Umbrella Academy: Principais mudanças feitas pela série da Netflix que arruinaram os personagens da HQ

Violino Branco, Diego, Klaus e Hazel e Cha Cha tiveram personalidade, história e superpoderes transformados na adaptação do streaming - mas não para melhor

Clara Guimarães Publicado em 05/07/2020, às 13h00

Poster Umbrella Academy da Netflix e desenhos da HQ de Vanya, Diego e Klaus
Reprodução/ Netflix/ Dark Horse

Em maio, a Netflix anunciou que a estreia da 2ª temporada de The Umbrella Academy está marcada para o último dia do mês de julho. Com a data se aproximando, muitas questões surgiram sobre o enredo e também sobre o desenvolvimento dos personagens.

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A série irá apresentar personagens mais próximos dos originais nos quadrinhos? E a resposta é: muito provavelmente não. Se você ainda não leu as HQs, não deve saber que a série mudou muito cinco papéis essenciais - e não foi para melhor. Por isso, fizemos uma comparação entre Violino Branco, Diego, Klaus, Hazel e Cha-Cha dos quadrinhos e da série. 

ATENÇÃO: Este artigo contém spoilers sobre a primeira temporada de The Umbrella Academy.

Vanya Hargreeves/Violino Branco/Número Sete

Quando os produtores da série da Netflix reescreveram a personagem Vanya Hargreeves - ou Violino Branco-, eles tiraram grande parte das características que a tornavam carismática na história em quadrinhos.

Na HQ, a Violino Branco é muito mais parecida com uma vilã do que com uma anti-heroína. É justo dizer que a personagem odeia os irmãos e tem como maior motivação se vingar da família. Ou seja, diferente do que mostra a série, Vanya não é nada inocente e sabe exatamente o que está fazendo quando procura a Orquestra dos Malditos para ativar os poderes, planejando conscientemente o ataque à família.

Os poderes da Violino Branco também são mais fortes nos quadrinhos. Por isso, a luta contra os irmãos na HQ termina de forma muito diferente da série. Na produção da Netflix, Cinco abre um portal para voltar no tempo e impedir o fim do mundo. Mas nos quadrinhos, o irmão atira na cabeça de Vanya na tentativa de pará-la. 

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Existem algumas outras mudanças feitas pela adaptação que são mais compreensíveis, como a forma com que o poder é ativado pela Orquestra e o visual da personagem - na HQ, o corpo de Vanya é, literalmente, o instrumento, o que ficaria hipersexualizado em um live-action.

Mas, fora isso, nos perguntamos: por que arriscar mudar um personagem que já fazia sucesso nos quadrinhos? O motivo pode ser algo que os produtores e atores da série comentaram em várias entrevistas: deixar The Umbrella Academy mais humanizada e próxima da realidade. Assim, Vanya se torna a protagonista incompreendida e vítima de uma família cruel com quem os espectadores podem se identificar, perdoar e torcer.

A consequência é que quem leu os quadrinhos, provavelmente, ficará decepcionado com o resultado. As mudanças na Violino Branco acabaram com o carisma da personagem e a transformaram em alguém sem personalidade, facilmente manipulável e vitimista.

Hazel e Cha-Cha

O problema da adaptação de Hazel e Cha-Cha começou com a decisão de tirar as máscaras da dupla. Os mercenários ganharam uma aparência humana e a Netflix, consequentemente, deu a eles fraquezas e características emocionais que não existem nos quadrinhos.

Na HQ, Hazel e Cha-Cha são dois mercenários que viajam no espaço-tempo fazendo qualquer coisa por dinheiro. Eles foram nazistas, torturadores e até já arrancaram os braços e pernas de uma pessoa em troca de uma receita de torta.

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Mostrar toda essa crueldade sem ligação emocional é essencial para construir a ideia de que eles são vilões imprevisíveis e assustadores. Eles são maus porque são maus, e é isso que os torna uma grande ameaça para os personagens principais.

