Netflix anuncia novidades para todas as idades, gostos e preferências em dia de painéis no TCA 2016

Gilmore Girls e Black Mirror ganharam datas de estreia, finalmente temos novidades sobre Arrested Development e crianças e cachorros, como sempre, roubaram o show
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por Stella Rodrigues, de Los Angeles
28 de Julho de 2016 às 11:41

A Netflix realizou nesta quarta, 27, a edição de verão 2016 do TCA, evento anual para críticos de TV em que, a cada dia, um canal ou serviço de streaming apresenta as novidades da programação que lançarão nos meses seguintes. Foram 8h de painéis que apresentaram novas séries, novas temporadas e trailers, além de dar aos jornalistas a oportunidades de fazer perguntas ao elenco e criadores de várias produções.

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Dentre os destaques, foram exibidos, em primeira mão, os dois primeiros minutos de Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar (também foi liberado o primeiro teaser e a data de estreia dos quatro episódios); tivemos o tão aguardado painel de Stranger Things, série estrelada por algumas das crianças mais carismáticas que o mundo viu nos últimos tempos; um evento só com os cachorros das séries da Netflix (sim, os mesmíssimos que gravam Fuller House, Gilmore Girls, e até Chunk, o amado cão de Chelsea Handler).

Depois de anos de “estamos tentando”, foi revelada uma data de início das gravações da quinta temporada de Arrested Development e ainda rolou o instigante trailer dos seis novos episódios de Black Mirror, entre outras coisas.

Leia abaixo um resumo do que aconteceu nos painéis de The Crown, The Get Down, Keep Netflix Weird (sobre as séries “esquisitas” da empresa), Gilmore Girls, a apresentação de Ted Sarandos, executivo que anunciou várias novidades, Stranger Things, Black Mirror e Luke Cage. O evento terminou com uma discotecagem do pai do hip-hop Grandmaster Flash, que é um dos produtores associados de The Get Down.

The Crown
O painel que abriu o evento trouxe o primeiro trailer de The Crown, drama de época que mostra a Rainha Elizabeth II aos 25 anos, recém-casada e lidando com o desafio de assumir “o maior posto que há”, conforme definiu Claire Foy, intérprete da rainha na série. Ela, assim como o ator Matt Smith, participou do evento via satélite, direto de Londres.

Durante a conversa, foi debatida a personalidade da rainha, que era apenas uma moça tímida, recém-casada, que queria morar no interior, mas teve que entrar para a monarquia mais famosa do mundo quando perdeu o pai. Segundo o criador da série, o vencedor de dois prêmios Oscar, Peter Morgan, a realeza está bem ciente de que esta série está em produção e, de acordo com ele e todo o elenco, é exatamente esse o maior desafio: interpretar alguém que faz parte da história, mas que ainda está vivo.

“Todos imaginam que é um conto de fadas, mas é tudo menos isso”, disse Morgan. “Depois de toda a pesquisa que fiz para interpretar Elizabeth, tenho um enorme respeito por ela”, falou Claire. A série, de forma geral, debate muito a função dos monarcas na sociedade atual. Jared Harris interpreta o rei George VI e, curiosamente, John Lithgow, um norte-americano, faz o papel de Winston Churchill.

The Get Down
"Tudo que saía da boca de Grandmaster Flash nos bastidores de The Get Down acabava no roteio", contou o produtor Nelson George. "Tem literalmente uma conversa inteira dele com o cocriador Baz Luhrmann que gravamos e foi parar na íntegra na série."

O projeto foi vislumbrado há dez anos na mente de Luhrmann (Moulin Rouge: Amor em Vermelho), que começou a questionar de onde surgiu tanta criatividade na Nova York dos anos 1970, com música, dança e muita efervescência cultural. Naquele período, todo jovem crescia focado em como entrar para essa indústria.

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"Se o hip-hop fosse um bolo, nem consigo contar quantas pessoas já tiraram um pedaço dele, mas sei que sei contar a receita", disse Flash, considerado "pai do hip-hop". "Fui um dos confeiteiros que ajudou a fazer esse bolo. Foi nos anos 1970 que começou tudo". Flash também comentou sobre como ajudou a criar o gênero que hoje movimenta quantidades inacreditáveis de dinheiro. "Íamos à loja de disco e ficávamos irritados que o solo de bateria era curto demais. O que queria era cortar e colar todos juntos".

