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90 anos de Tony Bennett – dez canções marcantes

Redação Publicado em 03/08/2016, às 18h23 - Atualizado às 18h45

Resumir a longa e brilhante carreira de Tony Bennett a apenas dez momentos é quase impossível, mas aqui estão dez canções marcantes na voz do cantor.

Por Paulo Cavalcanti
AP

"Because of You"



O primeiro 78 rotações de Bennett foi lançado em 1951 e já subiu direto para o topo das paradas, permanecendo naquela posição por nada menos do que dez semanas. "Because of You" foi escrita originalmente em 1940 por Arthur Hammerstein e Dudley Wilkinson. A canção é dramática, mas Bennett não exagera na interpretação, mostrando uma voz límpida, dicção impecável e total controle. "Because of You" foi gravada por artistas como Johnny Desmond, Pat Boone, Louis Armstrong e muitos outros. Sammy Davis Jr. a usava em suas apresentações para parodiar outros artistas da época, incluindo o próprio Bennett.


"Cold Cold Heart"



Hank Williams foi um dos nomes fundamentais dentro da história da música country. O autodestrutivo cantor e compositor morto em 1953 era chamado de "o Shakespeare caipira", por causa da profundidade emocional de suas composições. O produtor Mitch Miller percebeu que as criações de Williams poderiam ultrapassar o mercado regional e ganhar as listagens pop. Bastava dar a elas um "banho de loja" e assim se tornariam um hit certo. Ele fez isto com "Cold Cold Heart". O arranjo elaborado por Percy Faith, repleto de cordas, elimina qualquer resquício de som regional. Bennett acertou o tom da canção e ela chegou ao primeiro lugar em 1952.


"Rags to Riches"



Em 1953, Bennett estava no auge e a popularidade dele foi novamente comprovada quando “Rags to Riches” chegou ao primeiro lugar, vendendo um milhão de cópias em questão de semanas. Ao longo dos anos, a canção escrita por Richard Adler e Jerry Ross foi gravada também por outros nomes, como Elvis Presley, David Whitfield, Barry Manilow e Billy Ward and his Dominoes, com Jackie Wilson fazendo o solo vocal. A faixa ganhou uma renovada popularidade quando a versão de Bennett foi incluída na cena de abertura de Os Bons Companheiros (1990), filme dirigido por Martins Scorsese sobre os bastidores da Máfia.


"Stranger in Paradise"



Esta é principal canção do musical Kismet (1953), cuja ação se passava na Arábia exótica da época das Mil e Uma Noites. Os compositores Robert Wright e George Forrest decidiram por usar uma base melódica adequada à atmosfera da trama. Assim, adotaram as melodias do compositor russo Alexander Borodin. "Gliding Dance of the Maidens" (da ópera Príncipe Igor), em particular, serviu para construção de "Stranger in Paradise". Richard Kiley e Doretta Morrow foram os primeiros a cantá-la na montagem original da Broadway. Quando foi apresentada na peça, a canção era um dueto entre os amantes. Mas a faixa foi adaptada apenas para mostrar o ponto de vista masculino. Esta nova visão para a música foi a base para a gravação extremamente popular de Bennett, que alcançou o segundo lugar em 1953.


"I Left My Heart in San Francisco"



George Cory e Douglass Cross escreveram este clássico em 1953, mas ele permaneceu na total obscuridade até Ralph Sharon, pianista e diretor musical de Bennett, tirar poeira da canção e mostrá-la ao cantor. A gravação realizada pelo crooner em 1962 é pura perfeição. Nela, Bennett evoca a nostalgia que sentia pela "cidade à beira da baia". Ela foi lançada como lado B do single que trazia "Once Upon a Time", mas os radialistas gostaram mesmo de "I Left My Heart in San Francisco" e passaram a tocar faixa sem parar. O disco de sete polegadas começou a vender e permaneceu um ano nas paradas. Na sequência, Bennett gravaria um álbum com o título do hit. O cantor reconheceu a importância da canção na carreira dele: “Esta música me tornou um cidadão do mundo. Por causa dela, posso cantar em qualquer parte do planeta”. Inúmeros artistas a regravaram, mas o registro de Bennett é um marco que nunca será batido. Houve uma época em que "I Left My Heart in San Francisco" era a canção mais requisitada nos karaokês norte-americanos. E hoje ela ainda segue como hino não-oficial da cidade.


