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Chico Buarque canta mal?

Redação Publicado em 09/03/2012, às 14h58 - Atualizado às 15h09

Repertório do show da nova turnê é extenso, com 30 músicas
Taiz Dering/Divulgação

Por Robie R.

Costumo sair à noite e conversar com muita gente ligada à música. Muitas das vezes que o nome de Chico Buarque é citado, a polêmica sobre o seu modo de cantar vem à tona. Existem várias opiniões sobre o assunto. "Gosto muito das composições do Chico, mas, não consigo escutá-las interpretadas pelo próprio", por exemplo; ou “Acho que o melhor interprete das canções do Chico é ele mesmo". Tais comentários não são de leigos no assunto. São de músicos profissionais ou universitários que estudam música.

A verdade é que Chico sempre carregou a pecha de ser um mau cantor. Mas a história nos diz exatamente o contrário. Ele foi um divisor de águas. Um dos primeiros compositores a ter aceitação pública cantando as próprias obras. Chico abriu caminho para vários outros compositores cantarem suas próprias composições, sem dependerem de um intérprete. Em 1966, ao estourar com “A Banda” e lançar seu primeiro LP, Chico Buarque de Hollanda, o músico passou a ter a voz sendo executada em todas as rádios do Brasil.

O próprio Chico, no entanto, afirma não ser um grande intérprete. "Todos os meus discos são discos de autor. Acho que as pessoas compram meu disco ou vão assistir meu show sem esperar uma grande performance, um grande cantor, é um compositor que canta", disse ele em vídeo no site www.chicobastidores.com.br.

Para tirar a prova e testar o gosto do leitor, selecionei algumas músicas em que Chico Buarque canta composições de outros autores, gravadas em diferentes épocas.

“Dona Carola” (de Nelson Cavaquinho, Nourival Bahia e Walto Feitosa):

“Quando Eu For Eu Vou Sem Pena” (Paulo Vanzolini):

“Praça Clóvis” (Paulo Vanzolini):

“A Ilha” (Djavan):

“Sem Você” (Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes):

Em 1974, cansado de brigar com a censura, Chico lançou o LP Sinal Fechado, no qual apenas interpreta outros compositores, à exceção da faixa “Acorda Amor”, escrita por Chico, mas assinada sob os pseudônimos Leonel Paiva e Julinho da Adelaide, nomes criados por ele para burlar os censores.