Pulse

James Brown: veja momentos essenciais do chefão do funk e soul

O legado do chefão do funk e soul ainda é forte até hoje

Paulo Cavalcanti Publicado em 25/12/2016, às 09h00 - Atualizado em 03/05/2017, às 16h13

James Brown - galeria (abre)
AP

Hoje, 25 de dezembro, fazem 10 anos que James Brown morreu. Justamente no Natal, uma data para contemplação, a figura mais frenética da história da música popular partiu. James Brown morreu de insuficiência cardíaca, aos 73 anos. O artista ainda se encontrava na ativa, embora sua saúde já estivesse declinando há um tempo. A vida de James Brown já rendeu inúmeros livros até um filme intitulado apenas James Brown, com no papel principal. A música do Chefão da Soul Music é até hoje é relevante e influente. Ele não só reformatou a soul music como praticamente inventou o funk, usando ritmos cada vez mais intrincados. O hip-hop teria que surgir de uma outra forma se James Brown nunca tivesse existido. Brown, que era chamado quando vivo de “o homem que mais dá duro no show business”, também era exigente, maluco por controle e perfeccionista. Foi um exemplo para seu povo, um livre empreendedor que acreditava nas oportunidades que seu pais oferecia, mesmo tendo enfrentado o racismo e vindo de uma infância miserável em Barnwell (Carolina do Sul) onde nasceu no dia 3 de maio de 1933 e depois em Augusta (Geórgia), para onde se mudou aos cinco anos de idade e depois adotou como sua cidade natal. Enfim, além de ser um músico genial, ele era um ser humano extremamente complexo. Hoje, ao lembrarmos dos dez anos sem Brown, apresentamos alguns momentos essenciais e magistrais do Soul Brother Number One, o homem que ensinou o mundo a dançar.


Live at The Apollo



Até James Brown lançar este álbum ao vivo, a música que fazia pertencia ao gueto do R&B. Mas com Live at The Apollo ele ganhou um público amplo. O disco chegou ao segundo lugar da parada pop em 1963. Neste trabalho gravado em outubro de 1962, no palco do lendário teatro Apollo, no Harlem, em Nova York, Brown refez canções que até então não tinham sido bem divulgadas, como “Please Please Please”, “Try Me”, "I Don't Mind", "I'll Go Crazy" e outras.


The T.A.M.I. Show



Dirigido por Steve Binder, The T.A.M.I. Show é considerado o primeiro grande concerto filmado da história do rock. Dele participaram The Beach Boys, Lesley Gore, Chuck Berry, Jan and Dean, The Supremes, Marvin Gaye, Smokie Robinson and The Miracles e outros. O evento aconteceu em outubro de 1964, em Santa Monica, Califórnia, no Civic Auditorium. O set de James Brown durou cerca de 17 minutos e teve as músicas “Out of Sight”, “Prisioner of Love”, “Please Please Please” e “Night Train”. A atuação dele ao lado do grupo vocal The Fabulous Flames foi arrasadora e fulminante: Brown dançou e cantou como se estivesse possuído e deixou a plateia branca e adolescente simplesmente de boca aberta. A partir daí, ele virou de vez um artista pop. Os Rolling Stones, que fecharam o show, se mostraram pálidos e tímidos se comparados à energia primal de Brown.


“I Got You (I Feel Good)”



Esta é a canção de James Brown que todo mundo conhece. Lançada em 1965, “I Got You (I Feel Good)” foi um grande sucesso e se tornou uma das marcas registradas da carreira e James Brown. Aqui, o artista aparece em 1966 cantando a música no popular programa de Ed Sullivan na rede CBS, provando que ele e o funk tinham chegado ao mainstream. Ele também interpreta um trecho de ”Papa’s Got a Brand New Bag”.


“Say It Loud - I'm Black and I'm Proud”



No final da década de 1980, as relações raciais estavam tensas nos Estados Unidos. Em 1966, havia surgido o Black Panther Party, cujos integrantes, os Panteras Negras, apregoavam o lema do Black Power (poder negro). Em 1968, Brown, em sintonia com o que acontecia em seu país, veio com este hino, no qual falava que os negros deveriam proclamar bem alto o orgulho que tinham de sua raça. “Say It Loud - I'm Black and I'm Proud” foi considerada explosiva por algumas emissoras de rádio, mas sua mensagem era clara e a canção se tornou bastante popular.


“Santa Claus, Go Straight To The Ghetto”



Como já dissemos, James Brown morreu no dia de Natal em 2006. Mas assim como praticamente todos os grandes nomes da música popular ele gravou discos dedicados à data festiva. No caso de Brown, nada de coisas lentas, cheias de corais e violinos. No Natal do Mr. Dynamite, tinha muito funk, balanço e comentário social. É o caso desta música de 1968, em que ele recomenda ao Papai Noel dar uma passada no gueto para ver como as coisas são.


James Brown ao Vivo na Itália



Sem dúvida, a melhor formação do JB’s, a poderosa banda de apoio de Brown, foi quando ela contava com a presença do baixista Bootsy Collins e de seu irmão, o guitarrista Phelps "Catfish" Collins. Neste show na Itália, em 1971, Brown, ao lado dos irmãos Collins, dá uma aula do verdadeiro funk. Na apresentação estão clássicos com “Get Up (I Feel Like A) Sex Machine”, "It's a Man's Man's Man's World" e “Soul Power”.


James Brown no Soul Train



Apresentado pelo falecido Don Cornelius, o programa Soul Train foi ao ar de 1971 a 2006 e apresentou os mais icônicos artistas da música black na ponta dos cascos. Todo mundo que foi importante na esfera soul, funk, R&B e hip-hop se apresentou lá. James Brown foi convidado inúmeras vezes e as performances dele, sempre ao vivo, se tornaram históricas. Aqui está uma compilação dos melhores momentos de Brown no Soul Train: ele canta, ao lado de sua banda The JB’s, petardos como “Hot Pants”, “Get Up (I Feel Like A) Sex Machine”, “Get On The Good Foot", "Soul Power”, “ Make It Funky!”, “Cold Sweat” ,”Try Me”, “Please Please, Please”, “Say It Loud I'm Black and I'm Proud”, “Super Bad”, “ The Payback” e outras. É quase uma hora de puro groove.


Living In America



Em meados dos anos 1970, no apogeu da era disco, James Brown, ironicamente, perdeu espaço para outros artistas que faziam música dançante. O renascimento aconteceu na década seguinte, quando a música dele começou a ser sampleada e ele virou referência para toda uma nova geração. O retorno foi coroado com a participação dele no filme Rocky IV (1985), em que cantou a memorável "Living in America". A canção foi um enorme hit e o chefão mostrou novamente quem realmente mandava no pedaço.