Universo Paralelo

Ludov transforma profissão em diversão e lança disco maduro e melódico

Márcio Cruz Publicado em 01/07/2007, às 00h00 - Atualizado em 29/08/2007, às 12h50

Ludov: muito trabalho e diversão
Caroline Bittencourt/Divulgação

"Além de ser o nome de uma música, Disco Paralelo representa transformar as coisas em hobby, deixar tudo mais leve", resume Habacuque Lima, um dos multiinstrumentistas do quarteto Ludov.

A banda paulistana, formada por Vanessa Krongold, Mauro Motoki, Habacuque Lima e Paulo Chapolin, ficou famosa com a videoanimação para a música "Princesa" (do EP Dois a Rodar, de 2003), que faturou o prêmio de Melhor Videoclipe Independente na 10ª Edição do VMB e, como conseqüência, foi tocada freqüentemente nas rádios de todo o país.

Gravado no estúdio 304 no Rio de Janeiro, entre passeios de bicicleta, banhos de mar e chope no calçadão, Disco Paralelo teve a produção de Chico Neves, que já trabalhou com Skank, Gilberto Gil, Los Hermanos, O Rappa. "Ele chegou e quase não mexeu [no disco]. E a gente dizia: 'Tá cru, não tá cru, Chico?'. E ele respondia: 'Se não tiver cru, a gente deixa cozinhando, marinando no computador'", gargalha o multiinstrumentista Motoki.

"A nossa escolha era até então meramente técnica", explica Vanessa. "A gente não conhecia o Chico pessoalmente. Ele poderia até ser um chato com quem a gente teria de conviver em função do trabalho a ser feito. Mas quando a gente se conheceu, essa convivência boa se sobressaiu e foi fundamental."

O resultado é o álbum mais forte e positivo do Ludov até hoje. Repleto de bem cuidadas canções radiofônicas, como a positiva "Refúgio" e a existencialista "Conversas em Lata", o disco reflete a maturidade melódica conquistada pelo grupo ao longo dos anos.

Parte da força de Disco Paralelo está na abertura da banda para novas parcerias, como em "A Espera", composição de Habacuque com Felipe Machado, da banda paulistana Firebug - é a primeira canção gravada por eles que não foi criada por um ou mais integrantes da banda. "Quando se cria em parceria, tanto você quanto o parceiro ficam mais soltos", explica Motoki, "Até porque a primeira pessoa já tem uma linha e é difícil o outro mudar. A tendência é manter ou fazer uma mudança menos brusca", complementa.

As colaborações prometem ser destaque das apresentações ao vivo. Nos dois shows de lançamento do disco em São Paulo, a troca de instrumentos foi constante. "No show, tem algumas em que eu toco baixo, o Fabio (Pinczowski, co-produtor e principal colaborador da banda) vai pra minha guitarra. Tem outras em que o Habacuque toca baixo e o Fabio vai pra guitarra dele. Tem uma única, 'Fugi Desse País', em que eu toco na guitarra do Habacuque, Fabio na minha, e Habacuque no baixo. Inverte tudo", tenta explicar Motoki.

Parte da diversão do Ludov pode ser conferida na escolha de cores e em um disco com encarte-origami, uma metáfora gráfica do momento em que a banda vive. "Dobrem a capa, tirem foto e mandem pra gente", brinca Habacuque. "Mas ouçam o disco pelo menos a primeira vez na ordem", finaliza o baterista Chapolin.