Garotas Suecas consolida nova formação com EP “pé no chão”; ouça

Mal Educado traz três faixas inéditas com maior participação dos integrantes nas composições

Lucas Brêda Publicado em 10/08/2015, às 13h37 - Atualizado em 21/08/2015, às 18h29

O Garotas Suecas
Fausto Chermont/Divulgação

por Lucas Brêda

O EP Mal Educado é visto como um momento de transição – uma espécie de recomeço – para o Garotas Suecas. Após a saída do principal vocalista e compositor, Guilherme Saldanha, no ano passado, o agora quarteto viveu uma certa “ressaca”, voltando a produzir com três faixas inéditas. “Estávamos apenas nós quatro, e precisamos decidir que rumo tomar”, assume o baixista Fernando Perdido. “Nosso frontman saiu, então todo mundo acabou virando frontman, todo mundo virou compositor.”

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Inclusive o próprio Perdido, que assina a primeira música dele na banda, “Me Erra”, em Mal Educado. “Isso, sim, caracteriza essa nova fase”, comenta. “Todo mundo fazendo algo pela banda. Até o fato de estarmos dividindo todos os vocais está refletido nas músicas que estamos fazendo agora”. O quarteto, formado por Irina Bertolucci, Nico Paoliello, Fernando Perdido e Tomaz Paoliello, está, de fato, participando mais intensa do núcleo das canções.

No novo EP, as três faixas têm autores e vocalistas diferentes. A primeira delas, “Turno Noturno”, foi composta e cantada por Tomaz Paoliello, e é a que mais tem a cara do Garotas Suecas dos dois primeiros discos da banda (visto que Tomaz já compunha mais ativamente, mesmo antes da saída de Saldanha); a segunda, “Me Erra”, foi escrita por Perdido, mas traz Irina Bertolucci nos vocais; enquanto “Mal Educado” é assinada e cantada pelo baterista Nico Paoliello.

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E apesar das divergências entre as canções, todas elas retratam situações cotidianas de relativo incômodo, seja enfrentando a fila do trem (em vez de estar com o amado), ou dando um basta em algum chato qualquer. “A gente está meio puto nas três [faixas]”, brinca o baixista.

A maior seriedade é notável: estão lá os grooves e o balanço de Escaldante Banda e Feras Míticas, mas agora diluídos em levadas mais arrastadas (“Me Erra” é o caso mais claro) e letras mais de desilusão do que de desapego. As cores também foram embora: em vez de pulsantes azuis, amarelos ou vermelhos, uma capa em preto e branco com a palavra “Mal” (de “Mal Educado”) estampada.

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Nem por isso, o Garotas Suecas perdeu o bom humor. Em “Turno Noturno”, o riff inicial evoca de maneira divertida “There Is a Light That Never Goes Out”, do Smiths (apesar de Perdido acreditar que se trata de “Walking The Dog”, conhecida na versão dos Rolling Stones), levando ao trocadilho no refrão: “Eu trabalho no noturno/ No turno noturno.”

Após dez anos de carreira (e mais dez de vida), o Garotas Suecas pode estar apenas refinando a expressão: menos expansivo, mais reflexivo. “Passamos por muitas experiências que nos deixaram mais cascudos”, diz Perdido. “Sempre convivemos muito juntos, e todo mundo cresceu. Veja só, vou ser pai agora. Então mudou bastante a cara da banda. Antes era tudo moleque, agora é tudo velho [risos].”

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Mal Educado precede um novo disco da banda (ainda sem data para começar a ser gravado), e dá início a uma nova década na carreira do quarteto. “Com a saída do Saldanha, logo depois da gravação do Feras [Míticas], a gente acabou ficando um tempo sem fazer show, ficou meio ‘verde’”, confessa o baixista. “Precisávamos recomeçar de alguma forma, e esse EP foi uma boa maneira – pelo menos eu acho.”

Escute, abaixo, com exclusividade no Sobe o Som as três músicas de Mal Educado.