Manu Chao

"O mundo está mais elétrico, tenso e preocupante"

Márcio Cruz Publicado em 11/02/2008, às 13h47 - Atualizado às 19h20

Para Manu Chao, música e política definitivamente andam de mãos dadas

Radiolina é o primeiro disco de Manu Chao lançado no Brasil por uma grande gravadora desde Próxima Estación: Esperanza, de 2001, (o ao vivo Radio Bemba Sound System, de 2002, e o independente Sibérie M'etait Contée, de 2004, não saíram oficialmente por aqui). Agora, aos 46 anos, o músico volta a utilizar instrumentos mais elétricos e faz referências à sua fase mais punk, quando liderava o grupo Mano Negra, como em "Mama Cuchara", nas letras contestatórias e deprimidas de "Tristeza Maleza" e "Politik Kills", e em "Ya Agora Que" (com bateria que remete a Joy Division). "O Clash foi uma influência na adolescência, mas acompanhei Joe Strummer durante toda sua vida", confessou.

Em Radiolina, parece haver uma volta a um tipo de sonoridade diferente de Próxima Estación e Clandestino.

O mundo está mais elétrico, tudo está mais tenso, tudo está mais preocupante.

Você se entristece com a injustiça social? Esses assuntos realmente o deprimem?

Nunca cheguei a um lugar no mundo onde me disseram que está tudo certo. Sempre há um sentimento de raiva. Música é para mim uma pequena terapia para transformar a raiva em algo positivo e não fazer com que a raiva atue de modo negativo, o que é muito fácil...

Como foi a apresentação para o público norte-americano durante o Festival Coachella (em abril de 2007)?

Eram 90 mil pessoas esperando pelo Rage Against the Machine. Foi interessante, porque era a maioria de um público de língua inglesa, não era nosso público. Eram quase 100 mil pessoas e apenas 5 mil conheciam nossas músicas.

Você lê "Manu Chao" na íntegra na edição 17 da Rolling Stone Brasil