Ouça dez raridades de David Bowie escolhidas por leitores da Rolling Stone EUA

Redação Publicado em 11/01/2016, às 11h58 - Atualizado às 12h01

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10 - "Rock and Roll Suicide"

"Essa foi uma das turnês mais incríveis das nossas vidas", Bowie disse antes da derradeira música do último espetáculo como Ziggy Stardust. "De todos os shows dessa turnê, esse em particular vai ficar mais tempo em nós não só porque é o show final da turnê, mas porque é o último show que faremos". A plateia gritou de pavor, pensando que isso significava que Bowie estava se aposentando ao invés de simplesmente abandonar o personagem Ziggy Stardust. Apenas uma música poderia ser tocada depois desse anúncio: "Rock and Roll Suicide". É a última faixa de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, focando no trágico fim do personagem. Bowie não toca a canção há 25 anos.


9 - "Five Years"

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars é um disco conceitual bastante complexo sobre um rock star alienígena que tenta unir o mundo durante os últimos cinco anos antes de a humanidade ser destruída. Ele começa com a inesquecível "Five Years", quando o planeta descobre seu horrível destino. "Notícias acabaram de chegar", Bowie canta, "Nos restam cinco anos para chorar/ Novas pessoas choraram e nos disseram/ A Terra estava mesmo morrendo/ Chorou tanto que seu rosto estava molhado/ E então eu sabia que ele não estava mentindo". Bowie aposentou essa música em 1978, mas a resgatou em 2003 para o início do bis da maioria das suas apresentações.


8 - "The Bewlay Brothers"

Nenhum lançamento de Bowie deixou os fãs tão confusos como "The Bewlay Brothers". Essa foi a última faixa gravada para Hunky Dory e Bowie disse na época que a letra era nonsense. Porém, mais tarde, ele revelou que ela foi inspirada em Terry, seu meio-irmão, que era esquizofrênico. "Eu nunca tive muita certeza do papel que Terry teve na minha vida", o artista disse em 2000. "Fosse Terry uma pessoa de verdade ou estivesse eu me referindo a uma outra parte de mim, acho que "The Bewlay Brothers" era realmente sobre isso". Outros viram claras mensagens homossexuais na letra surrealista, mas Bowie nunca falou sobre isso. Ele só a tocou cinco vezes, todas entre 2002 e 2004.


7 - "Panic in Detroit"

David Bowie esteve próximo de Iggy Pop durante a turnê de 1972 com Ziggy Stardust e um dia o líder dos Stooges o entreteve com história de personagens de Detroit que ele conheceu durante a infância. Bowie transformou a narrativa em "Panic in Detroit", que fala sobre uma pessoa que "parecia bastante com Che Guevara" e que "Mantinha sua arma silenciosamente escondida". A música então afunda em um selvagem conto sobre violência urbana e depressão, pontuado por uma bela batida à Bo Diddley. Ela foi tocada na etapa final da turnê de Ziggy Stardust e se tornou um dos destaques do disco Aladdin Sane.


6 - "Quicksand"

Há muito a se descobrir em "Quicksand", flutuante balada de 1971 de Bowie, com citações a Aleister Crowley, a Heinrich Himmler, ao agente da Segunda Guerra Mundial Joan Pujol Garcia e a Winston Churchill. Bowie diz que a canção foi inspirada por sua primeira viagem aos Estados Unidos, no início daquele ano. Ele a chama de uma mistura de "narrativa e surrealismo". Tentar encontrar qualquer tipo de mensagem coerente nela é praticamente impossível, mas esse é um bom jeito de concluir a primeira parte de Hunky Dory. A música só foi tocada algumas vezes, durante os anos 1970, mas em 1977 se tornou parte frequente dos shows do britânico.


5 - "The Width of a Circle"

The Man Who Sold the World (1970) é mais conhecido pela faixa que dá nome ao álbum, mas o genial Bowie sabia que a verdadeira bomba do disco era a música de oito minutos que o inaugurava. O artista sabia que tinha algo especial nas mãos e lentamente lapidou a canção durante meses. Versões embrionárias dela podem ser ouvidas na coleção Bowie at the Beeb. A versão final mostrou ao mundo do que Bowie era capaz, especialmente com o guitarrista Mick Ronson ao seu lado. A faixa não chamaria muita atenção de início, mas dois anos depois, na turnê de Ziggy Stardust, Bowie transformou "The Width of a Circle" em 15 minutos de tirar o fôlego.


4 - "Stay"

"Stay" não é um rock tradicional, mas também não é exatamente funk ou soul. Esse foi um período mágico durante o qual Bowie estava combinando todos esses gêneros, cheirando cocaína suficiente para pensar que sua TV estava andando em sua direção e aparecendo com um som radicalmente único. O álbum Station to Station todo foi finalizado durante madrugadas no final de 1975, deixando perplexos alguns críticos e fãs ao chegar nas prateleiras no ano seguinte. Hoje, é considerado uma obra prima. "Stay" foi parte de suas apresentações ao vivo por décadas e ele a tocou em espetáculos mais vezes até do que "Life on Mars."


3 - "Station to Station"

"Não são os efeitos colaterais da cocaína", David Bowie, canta na faixa "Station to Station". "Estou achando que deve ser amor". Não, ele estava certo no início. Era a cocaína. Ele cheirou tanto do pó branco durante o processo do álbum Station to Station que relata não ter simplesmente nenhuma memória das sessões de gravação. Essa é uma droga que arruinou muitos discos de rock (vide muito do trabalho de Elton John nos anos 1980), mas que de alguma forma abriu novas áreas do cérebro de Bowie e o permitiu produzir essa surreal música de dez minutos que ninguém que não estivesse em profundo estado de psicose com cocaína poderia ter feito.


2 - "Moonage Daydream"

"Moonage Daydream" é uma das faixas fundamentais de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, mas a faixa, na verdade, surgiu um bom tempo antes do disco. Bowie a escreveu em 1971 e a lançou como single com o efêmero Arnold Corns, mas no ano seguido revisitou a canção como Ziggy Stardust, acrescentando adrenalina e um demoníaco solo de guitarra de Mick Ronson. Ziggy eventualmente deixava o palco enquanto Ronson dava seu show, mas muitos na plateia nem percebiam, hipnotizados pela performance.


1 - "Teenage Wildlife"

Enquanto os anos 1970 viravam 1980, David Bowie se sentia um pouco frustrado. Seu mais novo álbum, Lodger, era um fracasso comercial e de crítica. De repente, ele achou que estava ficando ultrapassado enquanto uma nova geração de artistas que ele inspirou começou a tomar conta das paradas de sucesso. Bowie nunca apontou nenhuma inspiração individual para "Teenage Wildlife", mas o cantor Gary Numan acha que o modelo para a faixa foi ele e poderia muito bem estar certo. "Um magnata de nariz quebrado, você é um dos meninos do new wave?", Bowie canta. A música foi uma das muitas grandes faixas de Scary Monsters (1980) e provou que os "meninos do new have" não tinham chance de roubar sua coroa. Bowie não saiu em turnê com Scary Monsters e nunca tocou "Teenage Wildlife" até a turnê de Outside.