U2: um guia faixa a faixa de Songs of Innocence

Rolling Stone EUA Publicado em 09/09/2014, às 17h09 - Atualizado às 18h46

Galeria - U2 - Songs of Innocence - abre
Reprodução

O U2 subiu ao palco da conferência da Apple para apresentação do iPhone 6 na cidade de Cupertino, na Califórnia, nesta terça, 9, e surpreendeu lançando o novo disco, Songs of Innocence. O álbum foi disponibilizado de forma gratuita a qualquer usuário do iTunes meros cinco segundos após ser anunciado. Segundo Bono disse em entrevista exclusiva à Rolling Stone EUA,o 13º disco de estúdio dá banda é “muito pessoal”. A seguir, veja um guia faixa a faixa de Songs of Innocence.


1 – “The Miracle (of Joey Ramone)”



Produzida por: Danger Mouse, Paul Epworth e Ryan Tedder

Mais do que qualquer outro disco anterior do U2, Songs of Innocence vai fundo nos anos de juventude de Bono e dos companheiros dele em Dublin, nos anos 1970. A primeira faixa captura o ápice do sentimento de Bono quando ele despertou para a música: a primeira vez em que ele ouviu Ramones. “Everything I've ever lost now has been returned”, canta Bono. “The most beautiful sound I ever heard…We were pilgrims on our way”. O nome da canção soa como se a banda estivesse, propositadamente, tentando soar como o Ramones, contudo – em vez disso, a faixa começa com um riff poderoso, quase no estilo de “Mysterious Ways”, da guitarra de The Edge, e é conduzida pela melodia vocal de Bono.


2 – “Every Breaking Wave”



Produzida por: Danger Mouse e Ryan Tedder



A balada mais clássica do U2 de Songs of Innocence, “Every Breaking Wave” foi originalmente feita para Songs of Ascent (a sequência de No Line on the Horizon que foi deixada de lado). A banda havia tocado uma versão radicalmente diferente da música algumas vezes em 2010. Desde então, a faixa foi mais elaborada, o refrão, reescrito por completo e alguns dos versos foram remendados. Songs of Innocence não é um disco absolutamente sobre a juventude da banda – as letras de “Wave” parecem tratar de preocupações mais adultas: uma relação antiga, distrações, e os esforços que vêm de ambos: “Are we ready to be swept off our feet?/And stop chasing/Every breaking wave”.


3 – “California (There Is No End to Love)”



Produzida por: Declan Gaffney, Paul Epworth e Danger Mouse



Um hino – nem tão rápido, nem tão lento – que começa com camadas de backing vocais que soam como uma homenagem ao Beach Boys. É sobre a primeira viagem do grupo à Califórnia no começo dos anos 1980. “California, blood orange sunset brings you to your knees”, canta Bono. “I've seen for myself/There's no end to grief”.


4 – “Song for Someone”



Produzida por: Ryan Tedder e Flood



Uma canção terna sobre um estranho primeiro amor, que parece falar da esposa de Bono, Ali. O casal se conheceu pela primeira vez aos 13 anos – Ali tinha 12. “If there is a kiss I stole from your mouth”, ele canta. “And if there is a light, don't let it go out”. “Song For Someone” inicia com um violão suave e vai, gradativamente, crescendo e se tornando em algo como “Walk On”.


5 – “Iris (Hold Me Close)”



Produzida por: Paul Epworth e Ryan Tedder



A faixa mais emotivamente crua do disco, “Iris” é um confronto de Bono sobre a perda da mãe, que morreu após desmaiar no funeral do avô dele, quando o vocalista tinha apenas 14 anos de idade. Bono canta sobre “a dor em meu coração!” que “faz parte de quem eu sou”. O primeiro hit do U2, “I Will Follow”, de Boy (1980), e “Tomorrow”, de October (1981), também são sobre a mãe de Bono, Iris Hewson, mas “Iris” traz a perspectiva de um homem cinquentão lembrando da mãe que se foi após quatro décadas, e como a perda definiu a vida dele. “Hold me close”, ele canta. “I've got your life inside me”.


6 – “Volcano”



Produzida por: Declan Gaffney



O baixo pesado e distorcido de “Volcano” pode ser sobre um jovem (e raivoso) Paul Hewson, (também) falando sobre a morte da mãe. “Something in you wants to blow”, grita Bono. “You're on a piece of ground above a volcano”.


7 – “Raised by Wolves”



Produzida por: Declan Gaffney e Danger Mouse



Única canção claramente política do disco, “Raised by Wolves” conta uma história real de um carro bomba em Dublim, que explodiu perto de uma área residencial. “Em qualquer outra sexta-feira eu estaria nesta loja de discos, mas fui de bicicleta para a escola naquele dia”, diz Bono. “A bomba rompeu a rua no meio. Eu escapei, mas um dos meus colegas estava na esquina com o pai dele e foi algo bem difícil para ele estar ali. E não tenho certeza se ele superou isso”.


8 – “Cedarwood Road”



Produzida por: Danger Mouse e Paul Epworth



Bono cresceu na Rua Cedarwood, 10, em Dublin, junto aos amigos Guggi Rowan e Gavin Friday, com os quais ele mantém contato até hoje (“Road” é dedicada ao jovem Rowan). “You can't return to where you never left”, canta Bono nesta faixa sobre amizade e doces memórias. “It was a warzone in my teens/I'm still standing on that street”.


9 – “Sleep Like a Baby Tonight”



Produzido por: Danger Mouse



Bono lembra rapidamente os falsetes da época de “Lemon”, nesta assombrosa canção sobre um homem infeliz cujos olhos são “vermelhos como o Natal”, e que lê “sobre o amor dos políticos” comendo “torradas, chá e açúcar” – é, possivelmente, sobre o pai do vocalista, Bob Hewson.


10 – “This Is Where You Can Reach Me”



Produzida por: Danger Mouse



Mencionada previamente por Bono como uma canção antagonista ao álbum em uma entrevista em fevereiro, ao L.A. Times, “This Is Where You Can Reach Me” é inspirada por um show do The Clash que o U2 foi assistir em 1977. “We signed our lives away”, canta Bono. “Complete surrender/The only weapon we know”.


11 – “The Troubles”



Produced by: Danger Mouse



Outra faixa citada por Bono previamente, “The Troubles” tinha tudo para ser outra canção do U2 sobre a situação política da Irlanda do Norte, mas é mais sobre Bono aprendendo a lidar com os próprios problemas. A cantora convidada, Lykke Li, repete o refrão “somebody stepped inside your soul” e Bono reflete sobre a própria redenção: “I have a will for survival/ So you can hurt me then hurt me some more/ I can live with denial/ But you're not my troubles anymore”.