Salvem o Vinil

Ameaçada de fechar, única fábrica de LPs do país recebe apoio do governo para continuar

Bruno Dias Publicado em 08/11/2007, às 20h44 - Atualizado em 17/12/2007, às 17h36

No final de setembro, uma notícia assombrou o mercado fonográfico brasileiro: a única fábrica de discos de vinil do Brasil, a Polysom, localizada em Belford Roxo (RJ), iria fechar suas portas. Logo, artistas e selos se movimentaram para que o formato não desaparecesse do Brasil. "Para a gente, o vinil é um bom negócio. Não vamos desistir", afirmou Gabriel Thomaz, líder dos Autoramas e dono da Gravadora Discos. Fabrício Nobre, vocalista do MQN e sócio da Monstro Discos, fez coro: "O governo salva bancos, salva um monte de coisa. Salvar nossa última fábrica de discos de vinil seria genial".

A pressão deu resultado, na forma de uma "força-tarefa" encabeçada pelos Racionais MC's, que envolveu o senador Eduardo Suplicy, o ministro da Cultura Gilberto Gil, e o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). "Fiquei sabendo que ia fechar, aí perguntei por quê, e o pessoal [da Polysom] falou que pagavam muitos impostos e que a demanda diminuiu. Fiz o contato com o Suplicy, que conversou com o Hermano Vianna que indicou um assessor do Gil pra gente trocar idéia", explica KL Jay, dos Racionais MC's.

A proposta apresentada pelo Ministério da Cultura sugere que o vinil se torne patrimônio imaterial brasileiro. "Nós não vamos registrar aquela fábrica, mas registrar a atividade", disse Carlos Fernando Andrade, superintendente do Iphan-RJ. O Minc também se articula para que arquivos históricos sejam passados para vinil, numa forma de aumentar a demanda da Polysom. "Pode parecer anacronismo, porque falamos tanto sobre cultura digital, e vamos trabalhar em cima de uma coisa que é do tempo do analógico. Ampliar a produção de música brasileira em vinil é aumentar a circulação da música brasileira no mundo", diz Álvaro Malaguti, assessor da Secretaria de Políticas Culturais do Minc. A Polysom, nesse meio-tempo, espera por mudanças. "Voltamos a trabalhar, pegando mais pedidos", diz William de Carvalho Gonçalves, espécie de "faz tudo" da Polysom. "E aguardando o que o Iphan pode fazer por nós.