Em Fênix: o voo de Davi, madeiras queimadas no incêndio do Museu Nacional se transformam em instrumento - e o som é de arte e resistência [ENTREVISTA]

Três anos após o incêndio do Museu Nacional, Davi Lopes mostra como transcender a arte e criar esperança em meio às cinzas

Vitória Campos (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 05/09/2021, às 17h30

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Davi Lopes com instrumento feito das madeiras do Museu Nacional (Foto: Divulgação / Globo)

Uma das maiores perdas culturais do Brasil e do mundo, o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, marcou a história e foi responsável por destruir um acervo de mais de 20 milhões de itens, entre fósseis, livros raros e peças indígenas. A tragédia aconteceu em 2 de setembro de 2018, mas, três anos depois, há esperança da arte ressurgir das cinzas. 

Fênix: o voo de Davi (2021), documentário co-produzido pelo Globoplay e GloboNews, retrata a maneira que o bombeiro, músico e luthierDavi Lopes encontrou para transcender a arte e encontrar esperança em meio à destruição: transformar restos de madeira do incêndio em instrumentos musicais.

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“O que vai ser feito da cultura brasileira e da nossa história?” Esse é o questionamento feito por Fátima Baptista, chefe de redação de programas da GloboNews, em entrevista à Rolling Stone Brasil - mas, a questão pode ser respondida a partir do próprio documentário: o que será feito da cultura brasileira? Arte e resistência.

Como Davi Lopes criou melodia de esperança?

Davi Lopes sempre foi apaixonado pelo Museu Nacional, e frequentava o espaço desde criança. No dia do incêndio, Davi, quem também é bombeiro, fez parte da equipe que combateu o fogo do Museu Nacional e, desde então, teve a ideia poética de resgatar madeiras queimadas para transformar em instrumentos como violão, bandolim, violino e cavaquinho.

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“É um privilégio conhecer o Davi. Ele é um cara comum, que realmente me fez pensar o que posso fazer com os instrumentos que tenho,” contou Baptista. Davi é mestre em luthieria – produção de instrumentos musicais –, e enxergou em vigas, portas queimadas e escombros uma maneira de construir objetos com paixão. 

Por exemplo, uma porta que serviu como aposento de D. Pedro II se transformou em parte de um cavaquinho, um bandolim e um violino - e pedaços da porta da bilheteria do museu viraram um violão, compondo as laterais do instrumento. 

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Ao todo, foram construídos cinco instrumentos: dois violões, um bandolim, um cavaquinho e um violino. Engana-se quem pensa que os itens não têm qualidade profissional. Além de carregarem um forte simbolismo de esperança, funcionam perfeitamente, sendo aprovados por grandes nomes da música, como Paulinho Moska e Gilberto Gil

Música tocada por mestres 

Gilberto Gil e Davi Lopes no documentário Fênix: o voo de Davi (Foto: Divulgação / Globo)
Gilberto Gil e Davi Lopes no documentário Fênix: o voo de Davi (Foto: Divulgação / Globo)

 

Segundo Baptista, ela “sempre se emociona ao ouvir a primeira nota de cada instrumento.” De fato, é difícil ouvir a melodia e não se sensibilizar, especialmente pelos significados carregados em cada peça. Emocionar-se é consequência quando os acordes são tocados por artistas talentosos como Gilberto Gil, Paulinho Moska, Paulinho da Viola, Hamilton de Holanda, Nilze Carvalho e Felipe Prazeres. 

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Os instrumentos se relacionam diretamente com a música brasileira, e assim surgiu a ideia de convidar grandes artistas nacionais para apadrinhar a ideia. Logo, todos se encantaram e o projeto ganhou repercussão. Gil ficou tão emocionado ao segurar o instrumento proveniente do Museu Nacional que acabou improvisando uma música, a qual foi registrada posteriormente. 

Como Fênix: a importância de ressurgir em meio às cinzas

Bombeiros no Museu Nacional em Fênix: o voo de Davi (Foto: Divulgação / Globo)
Bombeiros no Museu Nacional em Fênix: o voo de Davi (Foto: Divulgação / Globo)

 

Enxergar a recriação em meio à destruição não é fácil, e, sem dúvidas, retratar a atitude de Davi pode servir como um incentivo, espalhando esperança de que a cultura e arte nacional sempre podem reviver. 

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“Para qualquer pessoa, mas, especialmente para o brasileiro, é importante ver a potência que as coisas e pessoas têm. Davi é um brasileiro comum, como eu e você, quem teve uma ideia genial pensando como ele, com o talento dele, poderia contribuir para dar vida e chamar atenção para a perda do nosso patrimônio,” explicou Baptista. 

Segundo ela, a importância do documentário é demonstrar a potência que qualquer brasileiro pode ter. Para isso, é necessário acreditar que, de restos queimados, pode ecoar uma melodia maravilhosa proveniente de resistência, renovação e, sobretudo, amor à nossa cultura.  

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Documentário Fênix: o voo de Davi (2021) tem direção e roteiro de Vinícius Dônola, João Rocha e Roberta Salomone e chegou em 2 de setembro de 2021 no serviço de streamingGloboplay


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