A vida de Elvis Costello em dez canções

Redação Publicado em 20/10/2015, às 16h06 - Atualizado às 17h20

Galeria Elvis Costello Abre
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”The Puppet Has Cut His Strings” (2013)

Esse foi o fim do longo processo de composição do disco Wise Up Ghost. A maioria das canções no álbum são como boletins voltados ao exterior. Não sei como a música me fez chegar a esse ponto, mas em uma das noites eu escrevi sobre as últimas horas de vida do meu pai. Eu escrevi parte da letra em um rascunho e a gravei com o meu computador, que estava na bancada da cozinha.


”When I Was Cruel No. 2” (2002)

A faixa é sobre aceitar que há uma percepção de você e que a música te inclina em empurra para direções ao mesmo tempo. Eu comecei a pensar nessas ideias furiosas. As pessoas acham que é algum tipo de traição se você não sustentar essa postura o tempo inteiro. Mas a vida é mais complexa do que isso.


”Indoor Fireworks” (1986)

Imperial Bedroom, Punch the Clock (1983) e Goodbye Cruel World (1984) foram os discos mais oitentistas que fomos permitidos a fazer. Tínhamos alguns hits. Algumas pessoas vinham à festa, mas paramos de gostar de lá quando os convidados chegaram. Comecei a tocar um set de canções que ninguém queria ouvir. Só queria ir embora, e fui: fiz King of America. Nesse tenso período fizemos algumas boas canções.


”London's Brilliant Parade” (1994)

Eu não saberia como escrever essas harmonias antes de The Juliet Letters (disco do Brodsky Quartet, de 1993). Eles abriram a minha cabeça e apontaram coisas que não são tão belas. Essa foi uma das poucas faixas que na volta do The Attractions ainda fazia sentido.


”Beyond Belief” (1982)

A grande mudança de Imperial Bedroom foi nos dar mais espaço para a experimentar. Nunca estivemos em um estúdio por 12 dias. Também atravessávamos um período de bandas como U2 e Echo and the Bunnymen, fazendo com que nossas breves músicas fossem descartadas. Eu escrevi essa canção para que ela não fizesse sentido – para criar um cenário confuso, pois minha vida à época era confusa.


”High Fidelity” (1980)



Essa é uma gravação que me anima. É um canto muito rudimentar e um excelente acompanhamento rítmico. Nós a editamos na Holanda, onde não tínhamos mais nada a fazer a não ser enlouquecer no estúdio. Mas, como escrevi em um caderno, ela é “uma incrível desilusão de uma canção na qual um casal se vê em quartos diferentes, com amantes diferentes e um deles ainda é irracional em acreditar que eles vão superar a falta de fé”.


”New Lace Sleeves” (1981)

Algumas das melhores coisas que o The Attractions fez, como essa canção, eram em compassos lentos. É um mito que o rock é sobre rapidez e força. “New Lace Sleeves” é como dub reggae. Escrevi as primeiras linhas por volta de 1974. Estava planejando uma grandiosa canção sobre a vida no pós-guerra, seria chamada de “From Kansas to Berlin”.


”(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes” (1977)

Escrevi essa canção em 10 minutos, enquanto viajava a Liverpool – a música foi feita em um instante. Tinha a imagem essencial na cabeça, apenas tive de fazer o processo reverso. A imagem das janelas me trouxe uma estranha ideia de “eu não vou envelhecer” – então refleti: “Por qual motivo estou pensando nisso aos 22 anos?”.


”Poison Moon” (1976)

Essa foi a última em um grupo de canções que eu cantava timidamente no meu quarto, antes de adotar a linguagem musical de My Aim Is True. Eu estava tocando essas tranquilas canções em bares, pensando por que as pessoas não estavam dialogando com o meu mundo. O que eu não conseguia explorar, era que as pessoas que eu admirava, como John Prine e Randy Newman, tinham um público que os conhecia, que se empolgavam em ouvi-los. Mas, atualmente, eu toco “Poison Moon” constantemente.


”Radio Soul” (1975)

Isso foi antes de My Aim Is True. Gravei com a minha banda semi-profissional Flip City, quando fazíamos coisas que eram claramente inspiradas pelo Bruce Springsteen. Obviamente, a música se transformou no single “Radio Radio”, de 1978. Eu tirei os ganchos pop e inverti o sentido para que fizesse dialogasse com o furioso espírito da época.