3 Perguntas Para... Dani Black: 'Tem uma sensação única que só se consegue passar ao vivo'

Registro ao vivo de Dani Black lançado no YouTube e nas plataformas digitais tem participações de Maria Gadú, Fabio Brazza e Mariana Nolasco

Redação Publicado em 01/05/2020, às 11h26

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Dani Black (Foto: Marcos Hermes / Divulgação)

Dani Black tinha planos de lançar uma metade do projeto duplo Frequência Rara nos cinemas. Dessa forma, Frequência Rara Ao Vivo, um registro realizado no Tucarena, em São Paulo, em 2019, seria sentido na tela grande, no som das caixas de reverberantes. 

Por conta do isolamento social, os planos mudaram. O disco Frequência Rara Ao Vivo está disponível em todas as plataformas e também no YouTube (assista no player abaixo).

O álbum traz as participações de Maria Gadú (em "Bem Mais"), Fabio Brazza (em "Temor Estranho") e Mariana Nolasco (em "Ser Amado") e tem a direção de Rafael Kent

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O álbum ao vivo entrega canções inéditas e sucessos da carreira de Black, cuja discografia tem os trabalhos Dani Black (2011) e Dilúvio (2015), além do EP SP Ao Vivo (2013). 

Frequência Rara Ao Vivo é, como escrito acima, a metade de um trabalho maior, uma das partes do yin-yang criado por Black para esse ano. 

Além do registro ao vivo, o artista também lançará Frequência Rara gravado em estúdio. 

Tudo isso (uma parte disso, na verdade), ele conta nessa nova seção do site da Rolling Stone Brasil, o "3 Perguntas Para...", no qual os artistas respondem à 3 questões fundamentais a respeito dos seus mais recentes lançamentos. 

Vamos nessa? 

1) A vontade era lançar o registro em um cinema, o que foi preciso adaptar por conta do novo coronavírus. Como você se viu diante desse cenário?

Dani Black: Realmente a ideia inicial para essa estreia era reunir todo mundo na sala de cinema, pra todo mundo sentar em frente ao telão, juntinho, num clima bem caloroso, e passar o filme inteiro. Assim comemoraríamos o nascimento do trabalho novo. E conforme as coisas foram acontecendo, diante do momento que a gente está vivendo, tivemos que reconsiderar. Então tomamos a decisão: “Vamos em frente. Tudo isso que planejamos pode e deve acontecer”. Olhar pra isso com atenção deixou mais claro para nós que a distância não é algo físico. A distância e a pertitude - vamos dizer assim - das pessoas tem a ver com estar alinhado com uma intenção comum. Com onde elas estão com a mente focadas juntas. Então, se todo mundo tiver a intenção de experienciar esse lançamento junto, focar nesse momento e compartilhar isso, a gente vai viver uma estreia assim como a gente viveria no cinema. E foi isso que eu comecei a convidar e propor para as pessoas. E a alegria e disponibilidade da galera ao receber o convite para desfrutar da estreia desse jeito foi incrível. Mostra que dá pra fazer a parada se sentindo junto, mesmo cada um na sua casa.

2) Frequência Rara Ao Vivo é a parte inicial de um projeto maior, que se completa com o álbum de estúdio Frequência Rara (com lançamento no segundo semestre). Qual é a ideia desse conceito?

Dani Black: É um projeto que engloba essas duas entregas - o ao vivo e, um pouco depois, o álbum de estúdio. O conceito foi uma coisa que foi se desenhando ao longo dessa fase, em que fomos construindo o repertório do que seria o trabalho novo, e percebendo o jeito de entregá-lo. Eu estava fazendo o disco, que foi um trabalho onde passamos meses dentro do estúdio, numa imersão, construindo uma experiência para as pessoas. Ao mesmo tempo, eu estava fazendo alguns shows de voz e violão para apresentar as canções que estariam no projeto novo, de modo mais intimista, e testando as canções novas nas apresentações que rolaram com a banda nesse período. Tocando as canções nos shows a gente viu que era legal demais o ao vivo, que ele podia sair junto e fazer parte do mesmo projeto. Seriam duas estéticas de um mesmo momento se conciliando numa entrega só. E foi muito rico, porque, quando a gente se propôs a fazer assim, algumas coisas acabaram sendo criadas só para o ao vivo. Então o ao vivo ganhou mais músicas inéditas ainda e outras ficaram especialmente para o disco de estúdio. Com isso, a gente tem um repertório maior, mas que conversa entre si. As versões de estúdio têm mais texturas e são mais trabalhadas, têm colorações. Já as versões ao vivo refletem o encontro com o público e esse momento espontâneo e visceral.

3) Atualmente, o DVD, o registro ao vivo, deixou de ser um recurso tão utilizado pelos artistas. Como você avalia a sua experiência?

Dani Black: O DVD físico é um luxo, um artigo físico feito para que você possa curtir a experiência de manipulá-lo, se relacionar com o objeto, mais parecido hoje com a relação que temos com um livro. E a gente vai lançar o físico. Mas já que vai fazer tem que justificar esse contexto. Então a gente trabalhou lindamente no material. Produzimos um livreto com as fotografias do dia, com as letras, e o designer Uibirá Barrelli caprichou na apresentação dele, como se contasse uma estória pra quem o vê. Já o material audiovisual em si, esse que vai pras plataformas, eu sinto que é uma coisa que continua contemporânea e muito importante de se produzir. É o registro do lance live, como o negócio acontece ali, sem nada a não ser as pessoas que estão realmente tocando e fazendo o som e o encontro com o público. Eu acho que lançar o ao vivo é algo que me faz sentir entregando algo muito sincero e potente de compartilhar. Até porque eu sou muito motivado pelo palco. É o lugar que eu mais amo estar. Eu sou um “bicho do palco”. É onde a mágica acontece. Tem uma sensação única que só se consegue passar ao vivo. Sinto que não importa o que se invente dentro de um espetáculo, ele sempre vai ter algo de cru. De essencial. De encontro.