Mudando de Rumos

Iggor Cavalera avisa: "Não desisti do metal"

Ana Lígia Sampaio Publicado em 21/08/2007, às 14h39 - Atualizado em 31/08/2007, às 17h26

Iggor e Necro em ação, em Nova York: respeito mútuo e sintonia
Roberto Machado

Enquanto fashionistas e figurinhas fáceis de Hollywood faziam charme evitando flashes durante a Olympus Fashion Week, a semana de moda de Nova York, bem perto dali uma outra turma se digladiava diante da câmera. Fãs do rapper americano Necro não só compareceram em peso ao seu show, na tradicional casa de shows B. B. King's NYC, como fizeram de tudo para aparecer no DVD que estava sendo gravado naquela noite. E que noite. Ídolo do estilo "rap bandido de judeu", Necro levou a platéia ao êxtase por mais de uma hora e meia e surpreendeu todos ao convocar o amigo Iggor Cavalera à bateria. "Sepultura! Sepultura!", gritavam os empolgados fãs, sem lembrar que o músico deixou a banda há alguns meses, substituído pelo também mineiro Jean Dolabella, ex-Udora.

Iggor pareceu muito à vontade com a levada hardcore do hip hop, tanto que deixou o palco e voltou quase no fim do show para mais uma música. "Apesar de ser conhecido primeiramente como músico de metal, os demais artistas respeitam o meu trabalho e me chamam para fazer participações em diversos gêneros musicais", contou o baterista com exclusividade à Rolling Stone. A sintonia entre os ídolos era latente no camarim: em menos de três minutos, Necro e Iggor criaram toda a apresentação do show. "Iggor é um dos caras que revolucionou o rock do Brasil e o levou para o mundo. Ele destrói! Há poucos bateristas como ele", disse o rapper. "E o cara ainda é gente boa, entende de futebol, se interessa por música em geral e sabe tudo sobre o que acontece de novo no mundo. Estou muito feliz por ter ele aqui esta noite", emendou.

A admiração entre os dois músicos é recíproca. "O primeiro contato que tive foi por meio do irmão dele, Ill Bill, da banda de rap Non Phixion. Gostei de imediato, porque o rap dele tem uma linguagem politicamente incorreta. Ele trata de temas como morte e sexo de uma forma necessária para os norte-americanos", conta Iggor. E trabalhar com artistas como Necro, de gênero musical tão diverso, tem sido uma experiência feliz para Iggor após sua saída do Sepultura. "Estou adorando fazer coisas novas, mas tenho me dedicado a discotecar: é um trabalho divertido e ainda posso tocar ao vivo. É uma liberdade musical."

Essa liberdade inclui, em breve, o seu irmão Max Cavalera, da banda de metal Soufly. "Estou aproveitando esta fase de experimentação enquanto ele trabalha em seus próprios projetos. Mas para o futuro existe sim esta possibilidade", prevê.

E enquanto a possibilidade não se torna realidade, o baterista continua a desenvolver seus novos projetos musicais também no rap e no hip hop. Quando ele retornará aos braços do metal?

O futuro só a Iggor pertence.