MITA 2022: The Kooks promete reviver nostalgia indie no Brasil: 'Um pé no passado e outro no futuro' [ENTREVISTA]

O vocalista Luke Pritchard falou sobre o novo disco do The Kooks e revelou o setlist nostálgico dos shows do MITA 2022 no Brasil

Redação Publicado em 08/05/2022, às 13h00

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The Kooks (Foto: Reprodução /Instagram)

The Kooks quer transformar o festival Music Is The Answer em uma máquina do tempo, a qual levará o público de volta para a cena indie rock dos meados dos anos 2000. Pelo menos é o que Luke Pritchard prometeu em entrevista à Rolling Stone Brasil.

Em uma chamada de vídeo, o vocalista do grupo britânico refletiu sobre a relação dele com o disco de estreia, Inside In/Inside Out (2006), o qual completou 15 anos em 2021 e ocupou grande espaço do setlist que a banda preparou para sua volta ao Brasil, marcada para o dia 20 de maio no Espaço das Américas, em São Paulo, e 21 de maio no MITA, no Rio de Janeiro.

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Durante a conversa, Pritchard também falou sobre o novo disco da banda, 10 Tracks To Echo In The Dark, o qual está sendo lançado aos poucos e será divulgado na íntegra no dia 22 de julho de 2022; a relação do The Kooks com os fãs brasileiros; e a volta do indie sleaze na cultura pop. Confira:

RS Brasil: Queria começar falando sobre os 15 anos do disco de estreia do The Kooks, Inside In/Inside Out, que completou 15 anos em 2021. Como você se sente tocando esse álbum tão marcante para a história de vocês nos dias de hoje?

Luke: Parece tão fresco quanto em 2006 [risos]. Ainda amo tocá-lo. É importante a energia que vem do público. O que pega nesse disco tão incrível é esse frescor, você sabe, faixas como "Naïve," as quais as pessoas estão escutando agora. Continuam boas. Quando toco, sinto que teve momentos da minha vida nos quais estava fugindo desse álbum, porque parecia tão grande e impactante que você sente que não pode estar à altura. Agora sinto essa gratidão por ter feito um disco assim. Como disse, te faz sentir fresco porque a plateia, a energia deles me impacta e essas músicas ainda significam algo para as pessoas, o que é sentimento incrível.

RS Brasil: Eu ia perguntar isso. Você sempre foi esse tipo de pessoa que entende a vontade do público de ouvir aquelas músicas?

Luke: Quer dizer, eu sou um performer. Quero fazer as pessoas se sentirem bem. Desde o primeiro dia, eu ia tocar os hits. Começamos a banda para fazer músicas para as pessoas dançarem e terem um bom momento. Então, sim, quero tocar algo que as pessoas querem ouvir. Sou assim.

RS Brasil: O The Kooks veio diversas vezes para o Brasil. Você se lembra da primeira vez que você esteve aqui?

Luke: Sim, eu lembro. Eu fiquei impressionado com o quão bem-sucedidos éramos aqui [risos]. Não pude acreditar. A gente veio tocar, mas nada pode te preparar. Sei que o Brasil ama rock and roll e indie, mas foi uma surpresa. Fiquei tipo: 'Ok, esse é um lugar para o qual vamos vir muitas vezes'.

 
 
 
 
 
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RS Brasil: Você sente que a relação entre o The Kooks e o público brasileiro mudou ao longo dos anos?

Luke: É como uma longa amizade. Como uma boa amizade, você pode se aproximar e se afastar. Você não pede muito um do outro. Os últimos três, quatro anos foram difíceis de não poder vir e tocar músicas novas, então estou muito animado para ver como é dessa vez. Mas uma coisa que vem à cabeça é a lealdade. Acho incrível. No Brasil, tivemos a experiência de um amor longo, duradouro e mútuo. E somos muito gratos por isso.

RS Brasil: Vocês gostam de música brasileira?

Luke: Eu provavelmente deveria escutar mais música brasileira. Tem bandas?

RS Brasil: Sim! Temos muitas bandas, inclusive de rock, do punk ao indie. No próprio MITA tem artistas excelentes. Você planeja ver algum deles?

Luke: Agora que você me falou, vou conferir. Para ser honesto, não conheço muito. Preciso fazer isso quando estiver aí. Festival é a melhor coisa, porque você pode ver outras pessoas. Estou animado para escutar, especialmente a música punk. São músicas de protesto e coisas do tipo?

RS Brasil: Sim! Mas não vai ter bandas punk no festival.

Luke: Me sinto mal. Vou ouvir mais música brasileira.

RS Brasil: Na próxima vez que você vier ao Brasil, conversamos de novo para ver o que você descobriu [risos]. Bom, vocês estão lançando um disco novo, 10 Tracks To Echo In The Dark. Me conta mais sobre esse projeto.

Luke: Comecei o disco em Berlim e queria uma atmosfera mais europeia no disco. Faz um tempo que fiquei fazendo música em Londres e Los Angeles. Estou em um lugar muito bom, me sinto centrado e acabei de ter um menino. Estava desesperadamente tentando encontrar uma euforia, esperança e felicidade porque não podia encontrar em nenhum outro lugar.

Foram tempos difíceis e é difícil não ser cínico o tempo todo. A inspiração é se tornar um pai, tentar perder um pouco do ego. Em músicas como "Jesse James" e "Modern Days", estava tentando ser mais grato pela minha vida. "Beautiful World" é sobre quando descobri que meu filho estava vindo, essa é uma das minhas músicas favoritas do disco. Escrevi em 20 minutos e estava em conflito sobre o que seria o disco. Eu estava pensando sobre o que eu vou dizer para meu garoto.

 
 
 
 
 
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RS Brasil: O The Kooks planeja tocar músicas novas no MITA?

Luke: Sim! É difícil. A gente tem um pé no passado e outro no futuro. Nosso plano é tocar o primeiro disco inteiro para as pessoas. A gente quer trazer essa nostalgia para as pessoas mais velhas e as pessoas jovens que estão escutando agora. Queremos dar essa experiência, porque nunca fizemos isso.

E acho que a primeira vez que fomos para o Brasil foi provavelmente no segundo ou terceiro disco, não tenho certeza. Vamos tocar umas três músicas [do novo disco]. Definitivamente "Connection" e "Beautiful World", e talvez "Jesse James".

RS Brasil: Desde o ano passado, existe uma discussão sobre nostalgia e como o indie sleaze está voltando. Bem, essa é a sua cena. E no MITA você vai tocar junto com outra banda indie, Two Door Cinema Club. Como você se sente sobre esse movimento que aparentemente está voltando à cultura pop?

Luke: Explode minha mente. Foi uma coisa indie e agora está indo para o mainstream. Acho muito engraçado. Às vezes, algumas das minhas fotos são vergonhosas, mas essa é a natureza. É engraçado quando você olha para trás, é como um uniforme, o uniforme do indie sleaze. Era uma coisa real e na época era só o que a gente usava.

É incrível ver isso em uma espécie de claridade. Enquanto crescia eram os anos 1990 amarrados em uma bolha sobre o que eram os anos 1990. Temos isso com essa era, seja lá no que a gente estava envolvido. Toda aquela cena é uma memória duradoura dessa geração, da minha geração. É muito legal de um jeito que ficamos orgulhosos. Para o show do Brasil talvez eu devesse usar algumas das minhas roupas indie sleaze.