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Ian Ramil mostra diferentes facetas da vida urbana em compacto

Cantor gaúcho finaliza financiamento coletivo para custear segundo disco da carreira, Derivacivilização

Lucas Brêda Publicado em 01/09/2015, às 18h28 - Atualizado em 02/09/2015, às 20h26

O cantor gaúcho Ian Ramil
Tuane Eggers/Divulgação

Por Lucas Brêda

“O mundo é um skinhead eu sou um gay”, canta Ian Ramil em “Coquetel Molotov”, aflita faixa do compacto virtual – revelado com exclusividade no Sobe o Som – que adianta o segundo álbum dele, Derivacivilização. Além de “Coquetel Molotov”, Ramil trata da vida urbana também em “Devagarinho” – ouça as duas canções abaixo.

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“Estava pensando nessa situação de histeria pelo excesso de informação [quando compus a canção]. Esse sufocamento das cidades que sentimos todo dia na pele”, conta o músico, falando sobre a faixa que abre o compacto. “Existe um vazio um enorme que parece nunca ser preenchido. E estamos sempre tentando preenchê-lo.”

Com uma base de violão, “Coquetel Molotov” se desenvolve com a introdução gradual de instrumentos mais pesados – guitarras, bateria – e outras esquisitices como furadeiras e gravações de telefone, entre outros. Conforme a música cresce, Ramil utiliza o sexo como imagem principal: “Se buceta eu sou uma vadia, se piroca, vem sentar na minha/ Só quero preencher o meu vazio.”

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“Vivemos em uma cultura voltada para a sexualidade, isso é constantemente estimulado”, conta. “As pessoas se enlouquecem atrás dos padrões estabelecidos – que eles nunca vão alcançar. Isso é uma das coisas que causa esse vazio. E o sexo muitas vezes é usado como fuga – nem que seja por um segundo depois do gozo – dessa agonia toda que a cidade nos acarreta.”

Conheça “Coquetel Molotov” abaixo.

“Coquetel Molotov” estará em Derivacivilização, segundo disco da carreira de Ramil, em fase final de financiamento coletivo (a campanha fica no ar até o próximo dia 9, acesse aqui). O álbum, que sucede Ian (2014), foi gravado em Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, na casa antiga onde Ramil passou a infância e adolescência.

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O disco conta com as participações de vocalista e guitarrista do Apanhador Só, respectivamente Alexandre Kumpinski e Felipe Zancanaro, além de Filipe Catto e Gutcha Ramil. A banda de acompanhamento de Ramil foi formada por Zancanaro (guitarra), o baixista – e coprodutor ao lado de Ramil – Guilherme Ceron, o baterista Martin Estevez e o clarinetista e pianista Pedro Dom.

Em “Devagarinho” – segunda música compacto –, entretanto, Ian Ramil aparece sozinho, mostrando um outro lado, tanto estetica quanto conceitualmente, do novo álbum. Ao violão (mas sem deixar de lado os ruídos curiosos ao fundo), o músico promove uma melodia quase de ninar, em total contraponto com a excitação de “Coquetel Molotov”. “Deixa ralentar o motor”, pede ele na letra.

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“Minha namorada é médica”, revela. “Ela tem uma rotina diferente da minha – que é desregrada, de artista –, e ficamos com os horários trocados. [A música] é como um apelo para ela: que [ela] não vá, que fique, que permaneça. Que não se deixe levar pela necessidade de entrar no motor da cidade – e deixe a cidade se ‘virar sozinha’.”

O relacionamento de Ramil, entretanto, foi apenas o ponto de partida para a canção, que toca no mesmo ponto que “Coquetel Molotov” – “de uma maneira mais sutil”. “É como se ‘Coquetel’ fosse o cara dentro desse motor, girando milhão, e ‘Devagarinho’ fosse a mesma pessoa em uma momento de tranquilidade – que é o sono, quando ficamos sem a pressão da cidade.”

Ouça “Devagarinho” abaixo.

As duas amostras de Derivacivilização, segundo Ramil, adiantam com clareza o conceito do disco: “a relação da pessoa com o urbano”. Se em Ian as canções se encaixavam sob o teto da pessoalidade – representada inclusive pelo nome do artista no álbum –, no novo trabalho, Ramil aparece olhando para fora, refletindo sobre a paisagem e a vida ao redor.

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Derivacivilização tem mais oito dias de campanha e já atingiu mais de R$ 17 mil – até o fechamento do texto – da meta de R$ 25,2 mil proposta. Entre as contrapartidas oferecidas por Ramil estão um vinil da coleção do cantor (“Escolho, com todo carinho e desapego, baseado nas preferências musicais do apoiador”) e um livro de cifras feito à mão (com as canções dos dois álbuns dele).

Abaixo, veja o vídeo que apresenta o crowdfunding e acesse este link para contribuir.