Dez momentos memoráveis de Tony Iommi com o Black Sabbath clássico

Redação Publicado em 13/01/2012, às 13h49 - Atualizado às 16h52

Ozzy Osbourne e Tony Iommi

1 - “Black Sabbath”, de Black Sabbath (1970)

O clássico absoluto do Sabbath, o primeiro heavy metal da história, uma das melhores aberturas de álbum de estreia de todos os tempos... são muitos os slogans apropriados para esta obra-prima. Também é desta música um dos riffs mais sinistros já compostos por um guitarrista - uma simples tríade de notas iniciada em sol que culmina em uma bem colocada quinta diminuta, crucial para reforçar a sonoridade assombrada da faixa. Para muitos fãs, esta é representação perfeita da genialidade de Tony Iommi com sua Gibson SG.


2 “Iron Man”, de Paranoid (1970)

Outra composição genial de Iommi que figura facilmente no top 10 de “grandes riffs cantaroláveis” do rock & roll. A lenda diz que o título da música (“homem de ferro”) surgiu quando Ozzy Osbourne escutou a sequência de acordes iniciais e declarou que ela se assemelhava ao som de um ser metálico se movendo lentamente. Além do riff, é impossível ignorar os segundos iniciais, em que Iommi puxa as cordas do topo do braço da guitarra, fazendo-a “gritar” como o personagem-título (“I-am-Iron-Man!”). O solo acelerado e blueseiro no minuto final (dobrado por outra guitarra na versão de estúdio) também é um excelente exemplo do estilo todo particular eternizado por Iommi.


3 - “Supernaut”, de Vol. 4 (1972)

Uma das faixas mais “para cima” da discografia clássica do Black Sabbath, apesar do clima soturno permear Vol. 4 do início ao fim. O riff, definitivo e cheio de groove, mantém a tradição de Iommi com as afinações alternativas (no caso desta faixa, em dó sustenido, um tom e meio mais grave do que o normal). No interlúdio (a partir de 2:43), é possível escutar acordes de violão em meio a um solo cheio de balanço do baterista Bill Ward.


4 - “Paranoid”, de Paranoid (1970)

Prestes a encerrar a produção do segundo álbum, o Sabbath já não tinha mais músicas para gravar quando Iommi tocou um riff inédito para os colegas de banda. Em menos de meia hora, a faixa estava finalizada e pronta para entrar em definitivo para a história do rock. Icônica até a medula, é até hoje associada não apenas ao Black Sabbath, mas também à carreira solo de Ozzy Osbourne, que jamais parou de tocá-la ao vivo desde que deixou a banda definitivamente, em 1979.


5 - “Electric Funeral”, de Paranoid (1970)

O macabro riff introdutório, incrementado com efeito wah-wah, já é impactante o suficiente para ser enquadrado no hall da fama dos grandes momentos do Black Sabbath. Mas o que vem a seguir é de arrepiar: em ritmo sôfrego, quase sufocante, Iommi e o baixista Geezer Butler dobram os versos cantados por Ozzy, que prega sua missa tal qual um pastor demente e possuído. Homenagem pop-histórica: este foi um dos primeiros riffs cantarolados pela dupla Beavis & Butthead, no primeiro capítulo da animação, de 1992 (veja aqui, a partir de 3'09'').


6 - “Sabbath Bloody Sabbath”, de Sabbath Bloody Sabbath (1973)

Quando tinha 17 anos, Iommi sofreu um acidente que lhe custou as pontas de dois dedos da mão direita. Para conseguir tocar guitarra, ele fez adaptações que acabaram por dar origem à sonoridade que o tornou famoso: além da utilização de próteses nos dedos, ele também era adepto de afinações mais graves, para diminuir as tensões das cordas. O resultado disso são riffs cavernosos como em “Children of the Grave”, “Into the Void”, “Under the Sun”, “Supernaut”, “Cornucopia”, além da faixa-título do quinto álbum do Sabbath, cuja ponte (a partir de 3:20) faz belo uso da afinação em dó sustenido.


7 - “Sweet Leaf”, de Master of Reality (1971)

Outra música que celebra o uso de drogas (no caso, a maconha), outra abertura inesquecível de disco do Black Sabbath, outra guitarra clássica de Tony Iommi – assim é “Sweet Leaf”. O riff principal, aliás, chegou a ser sampleado pelos Beastie Boys (em “Rhymin & Stealin”) e homenageado por John Frusciante no final de “Give it Away”, do Red Hot Chili Peppers. O ruído de “tosse” no início da faixa também é de responsabilidade de Iommi: seria o som do guitarrista engasgando após tragar um baseado.


8 - “Symptom of the Universe”, de Sabotage (1975)

Apesar da tonalidade cavernosa, Iommi tocou este clássico sabbathiano com seu instrumento em afinação normal. Além do riff principal (caracterizado pela “diabólica” quinta diminuta), chama atenção o desfecho cheio de suíngue, em que o guitarrista destila um belo solo acústico no melhor estilo bossa nova. É uma das faixas do Sabbath que mais ganhou covers através dos tempos, do Sepultura (na coletânea Nativity in Black, de 1994) ao Helmet.


9 - “Changes”, de Vol. 4 (1972)

Certamente uma das músicas mais famosas da carreira do Black Sabbath, e uma das pouquíssimas a não apresentar guitarras, “Changes” é o palco perfeito para Ozzy Osbourne brilhar. Porém, nada funcionaria se não fosse o delicado piano de Tony Iommi fazendo o pano de fundo. O músico mostra sensibilidade semelhante em outras belas faixas instrumentais do Sabbath, como “Orchid” (de Master of Reality), “Laguna Sunrise” (Vol. 4), “Fluff” (Sabbath Bloody Sabbath) e “Don’t Start (Too Late)” (Sabotage).


10 - “Solitude”, de Master of Reality (1971)

Tony Iommi demonstra nesta faixa climática todo seu talento de multiinstrumentista e arranjador: além das guitarras, ele ficou a cargo das frases de flauta e de piano, que unidas ao vocal quase irreconhecível de Ozzy, fazem desta uma das obras mais ímpares da história do Sabbath. “Planet Caravan”, de Paranoid (1970), traz uma atmosfera semelhante, assim como um dos mais belos solos já gravados por Iommi.