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Psicodelia de Pista

Prestes a desembarcar no Brasil, o Chemical Brothers celebra o fim da ditadura do mercado

Alexandre Matias Publicado em 09/11/2007, às 14h38

Tom Rowlands (à esq.) e Ed Simons: eles são a noite
Hamish Brown (Chemical Brothers)

"Não é exagero! quando conhecemos os Klaxons, sabíamos que estávamos diante de uma das grandes bandas psicodélicas de seu tempo, como nós fomos para o nosso." O som da ligação telefônica está horrível, mas é nítido o entusiasmo de Ed Simons, a metade dos Chemical Brothers, pelos quatro cavaleiros da new rave. "Esse tipo de banda é facilmente identificável, seja o Pink Floyd do começo dos anos 70 ou o Verve ou os Flaming Lips no final dos 90", ele continua, "são bandas que lidam com um aspecto rítmico do cérebro, que pode não ser propriamente rítmico, mas que faz tanto sentido quanto uma espécie de ritmo".

Enxergar as coisas sob o prisma da psicodelia ajuda a entender melhor o cânone em que a dupla inglesa imagina-se inserida. Em vez do genérico rótulo "big beat", que criou uma pequena subcena dentro da invasão eletrobritânica que aconteceu nos anos 90, o elemento psicodélico é crucial até para entendermos a presença de certas figuras nos discos dos Brothers. Como os Klaxons, parceiros da faixa "All Rights Reversed", do recém-lançado We Are the Night, veículo que traz Ed e Tom Rowlands pela terceira vez a São Paulo, em novembro.

"Temos ótimas lembranças da cidade, especificamente do primeiro show que fizemos aí, pouco antes de lançarmos o Surrender". Ed refere-se à apresentação no Via Funchal em 1999, quando ele e Tom realizaram um espetáculo à base de batidas sintéticas, ambiências reverentes, ruídos de computador, vocais indie e grooves setentões. Mas ele se lembra de pouca música feita no Brasil: "Não sei dizer... DJ Marky... e Gilberto Gil?", arrisca.

Ele ri quando questionado sobre o fato de essa mesma música eletrônica não freqüentar mais as rádios e listas de discos mais vendidos como há dez anos, e como essa percepção faz com que muitos acreditem que essa música está fora do mercado. "Nem de longe", explica, esmiuçando que o mercado para quem faz música eletrônica vai além de discos e inclui comerciais, trilhas de filmes, videogames, toques para celular e outras modalidades. "Fora que nós nos movimentamos pela internet e pelas pistas de dança. Como a maioria das pessoas hoje em dia", diz.

"Essa idéia de que tocar no rádio ou estar nas paradas de discos mais vendidos é sinônimo de sucesso felizmente acabou", enfatiza. "E eu digo felizmente, porque ela transforma um ambiente rico, transparente e de colaboração num mercado competitivo, hostil, ganancioso e sem graça. As coisas estão mudando e estão mudando sempre para melhor."