A "Conjuração Satânica" de Zé do Caixão

Redação Publicado em 20/04/2011, às 18h53

Por Gus Lanzetta

Aparentando cansaço, Zé do Caixão, que já havia apresentado alguns de seus filmes no Cine Windsor na noite do sábado, 16, apareceu no ringue de luta-livre do Anhagabaú, pouco após a meia-noite, para o que a programação da Virada Cultural descreveu como uma "Conjuração Satânica".

Programada para as 0h, a palhinha de José Mojica Marins era aguardada por mais de uma centena de pessoas: várias delas gritavam o nome do principal personagem de Mojica; a maioria parecia não possuir a mínima ideia do que o ícone do cinema trash brasileiro iria fazer ali.

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Antes do senhor Caixão subir ao ringue, uma de suas assistentes tentou criar uma expectativa já existente para a Conjuração. Depois de alguns tropeços e falas mal improvisadas, a jovem largou o microfone, para o alívio geral. Ajudado por algumas pessoas de sua equipe, Mojica caminhou lentamente até o ringue e encontrou dificuldades para subir os dois degraus e passar pelas cordas.

Observado pelo público, ele massacrou plurais e, com sua cadência famosa e afetada, falou nada com nada. Começou dizendo que o Brasil "tinha favelas", "as águas mais lindas do mundo" e "as melhores mulheres do universo". Completou com afirmações sobre como acredita que temos de "tratar bem as crianças" e jogou um lero-lero satânico para animar quem aguardava presenciar em ação a faceta cinematográfica do personagem/celebridade.

O estranho momento deixou a plateia mais ou menos calada - descontados alguns uivos aqui ou ali - e terminou em poucos minutos. Na sua saída, parecendo ainda mais cansado e ranzinza, Mojica não tirou fotos nem deu autógrafos para os fãs que aguardavam ansiosamente na saída do ringue. Gesticulando para que saíssem de sua frente, o cineasta seguiu calado até uma van que o levou pra longe do público desapontado.