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Primeiro disco do Oasis ganha homenagem cheia de classe de bandas brasileiras

A versão de Definitely Maybe criada para comemorar os 20 anos de lançamento do álbum se chama Live Forever

Pedro Antunes Publicado em 30/08/2014, às 11h11 - Atualizado em 02/09/2014, às 09h27

Oasis
Reprodução / Facebook

Por Pedro Antunes

Vintes anos é tempo suficiente para que um disco deixe um rastro perceptível de influências? Para o caso do álbum de estreia do Oasis, Definitely Maybe , a resposta é afirmativa. O site brasileiro Oasis News, criou uma espertíssima coletânea para provar que as reverberações dos versos criados por Noel Gallagher e cantados daquela forma desajustada do irmãozinho mais novo, o sempre-rabugento-Liam.

Oasis estreava há 20 anos e decretava: todos nós queríamos ser estrelas do rock and roll.

Nesta nova (e excelente ideia) de colocar jovens artistas para revisitar obras clássicas, o álbum do Oasis ganha cores e arranjos nacionais ousados por gente que cresceu ouvindo Oasis – ainda que a influência não esteja ali, visível ou audível, como queira.

Veja o caso do duo The Baggios, cujo rock de garagem parece derivar diretamente do blues rock do miolo dos Estados Unidos. Coube aos sergipanos abrir a versão tupiniquim de Definetely Maybe, com a pancada “Rock and Roll Star”.

The Baggios faz homenagem ao rock setentista e aos moderninhos em clipe de “Sem Condição”.

Mesmo em dois, eles fizeram um estardalhaço na faixa original, reverberaram mais o som do Delta do Mississippi nos riffs britânicos e acrescentaram molejo nos vocais de Liam. “A musica não foi uma opção nossa”, contou o vocalista e guitarrista Júlio Andrade. “Mandaram para a gente e curtimos. É uma das músicas mais rock deles. Uma das minhas favoritas.”

A proposta chegou quando a dupla estava em turnê com o segundo disco deles, Sina. Os ensaios se deram no Espírito Santo e as gravações aconteceram durante cinco horas, no estúdio do músico Chuck Hipolitho, em São Paulo. E a urgência do tempo no estúdio parece transbordar na abertura da coletânea.

Bandas independentes brasileiras produzem disco em tributo ao Sebadoh.

Live Forever traz 17 bandas (ou artistas) atuando neste trabalho de estica-e-puxa do material lançado pelo grupo de Manchester em agosto de 1994, passando pelas 11 faixas que entraram no álbum lançado pelo selo indie Creation Records e aqueles lados B saborosíssimos que somente os fãs mais ardorosos conhecerão completamente.

A escolha pelo line-up passa por bandas novas que parecem ter nascido para tocar Oasis, como a novíssima The Outs (Shakermaker" ), ou desconstrutores por natureza, caso de Phillip Long (“Live Forever”) e Cambriana (“Up in the Sky”). As duas gringas são The Hippy Mafia, da mesma Manchester, que deu um tratamento bem Primal Scream em “Cigarettes & Alcohol”, e Tess Parks, com uma versão rouca da excelente “Married With Children”).

Jonnata Doll e os Garotos Solventes lançam primeiro clipe sob os mandamentos do sexo, drogas e rock and roll.

Para veteranos da cena independente como é o caso do Single Parents, a cover parece sair fácil. “Slide Away” soa como se tivesse saído do baú shoegaze do baú de referências da banda, datada de alguns anos antes.

Há delicadezas em “Sad Song”, executada por Lindsay & Isaac, e “Take Me Away”, de Giovana Bertolini, pancadas de “Fade Away”, que ganhou versão do Radiophonics, e momentos lisérgicos com “Listen Up”, do Lads, e “D'Yer Wanna Be A Spaceman?”, do The Moloboys.

Single Parents lança música com versos intimistas e distorções em alto volume.

Por fim, a coletânea traz aquela que ficou marcada como o último registro de “Live Forever”, no V Festival de 2009, momentos antes de Liam e Noel Gallagher protagonizarem a última grande briga como Oasis, aquela que colocaria fim na mais expressiva banda a sair do Reino Unido nos anos 1990.

Ouça a coletânea Live Forever: