Fossa Nossa

Nouvelle Vague retorna ao país e reinventa clássicos do pós-punk em versões bossa nova

Leonardo Dias Pereira Publicado em 21/09/2007, às 17h35

Collin (de boné verde): bossa francesa
Tim Knox

"Conheci a bossa nova através de Stan Getz, depois comecei a descobrir artistas maravilhosos como João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes que acabaram me levando à Tropicália de Caetano Veloso, Tom Zé e Os Mutantes. Mas foi estranho descobrir que esses artistas não são tão conhecidos, mesmo no Rio de Janeiro."

O bizarro relato é do multiinstrumentista francês Marc Collin, que, ao lado do amigo Olivier Libaux, são os mentores e produtores do Nouvelle Vague, projeto que revisita clássicos do pós-punk com pitadas de bossa nova, jazz e ritmos caribenhos. Saem os resmungos deprimidos dos vocalistas masculinos, entram os doces timbres de cantoras iniciantes como Camille, Sir Alice, Melanie Pain e Marina Celeste.

Assim, a monocromática "Love Will Tear Us Apart" (Joy Division) vira uma bossa verde-amarela, e "The Killing Moon" (Echo & the Bunnymen) é levada por um dedilhado no melhor estilo João Gilberto. Sobre a nova geração de cantoras brasileiras, Collin diz não conhecer muito, com exceção de uma: "Sou um grande fã e amigo da Cibelle [Cavalli, radicada em Londres]", revela. "Trabalhamos em um projeto chamado Renaissance, que deverá sair no começo do ano que vem."

Em 2005, a banda veio ao Rio de Janeiro para divulgar o primeiro e bem-sucedido Nouvelle Vague (2004). Agora, retornam ao Brasil para a turnê do segundo álbum, Bande à Part (2006), que passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. "Já estive em São Paulo a passeio, mas quero muito tocar em Recife, porque lá é uma parte do Brasil que ainda não conheço", diz Collin, sem conter a ansiedade que promete virar empolgação no palco: "Sempre tem muita energia, então as pessoas podem cantar e dançar. Geralmente, elas adoram!"