No fim do dia, antes de comandar a festa de encerramento, ele ainda falou mais sobre a infância e seu início nesse mundo. “Quando eu era criança, virei inimigo público número um na minha casa porque eu pegava o rádio, o secador de cabelo das minhas irmãs e desmontava tudo para ver as partes. Ficava chocado que se você plugasse alguma coisa numa tomada, ela simplesmente acendia! O problema é que eu não sabia montar de novo”, riu.

A mania de desmontar tudo continuou na vida dele, mas ele reaprendeu a montar, pegar as muitas batidas e transformá-las em algo novo. “Pego as composições e rearranjo. Diddy, Jermaine Dupri, Dr. Dre, Snoop Dogg... muita gente boa passou a fazer isso depois e aquilo virou o maior estilo de música do planeta, mas aí tinham inventado uma máquina para isso. Antes do sampler, tudo tinha começado nos anos 1970.”

Estavam no painel o cocriador Baz Luhrmann, que também dirigiu o piloto, o produtor executivo Nelson George, o produto associado Grandmaster Flash e os atores Shameik Moore, Justice Smith, Herizen Guardiola, Jimmy Smits e Yahya Abdul Mateen II. Os 13 primeiros episódios de The Get Down chegam no próximo dia 12 de agosto, retratando o surgimento do hip-hop por meio de uma “saga mística”, segundo a sinopse. A série conta a história de um grupo de jovens do Bronx, (em Nova York, nos Estados Unidos), nos anos 1970, que encontram no hip-hop uma maneira de se expressar.

O elenco traz atuações de Smits, Guardiola, Smith e Moore, além de Jaden Smith, filho de Will Smith, que participa de quatro dos 13 episódios da temporada.

Keep Netflix Weird
Arrested Development pode começar a rodar a quinta temporada no início de 2017. Essa foi a informação mais importante que saiu do divertido painel sobre as amadas séries esquisitas da empresa. Raphael Bob­Waksberg (BoJack Horseman), Mitch Hurwitz (Lady Dynamite), Pam Brady (Lady Dynamite) e Bill Burr (F is for Family) se reuniram em um painel paralelo para falar sobre essas séries mais “alternativas” e contar um pouco como é o processo de trabalho de cada um.

Hurwitz, criador da idolatrada série Arrested Development, deu uma boa notícia para os fãs durante o evento. Desde que a Netflix tirou AD do mundo dos cancelamentos e produziu uma quarta temporada cheia de particularidades, o elenco tem respondido perguntas sobre um quinto ano com frases evasivas. Esta foi a primeira informação concreta que tivemos em anos: as agendas complicadas dos atores está sendo acertada para que as gravações comecem no começo do ano que vem.

Ao final, Hurwitz ainda contou um segredo (ou fez uma piada). A quarta temporada de Arrested ficou famosa por, mais do que nunca, plantar referências discretas em episódios iniciais e retomar aqui vários capítulos depois. “Odeio contar como a salsicha é feita, mas a gente voltava nos episódios já feitos para acrescentar as coisas e as pessoas acharem que éramos gênios.”

Bill Burr falou sobre como estava pensando no jeito antigo de fazer as coisas quando chegou à Netflix. “Talvez seja porque eu sou mais velho, mas eu queria fazer episódios que se fechavam individualmente. A vida não é assim: aqui está seu problema e, 20 minutos depois, ele foi embora”, diz. “Em uma família, essas coisas não morrem, alguém estará bêbado em uma festa de Natal anos depois e trazer aquela encrenca à tona”, ri.

“Quando você escreve uma sitcom normal, personagens não mudam e isso é confortante. Nas nossas séries, as coisas têm consequência”, completou Pam.

Waksberg foi questionado sobre as celebridades que são caçoadas em BoJack, como elas reagem a isso? “Algumas sátiras são amálgamas de gente de Hollywood, outras são claramente uma pessoa só. Temos a Jessica Biel, nesta temporada, e ela pediu para tirarmos mais e mais sarro dela. Já David Boreanaz, depois de rir dele em episódios passados, convidamos para participar e ele disse que não. Não sei se é porque tinha visto os capítulos, só sei que não topou”.

Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar
Finalmente saiu a data de lançamento de Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar, o tão aguardado revival de Gilmore Girls: 25 de novembro. A informação foi dada por meio de um tuíte contendo um teaser, com pouco mais de um minuto, divulgado na tarde da última quarta, 27.

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A notícia veio acompanhada de outra informação, a de que os quatro episódios estrearão ao mesmo tempo, como é tradição no serviço de streaming. Amy Sherman-Palladino, a showrunner da série, havia sinalizado anteriormente que preferia que os quatro capítulos de 90 minutos chegassem ao público com intervalos de tempo entre cada lançamento.

