George Michael: a carreira do cantor em momentos inesquecíveis

Paulo Cavalcanti Publicado em 26/12/2016, às 11h42 - Atualizado às 13h14

Galeria George Michael
Francois Mori/AP

Por Paulo Cavalcanti



Talvez seja emblemático o fato de George Michael ter morrido no mesmo ano em Prince partiu. A carreira de ambos tinham algumas similaridades. Ambos foram astros de proporção gigantesca nos 1980 e no começo dos 1990 e marcaram a memória afetiva de boa parte do planeta. Ambos vendiam sexo na música que faziam. E os dois tiveram a carreira colocada fora de rumo depois de brigaram com suas gravadoras em busca de controle artístico.



Por causa de seus problemas com a Warner, Prince até renegou o nome e passou a usar um símbolo. George Michael não chegou a este extremo, mas sua briga com a Sony Music foi extremamente desgastante e bem documentada. O artista alegava que a gravadora não o promovia e que o contato não passava de "escravidão". A partir de 1994, o processo se arrastou por anos e quando se falava de George Michael, o único assunto era o problema dele na justiça junto a companhia. Quando finalmente a fumaça abaixou, o mundo da música pop já não era mais o mesmo. Michael também não o mesmo de antes. Ele havia se desiludido com o estrelado e com a vida de pin up. Michael também assumiu que era homossexual. E a reputação dele sofreu um duro baque quando ele foi pego por praticar atos indecentes em um banheiro em Los Angeles, Califórnia.



O apogeu de George Michael ocorreu quando ele lançou Faith (1987). O álbum vendeu mais de 25 milhões de cópias ao redor do mundo. Todos se lembram quando este disco fez sucesso. Michael viveu um tempo onde emulou o outro Michael, o Jackson. Não havia uma rádio que não tocasse aquelas canções; era impossível escapar da voz dele. O público brasileiro teve a chance de ver George Michael em ação em 1991, quando ele se apresentou no Rock in Rio - justamente a edição que também teve Prince em seu line up.



Depois da briga a com a Sony, Michael foi gravando cada vez menos. E a estrela dele nos Estados Unidos havia se apagado. Mas ele não enfrentava dificuldades financeiras; os direitos autorais ainda davam um bom retorno monetário para ele. Ele também havia feito vários investimentos com o dinheiro que ganhou. Michael sempre era um grande atração ao vivo e tinha condições de lotar qualquer arena. Uma pena que vida pessoal dele também houvesse degringolado. Nestes últimos anos, havia rumores de sexo descontrolado e do crescente uso de drogas e medicação.



Não deixa de ser irônico ele tenha lançado em 1990 um disco chamado Listen Without Prejudice Vol 1. Independente de popularidade, fama e altas cifras que ele atraia, George Michael era um grande artista, sim, para ser ouvido sem preconceito, como pontuava o famoso álbum dele. Talvez a crítica e uma certa camada de formadores de opinião esnobes nunca tinha dado muita bola para ele. Afinal para eles era apenas mais um pop star milionário que fazia música endereçada às paradas de sucesso.



Mas aqueles que se fecharam para o som de George Michael perderam e perdem muito até hoje. Sensual, sexual, dançante, hedonista e hipnótica, a música de Michael celebrava a vida de forma total, as várias facetas do amor, mas também tinha melancolia e uma percepção de mortalidade, uma sensação que nada poderia mesmo durar . Ele era dono de uma voz flexível e expressiva e quando cantou ao lado do Queen no tributo a Freddie Mercury, muitos acharam que ele seria o único capaz de substituir o lendário cantor.



Agora que George Michael se foi aos 53 anos devido a um ataque cardíaco, é muito natural que as pessoas se lembrem dele com afeição e respeito. A música e a presença dele tocaram muita gente e isto não pode ser esquecido ou subestimado. Aqui, uma pequena seleção de momentos inesquecíveis da carreira de George Michael.


“Wake Me Up Before You Go-Go”



Ao lado de Andrew Ridgeley , George Michael fez parte do Wham! um dos grande sucessos da música pop da década de 1980. Este hit inesquecível e para cima, com toques do som da gravadora Motown, dominou as paradas em 1984.


"Careless Whisper"



Um dos grandes sucessos do Wham!, essa é canção romântica em sua quintessência. A melodia envolvente e inesquecível, a letra sensual, o vocal ao mesmo tempo provocador e vulnerável de Michael e o saxofone (sim!) fizeram com que "Careless Whisper", também lançada em 1984, se tornasse a canção ideal para todas as almas apaixonadas de todo o mundo.


"Father Figure"



Atmosférica, hipnótica, com leve toque de música do oriente médio, "Father Figure" foi um dos grande hits do milionário Faith.


"I Want Your Sex"



"Eu me lembro de ter transado ao som disso". Assim escreveu um fã na parte de comentários do YouTube a respeito desta música. E assim com ele, muita gente fez o mesmo ao som deste hit do álbum Faith.


“Freedom! '90”



Este pop gospel foi um dos destaques de Listen Without Prejudice Vol. 1. A música falava da decepção dele com o mundo da música. Liberdade era o que ele mais queria. O artista não apareceu no muito lembrado vídeo. Ao invés disto, colocou uma porção de vistosas modelos para enfeitá-lo.


"Praying for Time"



Também de Listen Without Prejudice Vol. 1, esta é uma canção de George Michael onde ele denuncia injustiça, desigualdade e hipocrisia. Apesar de sombria, também é uma oração para que venham tempo melhores.


"Somebody to Love"



George Michael era fã e amigo de Freddie Mercury. Em 20 de abril de 1992, pouco depois ano após a morte de Mercury acontecida em 1991, Michael se uniu a Brian May, Roger Taylor e John Deacon e relembrou este grande clássico do Queen no concerto em homenagem ao falecido cantor realizado no Estádio de Wembley. Um momento de arrepiar e que agora assume um lado ainda mais emotivo e significativo.


"Jesus to a Child"



Este é o tocante tributo de George Michael a Anselmo Feleppa, estilista brasileiro que por um tempo foi namorado dele e que morreu em 1993 vitimado por complicações causadas pelo HIV. A canção é do subestimado álbum Older (1996).


"Brother Can You Spare Me a Dime"



Esta faixa dos anos 1930, gravada originalmente por Bing Crosby, simbolizou a pobreza e miséria pelo qual o povo norte-americano passou na época da Grande Depressão. George Michael apresentou este pungente clássico às novas gerações no magnífico álbum Songs from the Last Century (1999). A interpretação dele é perfeita do começo ao fim e mostra a influência de jazz que George Michael possuía.