Gentileza retorna com novo disco após seis anos; ouça a íntegra de Nem Vamos Tocar Nesse Assunto

Segundo álbum da banda paranaense surgiu a partir de crise criativa do vocalista Heitor Humberto

Lucas Brêda Publicado em 06/07/2015, às 17h41 - Atualizado em 06/08/2015, às 20h55

A banda paranaense Gentileza
Vinicius Grosbelli/Divulgação

por Lucas Brêda

“Eu sempre quis tomar um pé na bunda e, na mais profunda depressão, escrever um lindo disco, triste e visceral, expondo a intimidade que só cabe ao casal”, é o primeiro verso cantado por Heitor Humberto no álbum Nem Vamos Tocar Nesse Assunto, sequência tardia – lançada seis anos depois – do disco de estreia, homônimo, da banda Gentileza. Ouça o disco, com exclusividade no Sobe o Som, abaixo.

Sobe o Som: 10 novos artistas nacionais que você deve conhecer.

As primeiras palavras – assim como toda a letra – da faixa de abertura “Eu Sempre Quis” são a carta desabafo do Gentileza para os fãs. Uma forma de explicar a demora para a chegada de um segundo trabalho. “Eu assumo 90% da culpa [pela demora]”, confessa Humberto. “A parte de letras é, na maior parte, minha. Demoro muito para escrever. São seis anos e apenas nove músicas. É tudo que a gente conseguiu fazer!”

“Acho meio difícil compor”, conta ele. “Não sei, acho que uma exigência interna muito grande acabou me travando durante um tempo e só nos últimos dois anos eu consegui escrever um pouco mais solto”. “Tirando sarro” da própria “crise” criativa, o vocalista e guitarrista encontrou o ponto de partida para o novo disco.

Mais no SoS: Mahmed explora a solidão no clipe de “AaaaAAAaAaAaA”; assista.

“Ao mesmo tempo em que é uma autossabotagem, [a faixa ‘Eu Sempre Quis’] é meio autobiográfica”, comenta Humberto. “Diz que ‘sempre quis tomar um pé na bunda’, para daí ficar depressivo, para daí ter conteúdo para escrever. Quando me soltei um pouco mais percebi que não precisava disso para compor.”

Partindo de “Eu Sempre Quis”, o segundo álbum do Gentileza adquire conotação teatral, abusando de coros vocais, ecletismo e letras interessantes e desapegadas. O pouco mais de meia hora do disco também ressalta a eficiência pop da banda, que intercala arranjos mais tortos e esquisitices sonoras com versos palpáveis e atraentes.

Supercordas lança single com guitarrista do Boogarins.

Apesar de ainda darem as caras em faixas como “Por Onde Anda” e “Espiões”, os metais do primeiro álbum abrem espaço para as guitarras nas construções melódicas de Nem Vamos Tocar Nesse Assunto, após a redução da formação de seis para quatro integrantes. “Tentamos rearranjar o que já havia criado com metais e outros instrumentos para caber em uma coisa mais seca”, diz Humberto. “Mais guitarra, baixo e bateria mesmo.”

Gentileza

Lançado digitalmente nesta segunda, 6, e em formato físico ainda este mês, Nem Vamos Tocar Nesse Assunto foi gravado em Curitiba, durante cinco dias, com o instrumental ao vivo, depois de uma pré-produção “intensa”. “Eles aceleraram praticamente todas as músicas”, comenta o vocalista, referindo-se aos produtores Gustavo Lenza e Zé Nigro. “No início ficamos loucos, com um apego muito grande às criações. Hoje a gente ouve as versões anteriores e pensa: ‘Nossa, como eram arrastadas essas músicas!’.”

Dom La Nena mostra vida de viajante no clipe de “Vivo Na Maré”

Marcando o retorno do Gentileza, Nem Vamos Tocar Nesse Assunto é praticamente indissociável de seu tempo de produção, além de um retrato da passagem do tempo para os paranaenses. “No primeiro disco, a gente estava saindo da faculdade”, lembra-se Humberto. “Volta e meia, quando escuto o álbum, eu vejo como tudo foi feito pela primeira vez. Só fui sacar que não precisava berrar no estúdio quando ouvi minha voz. Pensei: ‘Ah, então quer dizer que eu posso sussurrar?’”

The Baggios comemora 10 anos com CD/DVD ao vivo

Nem tudo, entretanto, mudou. “Vejo que esse lance de não se levar a sério demais [continua com o grupo]”, divaga o músico. “Talvez isso soe um pouco pedante, mas é assim: ‘Estamos fazendo, está soando bem para nós, estamos satisfeitos, está passando pelos nossos filtros. Então, está legal.”

Se os filtros do Gentileza continuarem em alta exigência – como nos últimos anos –, a lógica ditaria que o terceiro disco da banda só chegue aos ouvidos do público na próxima década. Mas Heitor Humberto garante que não.

Ouça Amor Violento, segundo disco do Quarto Negro

“Este ano já queremos lançar mais um single”, diz, pausando a fala. “E acho que vai demorar menos, porque estamos nesse processo de ficar ainda mais solto, mais despretensioso. Eles tiram muito sarro de mim, porque é quase uma letra por ano! Mas já estou com algumas ideias novas – já fiz umas duas músicas. E eles estão surpresos que ainda não passou dois anos.”

Ouça abaixo Nem Vamos Tocar Nesse Assunto, segundo álbum do Gentileza

O disco também está disponível para download gratuito no site da banda.