Porém, o Hazel e Cha-Cha da série foram humanizados demais. A Netflix deu até um relacionamento amoroso para um deles e construiu um arco em que ele se arrepende das ações cruéis. Graças a essas mudanças, os mercenários não conseguem cumprir com o papel de vilões e servem mais como um alívio cômico do que como uma ameça.

Klaus Hargreeves/ Número Quatro

O Klaus ainda é um dos personagens mais interessantes da série da Netflix, mas isso não quer dizer que ele é fiel - ou melhor - que a versão dos quadrinhos. A produção do streaming transformou Klaus em um personagem fraco que tem medo dos próprios poderes e é viciado em drogas - o que não poderia ser mais diferente do original.

Os poderes de Klaus não têm qualquer relação com alucinações de drogas na HQ. Ele recebe energias da terra, por isso precisa estar descalço para se comunicar com os fantasmas. Originalmente, o personagem também não tem medo dos poderes e sabe muito bem como os controlar.

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Inclusive, Klaus é tão forte nos quadrinhos que salva o mundo praticamente sozinho. Como já dito antes, a primeira temporada da série termina com Cinco abrindo um portal para voltar no tempo e impedir o apocalipse. Mas na HQ, o herói é outro.

Klaus alerta os irmãos sobre a apresentação da Violino Branco e invoca o fantasma do pai no próprio corpo para ele repreender Vanya. A Número Sete fica distraída com o truque por tempo suficiente para Cinco atirar na cabeça dela.

Mas não acaba por aí. Mesmo depois de levar um tiro, Vanya consegue terminar a música e iniciar o apocalipse. Klaus entra em cena novamente e, com os poderes telecinéticos, segura sozinho um meteoro que destruiria a Terra.

Diego Hargreeves/ Número Dois

A Netflix deixou algumas coisas de fora na história de Diego. O personagem é um dos mais ressentidos com a família, porque nunca foi reconhecido como alguém com poderes fortes ou úteis. Nos quadrinhos, ele pode atirar facas com precisão e segurar a respiração por tempo indeterminado, o que permite que ele viva embaixo d’água.

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Como David Castañedas, o ator do Número Dois, explicou em entrevista ao Digital Spy, a decisão faz parte da tentativa de tornar The Umbrella Academy  mais próxima da realidade. “Ver alguém sem poderes sobrenaturais, apenas capaz de jogar coisas com precisão, faz as pessoas ficarem tipo: 'Oh, posso ver isso, posso enxergar essa pessoa na vida real e posso vê-la agir como um ser humano", disse.

Essa decisão pode ser um problema por si só - porque a HQ de Gerard Way e Gabriel Bá é única justamente por causa das histórias sobrenaturais e absurdas-, mas é especialmente prejudicial para Diego. O personagem tem uma rivalidade com Luther, o Número Um, mas a desigualdade entre os poderes ficou grande demais na série.

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A produção também deixou de fora os detalhes da relação de Diego e Vanya, que eram muito próximos na adolescência e tinham até uma banda de punk. Na época, os dois combinaram de fugir juntos depois de um show, mas o Número Dois nunca aparece, porque escolheu lutar contra uma gangue ao lado do resto da Umbrella Academy.

E, apesar de vermos na produção da Netflix que existe uma hostilidade entre os irmãos, não recebemos mais detalhes sobre a causa do ódio entre de Diego e Vanya. Quem sabe a série traz essa história para a segunda temporada?

Não é um blockbuster

No fim, todas as mudanças feitas pela Netflix nos cinco personagens parecem ter sido motivadas pela mesma razão: deixar The Umbrella Academy mais próxima da realidade e fazer dela um blockbuster de super-heróis. Porém, o problema é que os quadrinhos não foram criados com essa intenção.

Os personagens são mais underground, misteriosos, longe de serem perfeitos ou bondosos. As HQs focam muito mais no lado da ficção científica, enquanto a série opta por desenvolver a dramaticidade e as relações amorosas e familiares. 

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Por essa razão, a Netflix precisou mudar características e a histórias de vários personagens, mas pode ter desapontado os fãs dos quadrinhos, que se apaixonaram por personagens mais inconsequentes e fortes.


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