Carolina Diz

Palavras Pesadas

Bruno Dias Publicado em 08/11/2007, às 16h55 - Atualizado em 21/12/2007, às 17h59

Os mineiros do Carolina Diz (da esq. para a dir.): Fernando, Humberto, Denis e César (sentado)
Anna Lina

"Meu habitat e matéria-prima é a selva urbana. Me sinto em casa nas grandes cidades e suas engrenagens pulsantes de neon, gasolina, concreto, sangue e vida constante teimando em brotar do asfalto." Dessa maneira, o baterista e letrista César Gilcevi explica o inconfundível teor das letras do Carolina Diz. A banda começou a se formar em 2002, quando César viu o guitarrista e futuro vocalista Humberto Teixeira fazendo um show em Belo Horizonte. Logo em seguida, com a entrada de Fernando Prates (guitarra), o trio se juntou e gravou a primeira demo. O último a integrar as inquietudes de Gilcevi foi o baixista Dennis Martins.

No final de 2004, a banda lançou seu primeiro disco independente, Se Perder. As letras, densas e pesadas, refletem a formação do baterista, que até os 13 anos não tinha televisão em casa e recorria a discos de rock (The Cure, Smiths, Legião Urbana, Leonard Cohen, Bob Dylan e Lou Reed) e a obras literárias de Arthur Rimbaud, Carlos Drummond de Andrade, Henry Miller, Allen Ginsberg, Fernando Pessoa e Charles Bukowski. Como o próprio nome da banda entrega (inspirado pela faixa "Caroline Says II", de Lou Reed), as mulheres ("Amanda", "Mariana", "Carolina Suja") são assuntos recorrentes. "Pensei muito nas mulheres fortes da minha família (fui criado por mulheres), que não se intimidavam frente às dificuldades e sustentavam toda uma família. Gosto mais dos personagens femininos cheios de mistério e sutilezas. Homem é tudo muito monocórdio", teoriza César.

Para este ano, os planos são ambiciosos: lançar o segundo disco, Crônicas do Amanhecer, e continuar tocando em todas as regiões do Brasil. Ganhando destaque no cenário nacional ao lado dos conterrâneos do monno, Enne e Porcas Borboletas, o Carolina Diz iniciou sua trajetória pelos festivais independentes na edição 2007 do festival Calango (Cuiabá), em uma surreal viagem de 57 horas de duração. "O mais inusitado foi quando a Polícia Federal parou o ônibus em que estávamos e revistou todo mundo", lembra o baterista. Eles queriam que abríssemos até as guitarras. Depois que desistiram de nós, não é que acharam vários pacotes de cocaína com uma senhora de uns 60 anos que podia ser minha avó?"