O Estranho Mundo de Bob

Todd Haynes precisou de seis atores para interpretar Dylan em I'm Not There, a história de um artista cuja reinvenção contínua transformou o mundo ao seu redor

Greil Marcus Publicado em 09/01/2008, às 11h47

O cineasta Todd Haynes: "Tudo o que Dylan fazia estava uns dois anos à frente"
Chris Floyd

O novo filme de todd haynes, I'm not there, já era comentado, discutido, amaldiçoado e festejado antes mesmo de sua estréia mundial em novembro de 2007 (no Brasil, ele chega aos cinemas em fevereiro de 2008): nele, atores diferentes interpretam aspectos diferentes de noções diferentes de Bob Dylan, sem que nenhum dos personagens incorpore qualquer Dylan literal. Christian Bale é um cantor de protesto dos anos 60 e ministro evangélico dos 80; Heath Ledger, um astro de cinema que consegue sua grande oportunidade interpretando aquele mesmo cantor de protesto; Marcus Carl Franklin vive um garoto negro de 11 anos apaixonado por Woody Guthrie (considerado o criador da música country moderna) e os Estados Unidos do Dust Bowl (longos períodos de seca e tempestades de areia que assolaram alguns estados norte-americanos) da década de 1930; Cate Blanchett encarna uma estrela pop que entra em combustão perante os olhos de todos; e Richard Gere aparece como o herói folk recluso. O Bob Dylan de I'm Not There é um baralho de cartas digno de nomes e rostos - embaralhado para produzir uma noção de satisfação -, o ato ousado de um cineasta e também uma sensação de perigo. Cada uma das fantasias do Dylan de Haynes dispara como bolinhas de fliperama e, em pouco tempo, o filme já está jogando sozinho. O diretor não sabe como acaba nenhuma das histórias que coloca em movimento e não quer saber. Seu desejo é de que as tramas encontrem seu próprio desfecho - ou que escapem dele - e façam o público ir atrás delas, como deixa claro na entrevista publicada em nossa edição 16, janeiro/2007, que está nas bancas.

Veja aqui o trailer de I'm Not There