Exclusivo: Jonnata Doll e os Garotos Solventes lançam primeiro clipe sob os mandamentos do sexo, drogas e rock and roll

Banda de Fortaleza já chamou a atenção do produtor Kassin, que irá trabalhar com eles no segundo disco

Pedro Antunes Publicado em 29/04/2014, às 16h30 - Atualizado em 30/04/2014, às 13h51

Jonnata Doll e os Garotos Solventes
José de Holanda / Divulgação

Por Pedro Antunes

Iggy Pop deixou um discípulo perdido por Fortaleza e ele se chama Jonnata Doll. O rapaz, insano no palco, chamou a atenção durante uma apresentação no festival Rec-Beat, realizado durante o carnaval do Recife, justamente no show que marcava o lançamento do primeiro disco dele e da banda, os Garotos Solventes. Em entrevista ao Sobe o Som, é fácil entender por que a trágica “Esqueleto” foi a primeira faixa do álbum homônimo, Jonnata Doll e os Garotos Solventes, a ser transformada em um clipe.

“Ela fala da época em que perdi uma das pessoas que mais amei”, diz o vocalista sobre a música, a sexta faixa do disco. “Ela seguiu um caminho de crescimento e eu mergulhei na dependência de opiáceos”. A música reprisa uma cena – real ou imaginária, não importa – e mostra o ciclo vicioso e perigoso no qual Doll se encontrava. “No fim, tínhamos vidas incompatíveis; ela era linda, bem-sucedida para sociedade, e, eu era muito magro, um esqueleto. Vivi na prática alguns extremos da condição humana.”

“Esqueleto” não é o maior destaque disco, como “Cigarros Pelo Muro”, “Garotos Solventes”, “Sempre Serei Aquele Cara”, mas a interpretação de Doll, cantando versos íntimos como se eles lhe rasgassem as entranhas, faz toda a diferença: “Você veio me visitar e eu não consegui acordar / Você vê nos meus olhos e não quero deixar você perceber / E eu sou um esqueleto / e eu vou desaparecer / e eu estou desperdiçando a vida que um dia eu dei para você”.

“Compus a música há quatro anos, no auge do meu jogo com a vida”, completa Doll. “Acho que ela tem uma forte influência post-punk.” As linhas de teclado, tão marcantes na faixa, gravadas pelo produtor Yuri Calil, foram criados por Jhon Jonas, “nosso falecido tecladista, que também era um esqueleto e, infelizmente, acabou com a própria vida há dois anos”.

Foi a despedida precoce do tecladista, aliás, que fez com que Doll aceitasse e encarasse a música com seriedade. “Ele tinha sérios problemas de depressão, drogas, esquizofrenia”, relembra o músico. “Um garoto de 22 anos e se matou na minha casa enquanto eu estava fora durante uma noite. Ele foi um dos motivos que me fez focar de vez na música.”

Assista ao vídeo de “Esqueleto”:

Musicalmente, todo o disco de Doll, Saulo Raphael (baixo), Edson Van Gohg (guitarra), Leo Breedlove (guitarra) e Marcelo Denisdead (bateria) é um passeio por todo o movimento punk, desde o embrião selvagem de Iggy e os Stooges, passando pelo lirismo underground e soturno de Velvet Underground, até o post-punk melancólico britânico de The Cure e, vai lá, Smiths.

O resultado disso, produzido por Yuri Calil (Cidadão Instigado), é um dos trabalhos mais consistentes que surgiram em 2014. O grupo segue tão bem cotado que Alexandre Kassin, amigo de Calil, já entrou em contato com o quinteto e, juntos, preparam-se para a gravação de um segundo álbum. “Kassin é nerd como nós”, diz Doll. “Passamos o tempo todo falando de discos, séries, fantasmas, discos voadores e filmes de terror. Ele tem um senso de humor muito estranho. Eu gosto.”

O vídeo de “Esqueleto”, lançado com exclusividade pela Rolling Stone Brasil, mostra um pouco dos dotes de dançarino de Doll, embora não chegue ao nível do que ele costuma apresentar no palco. Ele diz ter sido influenciado pela tia, Tia Zú, como o músico a chama, convidada para atuar no clipe. “A dança sempre foi muito importante para mim. Cresci vendo minha Tia Zú dançando Elvis [Presley] em casa”, conta Doll, cujo passatempo, quando novo, era imitar Michael Jackson e, no colégio, “curtia dançar do nada, como se a vida de repente se tornasse um musical”.

Ouça o disco Jonnata Doll e os Garotos Solventes: