Ozzy Osbourne revela a coisa mais surpreendente que já viu em um show e conta que ainda quer lançar mais um álbum

Próximo de iniciar a última turnê, que passará por quatro cidades do Brasil, o ex-Black Sabbath comenta os quase 50 anos na estrada

Rolling Stone EUA Publicado em 13/02/2018, às 13h44 - Atualizado às 18h10

Ozzy Osbourne

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Após passar uma boa parte dos últimos 50 anos na estrada, seja como integrante do Black Sabbath ou com a carreira solo, Ozzy Osbourne vai embarcar em sua última turnê mundial em março deste ano. Apesar de ter batizado o giro de No More Tours 2 – uma menção cômica à turnê que também seria a última, chamada No More Tours, do começo dos anos 1990 – o músico deixa claro que esse não é um adeus.

“Não estou me aposentando”, ele contou à Rolling Stone EUA na última terça, 6. “É apenas ‘sem mais turnês’, então só não farei mais turnês mundiais. Continuarei fazendo shows, mas não vou mais viajar por seis meses para me apresentar. Quero passar mais tempo em casa.” Leia abaixo tudo que ele nos contou sobre as viagens que já fez e tanto tempo passado na estrada.

O que os fãs devem esperar da turnê final?

Espero que um bom show.

Você ainda sente aquela adrenalina de se apresentar ao vivo?

Com certeza. Se não sentisse, não faria mais shows. Sou um perfeccionista em muitos aspectos. Se eu erro uma nota, fico irritado comigo mesmo, mas preciso me esforçar para superar isso.

Você estava muito nervoso na noite do seu primeiro show solo, em 1980, mas ficou feliz com a resposta dos fãs.

Toda noite antes de eu começar uma turnê, sinto um medo terrível de palco, até eu cruzar uma linha invisível. A partir desse momento, é tudo ou nada.

Essa turnê mundial vai terminar em 2020, que é o ano em que o seu primeiro álbum completa 40 anos. Você considera tocar o Blizzard of Ozz inteiro em algum show?

Essa foi uma ideia que surgiu por um tempo, mas eu não componho álbuns dessa forma, então não vai acontecer. Quando faço um disco, eu gravo músicas que especificamente nunca tocaria ao vivo. Por exemplo, no Blizzard of Ozz, tem músicas que escrevi para nunca serem tocadas em shows, porque a produção é muito intensa. Eu sempre faço uma mais calminha, uma mais rock e as que eu costumo chamar de faixas de álbum. As calminhas e as de rock eu toco nos shows, mas outras são produzidas demais. Mas acho que eu poderia tocar uma.

Como você está se preparando para essa turnê

Bom, estou falando com você, não estou? [Risos]. Não quero que as pessoas se confundam. Não é uma turnê de aposentadoria, é ‘No More Tours’ [Sem mais turnês]. Não quero ficar na estrada pelo resto da minha vida. Eu sou casado e raramente vejo minha família. Eu saio por uma porta e minha esposa entra pela outra. Não quero ser esse cara. Quando estou em turnê, eu não saio, porque acabam me incomodando. Não estou lá para conhecer o lugar, estou lá para trabalhar. E a melhor parte disso é o show, mas você acaba tendo que esperar alguns dias até o show.

Parece que o que você quer mesmo é ir com mais calma e aproveitar a vida.

É exatamente isso. Sou abençoado de ainda conseguir tocar, de ainda ter fãs e de ainda ser apaixonado pelo que faço. Paul McCartney ainda faz turnê. Os Rolling Stones também. É uma escolha deles. Eu não quero ficar na estrada o tempo todo.

Quais são os planos para após a turnê?

Eu gostaria de fazer um álbum. Farei shows esporadicamente. Só sei que não vou mais fazer turnê.

Você disse que tem oito ou nove ideias de músicas. Em que estágio estão essas ideias?

Preciso sentar e trabalhar nelas. Nunca tenho tempo o suficiente nessa casa.

E na estrada também nunca tem tempo.

Quando estou viajando, e tenho um dia de folga, eu tento descansar minha voz, então não é uma boa ideia sair cantando e escrevendo músicas, apesar de já ter feito isso no passado.

Ao longo dos últimos 40 anos, tenho certeza que você viu coisas extraordinárias em seus shows. Qual foi a mais marcante?

Teve uma noite em que vi algumas pessoas paradas durante o show ­– e se tem alguém que não está se mexendo nem fazendo nada na plateia, eu faço o show só para essas pessoas, e começo a jogar baldes de água nelas. Depois me contaram que elas eram todas surdas, por isso não estavam se mexendo ou na pegada do show. Me senti um idiota na época, encharcando o pessoal [risos]. Eles só ficavam lá parados. Eu não conseguia entender por que alguém surdo iria a um show de rock. Mas me explicaram que eles sentem o ritmo. Foi muito interessante.

Tenho certeza que coisas mais malucas já aconteceram.

Acho que em todo show alguém vai preso. Mas eu subo ao palco pra dar aos fãs a melhor noite possível