Kastelijns apresenta o orgânico e etéreo Raposa na Casa do Mancha, em São Paulo

O músico e artista plástico goiano de apenas 18 anos conta como se deu o processo criativo do seu disco de estreia e o que mudou de lá para cá

Gabriel Nunes Publicado em 30/04/2016, às 16h30 - Atualizado em 01/05/2016, às 19h32

O músico goiano se apresenta neste sábado, 30, na Casa do Mancha, em São Paulo.
Beatriz Perini

Por Gabriel Nunes

Às vezes nos apegamos tanto a certos personagens da literatura que eles acabam adquirindo um significado especial para nós. Foi o que aconteceu com o artista goiano Pedro Kastelijns e a enigmática Raposa do livro O Pequeno Príncipe, escrito em 1943 pelo aviador francês Antoine de Saint-Exupéry. Após representar o Príncipe quando tinha 11 anos em uma peça adaptada da fábula francesa, o músico acabou cativado pela figura emblemática. "Para mim, a raposa meio que significa o momento em que eu entrei em contato comigo mesmo e com minhas próprias questões. É como se ela representasse o meu processo de amadurecimento", conta o artista. Inspirado por isso, o jovem de apenas 18 anos batizou seu disco de estreia, que ele apresenta pela primeira vez em São Paulo neste sábado, 30, na Casa do Mancha (seguido pela artista Cibelle), de Raposa.

Lançado em 2015 pelo selo próprio Lalonge, Raposa não é um álbum fácil. Tão hermético e insondável quanto a personagem criada por Saint-Exupéry, o disco remete aos primeiros trabalhos da carreira solo do ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, John Frusciante (de quem o brasileiro é fã), ou então ao produto das psicoses crônicas do músico norte-americano Daniel Johnston. Kastelijns – sobrenome paterno de origem holandesa que ele utiliza nos palcos – afirma que o disco foi todo feito utilizando um dos programas mais rústicos de edição de áudio, o Audacity. "Eu sentava na frente do computador e usava um microfone embutido em um fone de ouvido para gravar as músicas. Era tudo bastante espontâneo. Eu ia compondo na hora e em seguida adicionava um monte de camada de voz.”

Embora seu trabalho de estreia tenha saído no ano passado, Kastelijns explica que as músicas que fazem parte dele são, na verdade, um pouco mais antigas. “Eu comecei a gravar e a compor por volta de 2012, quando tinha 14 anos. Foi uma época muito confusa e nebulosa da minha vida.” Como todo adolescente, o músico goiano não escapou do caos emocional que acomete aqueles que vivem essa idade ingrata. Independente de ser consequência da desordem hormonal da puberdade ou válvula de escape para longe dela, Kastelijns encontrou na música o amparo necessário para suportar essa espécie de temporada no inferno. “Meus pensamentos estavam bastante conflituosos. Eu me sentia muito sufocado por causa do colégio e todas essas cobranças que aparecem conforme a vida adulta se aproxima. E foi bem no meio desse turbilhão que acabou vindo com força a vontade de criar uma poética sonora própria”, conta com um riso contido.

Orgânico, bruto, e tachado como “tosco” pelo próprio artista, Raposa é um respiro da saudosa experimentação lo-fi dos anos 1990 nos dias atuais, quando chiados e interferências integravam a composição sonora. Hoje, um pouco mais meticuloso, Kastelijns procura trilhar caminhos diferentes, porém paralelos ao seu disco de estreia. “Muita coisa mudou de lá para cá. Eu cresci bastante e minhas concepções musicais mudaram muito. O Raposa surgiu de uma catarse enorme, e por isso eu tenho um carinho muito grande por ele, mas hoje em dia eu amadureci musicalmente e sou mais cauteloso.”

Ouça abaixo "Olhos da Raposa", novo single de Kastelijns, lançado na última terça, 26.

Kastelijns em São Paulo

30 de abril, às 21h

Casa do Mancha – R. Felipe de Alcaçova, 89 – Vila Madalena

R$30