"The Good Life"



Hit para Tony Bennett em 1963, “The Good Life” é uma versão da canção francesa "La Belle Vie". Ela foi escrita pelo popular cantor Sacha Distel e ganhou letra em inglês pela pena do compositor Jack Reardon. Além da melodia que pega no primeiro instante, a letra de “The Good Life” radiografa o estilo de vida hedonista sofisticado, mas agridoce, que imperava na era Kennedy. Apesar de muitos outros cantores terem registrado a canção, ela ainda é marca registrada de Tony Bennett, que posteriormente a regravou em inúmeros. Ela também batizou a autobiografia do cantor, lançada em 1998.


“I Wanna be Around”



Johnny Mercer, autor de clássicos como “Laura”, “Moon River”, “The Days of Wine and Roses” e muitos outros standards, trabalhou com inúmeros parceiros, mas certamente a gênese de “I Wanna Be Around” foi o caso mais curioso. Certo dia, Mercer recebeu uma carta de uma senhora chamada Sadie Vimmerstedt, que era avó e dona de casa. Sem saber como encontrar o compositor, ela encaminhou a mensagem para a ASCAP, editora musical a qual Mercer era associado. Eles repassaram a missiva para o compositor. Na carta, a senhora Vimmerstedt falava que tinha uma ideia para uma canção, começando com a frase “eu quero estar por perto para pegar os pedaços do seu coração quando ele for partido”. Mercer não costumava trabalhar deste jeito, colaborando com gente amadora e que ele não conhecia. Mas ficou tão intrigado que decidiu seguir em frente. Depois, contatou a senhora Vimmerstedt e deu a ela crédito – naturalmente, ela recebeu parte dos direitos autorais. Tudo isso aconteceu em 1959, mas a música estourou somente em 1963, quando Bennett gravou a sua versão de sucesso. Desde então, “I Wanna be Around” fez parte do panteão de grandes canções de Johnny Mercer.


"Who Can I Turn to? (When Nobody Needs Me)”



O britânico Anthony Newley era um artista de inúmeros talentos: ele se notabilizou como cantor, compositor, escritor e diretor. Além de fazer sucesso como intérprete, Newley escreveu, ao lado do parceiro Leslie Bricusse, inúmeras canções que até hoje são muito lembradas. Além de terem melodias marcantes, as faixas da dupla Newley-Bricusse abrigam em seu âmago ansiedade, sendo que as letras exploram o sentido da vida e a incerta condição humana. Seguindo esta linha existencial, "Who Can I Turn To? (When Nobody Needs Me)”, que foi apresentada originalmente na peça The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd, se tornou um hit para Bennett em 1966.


“Body and Soul” – com Amy Winehouse



No obrigatório documentário Amy, sobre Amy Winehouse, a narrativa vai se tornando progressivamente nervosa, já que aos poucos a história contada vai se tornando mais sinistra. A progressiva destruição da cantora inglesa se torna evidente. Mas um dos poucos momentos reconfortantes acontece quando Amy aparece gravando ao lado de Bennett. O crooner tinha um carinho e preocupação por Amy e isso fica evidente no vídeo – ele imediatamente reconheceu o grande talento da britânica. A eterna “Body and Soul”, registrada pelos dois para o álbum Duets II (2011) foi, tragicamente, a derradeira gravação de Amy. Bennett, que também enfrentou sérios problemas com as drogas na década de 1970, lamentou a morte da cantora, ocorrida naquele mesmo ano. “Eu só queria ter passado mais tempo com ela”, ele disse.


“Cheek To Cheek” – com Lady Gaga



Apesar de ter alcançado a fama cantando pop dançante com levada eletrônica, Lady Gaga tem um gosto abrangente e vasto conhecimento sobre música popular. Ela gosta de classic rock, jazz e musicais da Broadway. Assim, não foi nada chocante quando Gaga se associou a Tony Bennett para realizar o projeto do álbum Cheek to Cheek (2014).



Antes do CD sair, o veterano crooner e a cantora pop já haviam colaborado em “The Lady Is a Tramp”, incluída em Duets II. Após mostrar que também tinha química no palco, a dupla achou por bem levar o talento conjunto para o estúdio novamente, desta vez para um CD só deles. “Cheek to Cheek”, a faixa que batiza o álbum, foi escrita por Irving Berlin e imortalizada por Fred Astaire na década de 1930.