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Cinema / Festival de Veneza

Woody Allen considera aposentadoria e volta a defender inocência sobre caso de abuso: 'Sempre dei ótimos papéis às mulheres'

Woody Allen foi acusado de abuso sexual contra a própria filha; Dylan Farrow mantém sua versão até hoje

por Heloísa Lisboa (@helocoptero) Publicado em 04/09/2023, às 11h01

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Woody Allen (Divulgação)
Woody Allen (Divulgação)

No centro de acusações de abuso sexual contra a própria filha, Dylan Farrow, Woody Allen lançou seu 50º filme no Festival Internacional de Cinema de Veneza e afirmou em meio ao evento que "qualquer movimento que realmente beneficia, faz algo positivo, vamos dizer para mulheres, é uma boa coisa".

Em 2021, a ex-namorada de Woody, Mia Farrow, e alguns de seus filhos relataram no documentário Allen vs. Farrow como era a relação com o diretor. Dylan, que teria sido vítima de Allen aos 7 anos, não mudou sua versão em 30 anos desde a denúncia. A série documental também mostra inconsistências em relatórios da investigação e como o romance entre o cineasta e Soon-Yi Previn, filha adotada por Mia e o ex-marido André Previn, teve início.

Ainda que Allen tenha defendido movimentos feministas ele adicionou que "quando se torna bobo, é bobo". O repórter que conduziu a entrevista à Varietyperguntou ao que ele se referia e teve a resposta: "É bobo, sabe, quando não é realmente uma questão feminista ou de injustiça contra mulheres. Quando fica muito extremo e começa a tentar transformar as coisas em um problema, quando na verdade a maioria das pessoas não levariam isso como uma situação ofensiva".

Woody Allen segue a mesma postura da filha e mantém sua declaração de que é inocente. Ele se apoia na narrativa de que nenhuma mulher com quem trabalhou foi vítima de um comportamento predatório. Artistas como Scarlett Johansson e Diane Keaton já afirmaram que acreditam na inocência do diretor. Manhattan (1979) e Tudo Pode Dar Certo (2009) são apenas dois dos filmes em que Allen retrata um casal com grande diferença de idade. Ele mesmo é 34 anos mais velho que a esposa (que já foi enteada).

Eu disse anos atrás que eu deveria ser o garoto propaganda do movimento #MeToo e eles ficaram todos animados com isso. Mas a verdade é a verdade. Eu fiz 50 filmes. Sempre dei ótimos papéis às mulheres, sempre tive mulheres na equipe, sempre paguei exatamente a mesma quantia que paguei aos homens, trabalhei com centenas de atrizes, e nunca, nunca recebi uma reclamação sequer de nenhuma delas em nenhum momento. Nenhuma disse 'Trabalhando com ele, ele foi maldoso ou me assediou.' Isso nunca foi um problema. Minhas editoras têm sido mulheres. Eu não tenho nenhum problema com isso. Nunca passou pela minha cabeça. Eu contrato quem eu acredito que seja bom para o papel. Como eu disse, trabalhei com centenas de atrizes, desconhecidas, estrelas, atrizes medianas. Nenhuma sequer reclamou e não há do que reclamar.

Woody também voltou a falar sobre o próprio cancelamento, reafirmando que a opinião pública não o atingiu. "Não sei o que é ser cancelado. Sei que tudo tem sido igual nos últimos anos. Eu faço filmes. O que mudou foi a apresentação dos filmes". Ele pontuou ainda que Coup de Chance (2023) pode ser seu último longa-metragem. 

"Fazer o filme é uma coisa, mas arrecadar dinheiro para isso, sabe, é tedioso e nada glamouroso. E agora, se alguém sair das sombras e disser, 'Eu vou te dar dinheiro para que faça seu filme,' isso seria um fator de influência para fazer outro filme. Outra coisa é para onde os filmes foram. Não gosto da ideia — e não conheço nenhum diretor que goste — de fazer um filme e depois de duas semanas ele estar na televisão ou no streaming", disse Allen.