Bodas de Prata

Inocentes, Ira! e Plebe Rude: 25 anos de rock

Paulo Marchetti e Ivy Farias Publicado em 21/08/2007, às 14h28 - Atualizado em 31/08/2007, às 16h34

Os quatro do Ira!: tudo azul desde 1981
Divulgação

Vinte e cinco anos podem ser um quarto de século ou as bodas de prata de um casal. Para o Inocentes, o Ira! e a Plebe Rude são 25 anos de vida e rock'n'roll, devidamente comemorados: enquanto a Plebe lança um novo disco, o Ira! e os Inocentes fazem shows para celebrar o aniversário. "Nenhuma banda punk deveria chegar aos 25 anos de existência, é incoerência! Mas já que é inevitável, é legal essa persistência", conta Clemente, vocalista e guitarrista dos Inocentes.

Para os novos fãs dos aniversariantes, é difícil imaginar o Brasil em 1981, ano em que essas bandas começaram: era o fim da ditadura militar e o general/presidente João Batista Figueiredo dizia preferir o cheiro de cavalo ao do povo. "Era assustador. Naquela época, ter uma guitarra elétrica e fazer punk rock era quase como ser um terrorista, guardadas as devidas proporções. Éramos clandestinos, lutamos armados de guitarras", recorda Nasi, vocalista do Ira!, outro grupo aniversariante. Nasi lembra que

o cenário musical do período era dominado pela MPB e a Tropicália. "No meu tempo - digo no meu tempo para o tempo em que eu era garoto - não havia rock e nossa geração pintou o novo retrato do Brasil: atual, urbano e livre", afirma.

Apesar de experimentar uma democracia e ter se passado um quarto de século, muitas canções de 25 anos atrás parecem ter nascido ontem. A Plebe Rude cansou de esperar por sua fração e lançou o disco R ao Contrário. "Incluímos 'Voto em Branco', resgatada dos anos 80, porque ainda vale", conta André Mueller, baixista da Plebe, que hoje conta com o amigo Clemente dos Inocentes. O próprio Clemente, aliás, foi chamado de vidente graças a uma canção da mesma idade de sua banda, "Pânico em SP", que descreve a paralisação que São Paulo sofreu em maio deste ano durante os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC.

As mudanças, porém, não foram só políticas ou sociais. Se antes os próprios punks faziam "os cartazes e colavam com cola de farinha nos postes", como contou Nasi, hoje toda banda já começa a tocar tendo um blog, fotolog, comunidade no Orkut e link no MySpace. Porém, os veteranos não ficaram de fora da revolução tecnológica. Com exceção do vocalista do Ira!, que não tem nem e-mail, todos entraram no mundo digital: André Mueller, o baixista da Plebe, tem um blog, o "X da Questão". Os Inocentes já têm um fotolog e todos, claro, possuem perfis e comunidades no Orkut.

Estes 25 anos não trouxeram grandes progressos para a indústria. "As questões práticas de trabalho, como as sindicais, as dos direitos autorais, o mercado fonográfico monopolizado: nada disso mudou, acredita Nasi. Houve avanços na distribuição de discos? "Nossas negociações com gravadoras foram complicadas e acabamos decidindo pelo selo do Lobão, o Universo Paralelo, que distribui nosso disco com a revista Outracoisa", fala Mueller.

Passadas as dificuldades, chegou a hora de comemorar. E as "festas de aniversário" foram em São Paulo, no Sesc Pompéia para os Inocentes, e no Credicard Hall para o Ira!. "Seria legal fazer um show na PUC [em São Paulo], onde começamos, mas a faculdade hoje não comporta mais o nosso público, que cresceu bastante nestes 25 anos", afirma Nasi. Pelo menos o público tem fôlego para apagar as 25 velinhas.