Contos de fadas para adultos

Redação Publicado em 20/12/2012, às 18h51 - Atualizado às 19h01

Galeria Grimm - Abre
Divulgação

Amanda Seyfried veste o chapeuzinho vermelho no questionável A Garota da Capa Vermelha (2011). A ideia, contudo, é louvável: levar a história infantilizada com o passar dos anos para suas origens mais sombrias. E, quem sabe, até fazer com que o público temesse o Lobo Mau.
O conto de A Branca de Neve e os Sete Anões ganhou novos contornos com Espelho, Espelho Meu, lançado este ano. A grande estrela aqui é A Rainha, vivida pela sempre simpática Julia Roberts. Dessa forma, como ficar zangado com a vilã da história? Ah, sim, e a personagem título (a Branca de Neve, não os sete anões, ok?) é interpretada por Lily Collins, filha de Phil Collins.
Do mesmo criador de Buffy: A Caça-vampiros e Angel, a série Grimm coloca todo o universo fantasioso dos contos de fadas para a nossa realidade. Nick Burkhardt (David Giuntoli), um detetive de Portland, começa a se deparar com estranhos acontecimentos e, sem opção, se vê rodeado de criaturas que ele jurava só existir em livros infantis. No Brasil, o seriado é exibido pela Universal Channel, todas as segundas-feiras, às 23h.
Once Upon A Time também traz para o nosso mundo os contos dos irmãos Grimm, mas, neste caso, a ideia é ter fantasia e realidade balançeadas. Neste meio-termo, a série vai para o passado mágico e o presente, contando a história da filha de Branca de Neve com o Príncipe Encantado, a única capaz de salvar todos os outros personagens. Por aqui, a série é exibida pelo canal Sony, todas as quintas, às 21h.
Lançado em junho no Brasil, Branca de Neve e o Caçador acabou recebendo mais atenção do que realmente deveria. Primeiro motivo: o elenco estrelado, com a presença da Kristen Stewart (a Bella, da saga Crepúsculo), Chris Hemsworth (o Thor, de Os Vingadores) e a linda Charlize Theron, interpretando a Bela de Neve, o Caçador e a Rainha Má, respectivamente. Por mais que o diretor Rupert Sanders tenha se esforçado para criar uma trama interessante, ele falhou e o filme se perde em vários momentos. E, bom, é sempre bom lembrar que diretor e a protagonista foram flagrados aos abraços durante a filmagem. Eis aí o segundo (e maior) motivo para tanta atenção direcionada ao longa-metragem.
A Fera chegou a ser lançado pelo Brasil em 2011, mas com pouquíssimo alarde. Escrito e dirigido por Daniel Barnz, o filme tenta puxar a ideia de A Bela e a Fera para os tempos modernos. Onde Alex Pettyfer é Kyle Kingson, um garoto tão rico e bonitão quanto pedante. Ele acaba enfeitiçado por uma bruxa (sim, aparentemente elas exisem no nosso mundo) e se torna cheio de cicatizes e manchas. Assim ele encontra a beleza interior e se encanta por Lindy (Vanessa Hudgens).
Aqui, sim, uma adaptação verdadeiramente adulta. O substítulo, em inglês, explica melhor o que se trata A Floresta Negra: A Tale of Terror ("um conto de terror", em português). Nada é fofinho e bonitinho nesta (outra) adaptação de A Branca de Neve e os Sete Anões, lançado em 1997. E Sigourney Weaver, como a vilã da história, está especialmente assustadora e insana.
Peter Gabriel resolveu se inspirar no conto "O Rei Sapo" - aquele do monarca transformado em anfíbio que precisa encontrar uma moça que aceite beijá-lo - para criar a música "Kiss That Frog", lançada no disco Us. É psicodelia e contos de fada, juntos, em um clipe ainda mais amalucado.
O musical infantil Os Saltimbancos, de texto do italiano Sérgio Bardotti e música do argentino Luis Enríquez Bacalo, foi traduzido por ninguém menos do que Chico Buarque e lançado em 1977. A história também é baseada em um conto dos Grimm, Os Músicos de Bremen, também com esses animais falantes. Pode parecer infantil, mas não se engane. O texto de Chico diz muito mais para adultos do que para crianças. O grupo Os Trapalhões também adaptou a história e o levou para o cinema, em 1981.
O duende Rumpelstiltskin tem o seu próprio conto no livro dos irmãos Grimm. Um sujeitinho espertalhão que adora fazer negócios e, quase sempre, consegue se dar bem. John Otway, lendário punk rocker inglês, canta o nome dele com todas as forças (como é possível ver ao lado) - é bom lembrar que, no conto, quando descoberto o nome do duende, o contrato se desfaz. E os Grimm chegaram ao punk. Yeah!