Relembrando Freddie Mercury

Paulo Cavalcanti Publicado em 05/09/2016, às 18h18 - Atualizado às 19h02

Todos os momentos da carreira de Freddie Mercury foram mágicos, mas selecionamos alguns sucessos, obscuridades e curiosidades que fazem parte do legado fonográfico do saudoso frontman do Queen. 

Por Paulo Cavalcanti
AP

“I Can Hear Music”



Esta canção escrita por Phil Spector, Jeff Berry e Elie Greenwich foi gravada originalmente pelas Ronettes em 1966, mas passou despercebida. Três anos depois, os Beach Boys tiveram um sucesso mundial com ela. Grande fã de Spector, Mercury escolheu a faixa como seu single solo de estreia, em 1973. Só que ele usou o pseudônimo Larry Lurex. Na gravação, Mercury conta com Roger Taylor na bateria e Brian May na guitarra, já antecipando o Queen. O vocal do cantor foi acelerado para o lançamento.


“Going Back”



O lado B do single de estreia de Mercury (usando o nome Larry Lurex) era uma canção escrita por Carole King e por seu ex-marido, Gerry Goffin. Ela havia sido gravada nos anos 1960 por nomes como The Byrds e Dusty Springfield. Fã da dupla de compositores, Mercury também apreciava “Going Back” por se identificar com os sentimentos agridoces da canção, que falava de amadurecimento, passagem do tempo e despedidas.


“Killer Queen”



Os dois primeiros álbuns do Queen tiveram um alcance moderado e a banda precisava desesperadamente de um single de sucesso para poder consolidar a imagem. Em Sheer Heart Attack (1974), o terceiro LP, veio a salvação na forma de “Killer Queen”, que logo galgou os primeiros postos da parada inglesa. A “rainha” do título é uma metáfora para a banda e para a Inglaterra. Mas a faixa também é uma declaração pessoal de Mercury, provando que ele e o grupo chegavam para não deixar nada em pé. “Garantido para explodir sua mente”, ele canta.


“Bohemian Rhapsody”



É impossível falar do legado de Freddie Mercury sem citar “Bohemian Rhapsody”, faixa do icônico álbum A Night at The Opera. A canção gravada em 1975 é presença inevitável em listas de melhores singles de todos os tempos. Mesmo sendo tão conhecida, ela ainda traz uma grande dose de mistério. O que Mercury estaria querendo afirmar na enigmática letra? A mensagem é fatalista, mas também parece ser de liberação e vingança. Mercury colocou sentimentos pessoais nela, mas nunca quis explicar ou dar detalhes sobre o significado. O fato é que “Bohemian Rhapsody”, com sua junção de balada, hard rock, rock progressivo e pseudo ópera, é uma maravilha atemporal que marca toda a genialidade do falecido cantor do Queen.


“My Melancholic Blues”



Freddie Mercury era retraído. Depois de ser aclamado por milhões de fãs em estádios e em grandes arenas, ele muitas vezes encarava a solidão. Esta canção, incluída em News of The World (1977), reflete com propriedade este sentimento de isolamento do cantor. A jazzy “My Melancholic Blues” tem atmosfera relaxada de fim de noite. Mercury se acompanha ao piano e canta “mais uma festa acabou em eu volto para casa sozinho”. É uma canção que oferece uma janela interessante na bem guardada vida de Mercury.


“We Are The Champions”



O Queen era chamado pelos detratores de “banda arrogante e bombástica”, que se achava melhor do que concorrência. “We are the Champions” era um das peças de acusação. Sem dúvida, a modéstia não era o forte deles. Nesta canção que Mercury escreveu para News of The World, de 1977 (e que servia para encerrar as apresentações), apontava que “perdedores não tinham vez”. Mas “We Are the Champions” também era um elo de união entre a banda e seus fãs: era algo como: “Somos os melhores mesmo, e daí?”. A canção acabou se tornando hino da comunidade gay e passou a ser entoada em estádios.


“Radio Ga Ga”



A canção foi escrita pelo baterista Roger Taylor para exemplificar o poder do rádio e falar sobre as mudanças acontecidas dentro da música popular. Mas no palco Freddie Mercury se apropriou da criação do companheiro de uma forma definitiva. Ela foi o momento culminante da apresentação do Queen no Live Aid, ocorrida no dia 13 de julho de 1985. Mercury comandava de forma impressionante a massa de 72 mil pessoas, fazendo com que batessem palmas em uníssono. Atenção à marca de dois minutos e seis segundos, quando ele manda um beijo e faz um sinal de positivo para a plateia como se estivesse dizendo: “Obrigado, conseguimos, vocês foram simplesmente perfeitos”.


"I Want to Break Free"



Uma das grandes forças do Queen era ter em sua formação quatro músicos e compositores de enorme talento e versatilidade. O baixista John Deacon, sempre muito discreto, deixou inúmeras canções memoráveis ao longo da discografia da banda. Uma das melhores era "I Want to Break Free", incluída no álbum The Works (1984). Freddie Mercury "roubou" a música do colega, mas no bom sentido. No clipe da faixa, onde os integrantes aparecem vestidos de mulher. Nele, Mercury vive uma dondoca de minissaia que ostenta um bigode. Mas o espírito era este mesmo: a canção versava sobre libertação e quebra de tabus. "I Want to Break Free" acabou se tornando um dos grandes hinos do movimento LGBT.


“The Great Pretender”



Este clássico da canção romântica, gravado em 1955 pelo quinteto vocal The Platters, ganhou nova vida na voz de Mercury. A faixa foi lançada como single em 1987 e tem um aspecto irônico. Apesar de todas as brincadeiras contidas no vídeo oficial, no qual Mercury recria situações dos clipes clássicos do Queen, a gravação revela que ele era uma pessoa que, para fugir dos embates emocionais, vivia fingindo e representando papeis.


“The Show Must Go On”



Esta faixa, que encerrou Innuendo (1991), o derradeiro álbum do quarteto, serve como despedida. O sentimento era: “bem, estou partindo, acabou, é tudo muito triste, mas foi bom, e agora é com vocês”. Da mesma forma como aconteceu com a premonitória “Who Wants to Live Forever”, de A Kind of Magic (1986), a música é uma obra de Brian May que ecoou os sentimentos de Mercury e dos outros colegas de banda sobre a eminente partida do cantor. “Por dentro, meu coração está partido e a maquiagem está despencando, mas o sorriso permanece”, canta Mercury. Era o epitáfio perfeito.