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Gene Simmons opina sobre músicas de Lamb of God, Patti Smith e Bee Gees, entre outros

Rolling Stone EUA Publicado em 25/08/2015, às 18h41 - Atualizado às 20h15

Mesmo com mais de 60 anos de idade, Gene Simmons é um cara que gosta de se manter ocupado. Entre os diversos projetos e turnês com o Kiss, a Rolling Stone EUA parou para falar com o icônico baixista e vocalista, pedindo a opinião dele sobre músicas de artistas como Lamb of God, Patti Smith e Bee Gees, entre outros. Veja o resultado a seguir.


Patti Smith – “Free Money”



Esta é, na verdade, uma das faixas mais bem compostas de Horses. Patti soa melancólica e depois cospe as letras – coisa que ela faz melhor que quase todo mundo, até mesmo para os padrões de hoje.



Uma observação interessante: a música e construída da mesma forma que “Stairway to Heaven”. Patti Smith e Led Zeppelin? Yup. Se você toca um instrumento, logo você perceberá. De um lá menor para um sol maior, depois um fá maior, então um sol maior e lá menor de novo – exatamente como “Stairway to Heaven”. E então, a música tem apenas oito acordes. Então talvez não seja tão estranho assim.



Lembro-me da primeira vez que vi Patti. Estava no clube Marquee em Londres, nos anos 1970, e ela também. Estava em pé no bar e, como eu não bebia – e ainda não bebo –, passei a maior parte do tempo vagando e conversando com as pessoas dali.



Em seguida, uma mulher vem andando, resmungando algo e me dá um tapa forte no rosto. Não tinha ideia de que isso poderia acontecer – ou, à época, quem ela era. Talvez, por consequência, aquela fosse a clássica Patti Smith. Mais poder para ela.


The Kinks – “Dedicated Follower of Fashion”



Ah, o Kinks – uma das minha bandas favoritas de todos os tempos. Eles são mais conhecidos por “You Really Got Me”, mas Ray Davies tem um talento para compor melodias e letras sobre uma Inglaterra idílica como quase ninguém. Uma Inglaterra que tem um “Waterloo Sunset” (“pôr-do-sol de Waterloo”) e é povoada por “Well Respected Man” (“Pessoas muito respeitadas”) e muito mais.



“Dedicated Follower” tem os mesmos clássicos violões e vulnerabilidade do vocal de Ray Davies. Desejo que mais bandas modernas ouçam e absorvam o Kinks.


Bee Gees – “I Started a Joke”



Sim, eu sei, os caras do disco. Até mesmo isso os colocaria em alta posição no panteão de grandes compositores e artistas de estúdio. Ainda, é necessário notar que na época pré-disco, o Bee Gees compôs e gravou algumas das melhores músicas pop, quase em um nível dos Beatles, como este vocal de Robin Gibb. Infelizmente, ninguém mais compõe coisas como esta.



Conheci os irmãos Gibb na casa de Barry Gibb no fim dos anos 1970. Fui convidado à casa porque o filho de Barry, Stevie, venerava uma banda que usava maquiagem e saltos mais altos que qualquer mamãe. Agora você sabe.


Sex Pistols – “Bodies”



O legal do Pistols, especificamente no incendiário álbum de estreia deles, era que intrinsecamente, eles sempre foram uma banda de ao vivo. E ouvir o Pistols ao vivo era basicamente uma versão mais alta e agressiva do que eles soavam no disco. A faixa “Bodies” poderia facilmente funcionar com a letra de “Anarchy in the U.K.”. Ambas são como um bom e refrescante chute na cara.



Encontrei Johnny Lydon na casa do empresário dele da época. Estávamos conversando quando, de repente, Ringo Starr apareceu. Eu estava petiscando uma salada e possuído pelo amor Beatle, quando me vi levantando Ringo do chão. Tenho 1,88 m de altura, e Ringo não é desse tamanho. Estava sorrindo para o rosto dele como paciente de um asilo de dementes. Ele perguntou-me gentilmente: “Você poderia me colocar no chão, por favor?”. E eu o fiz. Mais tarde descobri que eu tinha um grande pedaço de espinafre verde entre meus dentes. Classudo.


Donna Summer – “I Feel Love”



Por alguns bons anos, Donna foi a rainha do disco. Ela era intocável. E diferentemente de outros artistas disco da era, Donna tinha credibilidade. Ela tinha até um dueto com Barbra Streisand, que também, claro, tornou-se um grande hit. Tudo começou com esta canção, entretanto. O chefe da Casablanca Records, Neil Bogart, forçou o produtor Giorgio Moroder a fazer a canção mais longa – e o primeiro EP nasceu.



Kiss foi o primeiro artista do novo selo da Casablanca Records. E então eles contrataram Donna Summer, e então as paredes desmoronaram. Nós ainda, por acaso, moramos no mesmo prédio na cidade de New York, em certo ponto. Eu tinha o piso de cobertura no topo, e Donna morava no primeiro andar. Mas a Donna que me lembro era a graciosa e charmosa pessoa que concordou em aparecer uma música que eu compus chamada “Burning Up with Fever”, que foi lançada no meu disco solo de 1978. Descanse em paz Donna Summer.


Kendrick Lamar – “For Free?”



Hilário. “This dick ain't free”, canta Lamar. Realmente! Lição bem aprendida.



Musicalmente, isto é interessante. O fundo de free-jazz permite a Lamar rimar/falar por cima – quase em estilo livre. Mas, sendo bem sincero, não a pessoa mais qualificada a comentar de rap. Ele sempre me chegou como uma excentricidade e curiosidade. Sou respeitoso às suas origens culturais, mas não fala comigo. “Wild Thing”, do Troggs, e “(You Gotta) Fight for Your Right (to Party!)” – esses sim são meus tipos de rap.


Lamb of God – “512”



O Lamb é um sólido conjunto de músicos – capazes e bombásticos. Mas, por mais que eu goste deste instrumental, devo confessar que este estilo de vocal – o que aconteceria se um lobisomem tentasse cantar? – não é para mim. Não estou dizendo que sei cantar, caso você pense isso.



Pessoalmente, ficaria curioso em ver como este bom instrumental soaria com uma melodia decente e os vocais de Dave Grohl.


The Weeknd – “Can't Feel My Face”



Este material é pop/R&B descente. O tipo de faixa que você quer ouvir em uma boate cheia de pessoas que amam dançar. Não necessariamente o tipo de música que eu gosto de colocar no som da minha caminhonete descendo a Highway 66.



Prefiro “Tush”, do ZZ Top e “Never in My Life” do Mountain, ou “Rock and Roll”, do Led Zeppelin. Mas esse sou eu.


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