50 anos de música com James Bond

Redação Publicado em 05/10/2012, às 07h48 - Atualizado às 07h48

Galeria Bond - Roger Moore
AP

Um clássico, mesmo que só instrumental. Quem não ouve as primeiras notas tocada pela John Barry Orchestra e já imagina Sean Connery entrando na tela? É a canção de abertura do primeiro longa, 007 Contra o Satânico Dr. No, lançada há 50 anos, mas se tornou um ícone por si só – não importa a década em que você esteja.
A instrumentação orquestral se mantém no segundo filme da franquia, lançado no ano seguinte ao primeiro e com o mesmo Connery na pele do espião. A música-tema, “From Russia With Love”, ganhou versos cantarolados de forma aveludada por Matt Monro. Apesar do nome do filme, que no Brasil ganhou a questionável tradução de Moscou contra 007, a trama evita o embate entre capitalismo e socialismo, americanos e soviéticos – diferentemente, inclusive, do livro que inspirou o filme.
007 – A Serviço da Secreto de Sua Majestade (1969) é o único capítulo da franquia de James Bond em que ele é interpretado por George Lazenby. Mas o mais importante aqui é a brilhante voz de Louis Armstrong na música “We Have All The Time in The World”, uma das últimas gravadas pelo músico, morto em 1971, que já sequer tinha forças para tocar o seu trompete. Uma música linda, uma despedida digna de Armstrong.
“Live And Let Die”, do filme Com 007 Viva e Deixe Morrer, de 1973, talvez seja a canção que mais fugiu da prisão de música-tema de um filme de James Bond e ganhou vida própria. Sir Paul McCartney a executa até hoje em suas turnês mundiais, com seu início lento ao piano até os explosivos refrões. Foi com a música do ex-Beatle que Roger Moore faz sua estreia como James Bond.
Com “All Time High”, de 007 Contra Octopussy (1983), a música-tema se mostra adequada aos tempos da dance music invadindo as rádios do mundo todo. Rita Coolidge uniu suas referências jazzísticas neste pop que, ao contrário da maioria dos temas da franquia, não cita o nome do filme em seus versos – convenhamos, encontrar uma algo que rime com Octopussy é abusar do mau gosto.
A era do videoclipe e do new wave chegaram com tudo em “A View To A Kill”, interpretada pelos gigantes do gênero Duran Duran. A música-tema de 007 na Mira dos Assassinos, de 1985, traz os sintetizadores da década com um refrão chiclete e dançante: “Dance into the fire / That fatal kiss is all we need / Dance in the the fire / To fatal sounds of broken dreams”. O vídeo tem uma câmera capaz de voar, personagens com as roupas típicas da época e cenas de Roger Moore como James Bond.
Em 007 – O Mundo Não é o Bastante, de 1999, Pierce Brosnan vive o espião pela terceira vez. A música, “The World Is Not Enough”, é cantada pela poderosa Shirley Manson e seu Garbage. Sombria, eletrônica e quase apocalíptica, a música ganhou também um vídeo marcante, com Manson transformada em androide.
Pierce Brosnan se despedia do papel mais marcante da carreira em 007 – Um Novo Dia Para Morrer, de 2002, e sua despedida trouxe a Madonna como a responsável pela música-tema do filme. Pop e dançante - como é a praxe nas músicas da rainha do pop -, a canção fugia da temática mais sombria, mas deu energia a um Brosnan que já tinha seus 49 anos.
A poderosa voz de Chris Cornell fez toda a diferença na estreia de Daniel Craig em 007 – Cassino Royale, de 2006. Feroz, aveludada e explosiva, a música deu ânimo às perseguições e lutas que apareceram com mais ênfase nesta nova fase do espião. “You Know My Name” acabou sendo incorporada no álbum solo de Cornell , Carry On.
Ligada com o melhor da música mundial, a trilha de James Bond para o último filme lançado, 007 - Quantum Of Solace (2008), decidiu unir o indie e o pop, a guitarra e a voz azeda de Jack White com o soul de Alicia Keys. O resultado, “Another Way To Die”, é um rock pesado, com riffs de blues na guitarra (de White) e no piano (Keys). Foi também a primeira vez em que o tema da franquia foi interpretado por um dueto.