No TCA, ela reforçou esse desejo não atendido: "Seria bom se as pessoas que pularem direto para o final dos episódios de Gilmore Girls fizessem terapia", disse Amy. Ela comentou sobre "ter medo" de o público ir até o fim da temporada para descobrir respostas para as questões abertas pela série (como as tão aguardadas quatro últimas palavras): "Vejam todos em ordem, é uma jornada divertida. Eu queria soltar um episódio por vez e ameacei me enforcar com a cortina de banho se soltassem tudo, mas eles venceram."

"Não vai ter mais nada na minha carreira como isso que fizemos aqui", disse, também, a showrunner, que depois comentou sobre a presença de Melissa McCarthy (intérprete da chef Sookie St. James, que demorou a ser anunciada no revival): "Sempre soubemos que daríamos um jeito. É que acabou virando toda uma coisa na mídia, porque as pessoas gostam de fazer todo mundo se odiar."

A protagonista Lauren Graham (Lorelai Gilmore) disse que ter Melissa de volta (ela conseguiu rodar a cena dela somente nos últimos dias antes do fim das gravações) foi o que deixou tudo perfeito. Amy contou ainda que 5 minutos depois a chegada de Melissa, ela e Lauren já tinham retomado a amizade e a química que tinham antigamente, antes mesmo de estarem em cena.


Laruen depois confessou: "A morte de Ed [ator que interpretou Richard Gilmore] trouxe uma profundidade emocional para os episódios, trouxe reflexões". Alexis Bledel, intérprete de Rory Gilmore, outra presente, disse: "As perguntas das pessoas serão respondidas ao fim dos quatro episódio."

Veja o vídeo que divulgando divulgou a data e traz uma conversa entre Lorelai e Rory.

No mais, foram exibidos os dois minutos da nova temporada, que fazem parte do episódio “Winter” e foi comentado o legado da série, que continua sendo descoberta por novas gerações a cada ano que passa. Mesmo com algumas referências que ficaram datadas, a série tem envelhecido bem. Amy crê que o tema “família” é uma das razões, já que é algo que não muda tanto assim. “Família é um ótimo tema para um escritor porque é como um presente que não acaba mais, sempre rende”, disse. “Nunca mais na minha carreira terei algo como foi isso aqui.”

Estreias
Ted Sarandos, Chefe de Conteúdo Original da Netflix, falou com a imprensa após o intervalo para o almoço para dar informações gerações sobre a empresa e, neste momento, foram anunciadas algumas séries novas. Os episódios de Black Mirror estreiam em 21 de outubro. Segundo Sarandos, os episódios estão mais próximos da vida do que nunca.

O executivo contou que lançar a empresa na América Latina foi um processo difícil, porque tiveram que aprender o mercado e a burocracia de cada país. Aí, quando foram para novos países, descobriram que tudo que aprenderam antes não valia de nada naquele território e começavam tudo de novo.

Entre outros anúncios, foram reveladas as datas de estreia de Easy (22 de setembro), Captive (9 de dezembro) eOne Day at a Time (6 de janeiro de 2017). Alguns retornos para novas temporadas também foram agendados: Chef’s Table: France (2 de setembro), The Ranch (7 de outubro), Lovesick (17 de novembro) e Beat Bugs (18 de novembro).


Stranger Things
Recém-lançada e com o combo avassalador de crianças carismáticas e saudosismo, o programa dos irmãos Duffer estava no topo durante esse TCA. No Brasil, especialmente, Stranger Things foi um hit imediato, ao ponto da atriz Millie Brown (intérprete da menina Eleven na trama) ter postado um vídeo no Instagram usando uma camiseta do país para retribuir o carinho. “Quero ir ao Brasil agora”, disse Caleb McLaughlin, intérprete de Lucas, durante o painel.

Todos os atores se mostraram admirados com a repercussão da série nas redes sociais e, especialmente, com a quantidade de mensagens que receberam dos brasileiros. Tanto que, ao final do painel, Millie foi espontaneamente conversar com os jornalistas brasileiros, agradecer o carinho e dizer que “vocês são demais” (veja fotos que tiramos do elenco no nosso Instagram).

Falando sobre os anos 1980 (que eles, obviamente, não viveram), Gaten Matarazzo e McLaughlin comentaram que ficaram surpresos com os walkie-talkies gigantes que as crianças da série usam como meio de comunicação. McLaughlin também citou as calças largas e Millie contou que não sabia nem o que era um toca-discos antes de fazer a série.

