga raspada ou cheirada daqueles saquinhos de celofane. (...) Preciso ir lá e vomitar. Tudo o que eu quero é ser puro."

A publicação dos diários foi precedida por Organic Trains, livro publicado aos 17 anos por James Dennis Carroll. Com 4 Ups and 1 Down, coletânea de poesias publicada três anos depois, o nome do jovem entrou na "cultsfera" literária. A inclinação às massas veio em 1973, quando Living at the Movies ganhou publicação por uma grande editora. Na época, Carroll já era saudado pelo ícone do beatnik Allen Ginsberg. Nos anos seguintes, colaborou com Andy Warhol.

Os trabalhos de Carroll, tanto no meio literário como no fonográfico, acabaram estacionando nos anos 90.

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