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Orquestra Contemporânea De Olinda

Coletivo promove show-baile dançante fora do Carnaval

Alex Antunes Publicado em 09/11/2007, às 13h01

Orquestra Contemporânea de Olinda: show-baile inspirado em velhos vinis
Maria Chaves (Orquestra)

"Montar um trabalho envolvendo tanta gente dá mesmo um receio", diz Gilson Lúcio do Amaral Filho, o Gilú, 23 anos, fundador da Orquestra Contemporânea de Olinda. Mas o pessoal dos sopros do Grêmio Musical Henrique Dias (escola profissionalizante de Olinda, que existe desde 1954) estava ali dando sopa, e Gilú queria fazer algo com ênfase em arranjos de metais e percussão - longe do frevo e fora do período de Carnaval, que é quando Olinda ferve. "O frevo tem menos influência no nosso repertório do que o afrobeat, o jazz, o ska e a música jamaicana em geral, um pouco de funk no baixo... E toda a música brasileira, como samba, samba de gafieira, coco... Só não tem maracatu. Esse eu deixei para o mangue beat", brinca.

Gilú, que tocou percussão com o Mundo Livre S/A, Otto, e Naná Vasconcelos, acabou atraindo elementos à receita da Orquestra, como o rabequeiro e cantor Maciel Salú (filho do Mestre Salustiano) e o cantor Tiné, em um total de 12 músicos de idades e influências variadas. "A gente faz os arranjos de base coletivamente, e entrega pro Ivan [do Espírito Santo, maestro, sax alto e barítono] arranjar os metais", conta Gilú. O resultado é um delicioso show-baile com repertório pinçado de velhos vinis de música brasileira colecionados pelo líder do grupo: "Sereia", de Osvaldo Nunes; "O Samba É Bom", de Zé Cobrinha; "Não Interessa Não", de Luiz Bittencourt e Zé Menezes, além de muito material autoral. Os amigos Fred 04 (Mundo Livre S.A.), Fabinho do Eddie e Erasto Vasconcelos também foram escalados para fornecer músicas para as 13 faixas que serão gravadas em outubro.

A rica tradição das orquestras do Brasil - responsáveis quase anônimas de muito do que se fez de melhor na música durante várias décadas do século passado - volta nessa forma contemporânea, amistosa e coletiva, que remete à carioca Orquestra Imperial. Existe ou não a influência dos colegas mais famosos do Rio de Janeiro? "Tanto quanto há do mangue beat", explica Gilú. "São momentos em que a tradição musical reaparece, mas pedindo uma roupagem atual. É isso que estamos fazendo."