Artista brasileiro Thiago Mundano leva obra sobre crise hídrica de São Paulo à Califórnia

Durante seis dias Mundano fez uma instalação itinerante por locais críticos da seca no estado norte-americano

Redação Publicado em 31/10/2015, às 11h56

Thiago Mundano com instalação na Califórnia

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Depois de realizar intervenções artísticas nos sistemas Cantareira, Guarapiranga e Alto Tietê, em São Paulo, o grafiteiro Thiago Mundano foi à América do Norte para apresentar sua obra em um ponto do globo em profunda crise hídrica: o estado da Califórnia.

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No mês de setembro, Mundano passou seis dias viajando pelos Estados Unidos. Com uma instalação itinerante em forma de cacto, composta por canos reutilizados, torneiras e placas apontando problemas e uma solução (a energia renovável), ele visitou paisagens drasticamente alteradas pela falta de água.

Também esteve em pontos simbólicos, como a multinacional do petróleo Chevron, e pela Calçada da Fama de Los Angeles, onde interagiu com os artistas que fazem cosplay de celebridades de Hollywood.

“Essa viagem mudou minha vida”, conta Mundano. “Fui em busca das semelhanças com São Paulo e acabei encontrando mais diferenças. Embora as duas localidades estejam sofrendo com a seca, aqui o contexto é outro: temos uma bacia hidrográfica invejável e ainda é possível ver um pouco de verde, nem que seja o mato brotando no solo seco da Cantareira.”

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“Lá, ao contrário, tudo está completamente seco, desértico. O chão de terra dos lagos usados no abastecimento da região está se petrificando. Apesar disso, lá não há falta de água para os cidadãos. É inacreditável que com nossos abundantes recursos hídricos isso esteja acontecendo aqui”, descreve.

Assista a vídeo da passagem do artista pela Califórnia:

Mundano dá o recado: “Estive dentro do sistema Cantareira. Olhei à minha volta, 360 graus, e não vi nada de água. Lá na Califórnia foi essa mesma sensação de que a água vai acabar. E não estou falando da água que vamos deixar para nossos filhos, mas da água que precisaremos no ano que vem. A mobilização da população é fundamental para reverter esse cenário.”