Ex-dona de agência de modelos faz campanha pela diversidade nas passarelas

Bethann Hardison critica a falta de modelos negras nos desfiles de grandes grifes

Redação Publicado em 08/09/2013, às 16h44

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Divulgação/Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

A falta de diversidade racial na indústria da moda, de forma geral, é um assunto polêmico há muito tempo. Há cinco anos, Bethann Hardison, ex-dona de uma agência de modelos, está à frente de uma campanha por uma maior variedade de tipos físicos nas passarelas. Agora, ela fez uma carta, publicada no site Balance Diversity, na qual cita e critica nominalmente marcas que basicamente escalam modelos brancas.

Ela também mandou cópias da carta para os principais órgãos relacionados à moda, em Paris, Londres, Nova York e Milão, as quatro cidades com as maiores semanas de moda, na qual aponta grifes que todos os anos usam apenas uma ou nenhuma modelo negra. “Não importa a intenção, o resultado é racismo”, diz.

“Seja essa uma decisão do designer, stylist ou do diretor de casting, a decisão de usar basicamente apenas modelos brancas revela um traço que é indecoroso na sociedade moderna”, prossegue.

A carta chamou atenção porque, por mais que a discussão não seja nova, dificilmente alguém diz com todas as letras que acredita que seja uma questão de racismo – em geral, ela é vista como uma falta de diversidade na hora de pensar o elenco de uma campanha. Algumas das grifes que ela cita são Calvin Klein, Marc by Marc, Proenza Schouler, Victoria Beckham, Rag & Bone, BCBG, Rodarte, Mulberry, Preen, Prada, Versace, Marni, Celine, Chanel e Louis Vuitton.

Daniel Silver, da Duckie Brown, uma das marcas citadas, disse em entrevista ao blog especializado The Cut que eles fazem o casting em cima de quem as agências apresentam a fazem a esolha com base na disponibilidade e também pensando em quem veste melhor a roupa. “Se as agências tivessem uma lista mais variada, nosso casting seria mais diversificado.”