Os criadores, Matt e Ross Duffer comentaram que são (previsivelmente) fãs do cineasta David Lynch (de Twin Peaks, entre outras produções) e de Steven Spielberg e revelaram que testaram mais de mil crianças do mundo todo para formar o elenco de Stranger Things.

No mais, Matarazzo, cujos dentes cresceram (ele está cheio de “janelinhas” na primeira temporada), é um dos indícios de uma preocupação importante que os Duffer expressaram no painel: crianças crescem rapidamente, e isso terá que ser levado em conta em uma segunda temporada.


Os oito primeiros episódios de Stranger Things chegaram à Netflix em 15 de julho. A série de ficção científica, criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, ganhou notoriedade pela abordagem nostálgica dos anos 1980 e com diversas referências à cultura pop. O enredo traz a história do desaparecimento de um menino (Noah Schnapp) em uma pequena cidade dos Estados Unidos.

Além de Schnapp – que dá vida ao desaparecido Will Byers –, o elenco de Stranger Things conta com Winona Ryder, David Harbour, Millie, Finn Wolfhard, McLaughlin, Matarazzo, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Matthew Modine e Ross Partridge, entre outros.

Black Mirror
Foi de arrepiar: o incrível trailer da série que tanto aborda tecnologia começou e as luzes do auditório começaram a piscar em sintonia, criando todo um teatro.

Charlie Brooker, criador de Black Mirror, disse que os seis episódios da nova temporada têm tonalidades muito diferentes entre si e que nem todos são sobre tecnologia. “É mais sobre sociedade. Não pesquisamos novas tecnologias para escrever os roteiros, as ideias chegam até nós ao observarmos as pessoas.”

Chegando agora à Netflix, tendo migrado da TV convencional, a série traz um aspecto diferente: é uma antologia. Ou seja, tem um tema mais ou menos comum, mas cada episódio se fecha em si, com personagens, histórias, atores totalmente diferentes. Dessa forma, ele aconselhou que, apesar de todos os capítulos saírem juntos, talvez não seja uma boa ideia ver tudo de uma vez. "Como não temos uma história contínua, pode ser interessante refletir uns meses antes de ir para o próximo episódio", disse ele sobre os capítulos, que costumam ser difíceis de digerir.

Brooker ainda brincou que este ano teve tantos eventos marcantes e esquisitos que ele tem ouvido sempre que tudo não passa de uma espécie de propaganda viral para divulgar a série, que cria futuros distópicos e sociedades em situações mais inusitadas a cada capítulo.

Outro hit no discurso de Brooker foi o jogo Pokémon, Go. Depois de colocar o primeiro-ministro britânico para transar com um porco logo no primeiro episódio de Black Mirror (entre outras situações peculiares envolvendo tecnologia e comunicação), Brooker diz que nunca imaginaria na vida que viveria para ver um fenômeno como esse, que ele citou como algo embasbacante várias vezes enquanto falava.

Luke Cage
Tinha que ser a toda-poderosa Marvel para encerrar o dia. O showrunner, Cheo Coker, falou muito sobre a complexidade da série. Como fã de HQ, se disse chateado com o quanto as pessoas subestimam o grau de complicação desse tipo de literatura. “Somos uma série baseada em quadrinhos, mas esses personagens vivem no mundo real.”

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O produtor Jeph Loeb ainda destacou o tanto que o protagonista evoluiu dos anos 1970 para cá, e que sem essas mudanças não seria possível fazer uma série tão cheia de detalhes quanto essa. “Os personagens foram mudando e crescendo.”

Parte dessa complexidade está na dicotomia herói-vilão. “Tenho dificuldade em ver Cottonmouth como um vilão”, disse o intérprete dele, Mahershala Ali. “É um sujeito que está sob pressão para manter as coisas como estão, seguir com um legado.” “O que as pessoas qualificam como heróis e vilões é algo que depende do público”, completou Theo Rossi (Shades).

Um dos temas mais importantes que foram abordados é o fato de Cage ser um super-herói negro, que representa a cultura negra de uma forma positiva, conforme declarou o protagonista Mike Colter. Coker já havia dito na Comic-Com de San Diego, semana passada, que o personagem, criado em 1972, é especialmente importante agora, neste momento em que os Estados Unidos vivem um momento de pico de racismo.

“É um peso enorme para carregar nos ombros”, disse Colter. “É importante tanto dentro do cenário televisivo quanto globalmente.”

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