Bloco dos independentes

Aliado ao carnaval recifense, festival Rec-Beat tem patrocínio e público garantidos

Carolina Requena Publicado em 07/03/2008, às 17h04 - Atualizado às 18h35

Móveis Coloniais de Acaju: mais uma vez, excelente show

Não se trata de alternativa ao carnaval. O Rec-Beat, que chegou à sua 13ª edição entre os dias 2 e 5 de fevereiro apresentando mais de 20 bandas, é uma vitrine que se aproveita do volume de foliões e do posto de âncora de um dos pólos do carnaval aberto do Recife para se manter entre o festivais de música independente mais populares do país.

Com entrada gratuita desde 1999, quando migrou de Olinda para o Recife e passou a ser patrocinado - em princípio via captação própria, e, desde 2003, englobado no carnaval da capital (este, inscrito na Lei Rouanet: a iniciativa privada põe dinheiro e tem abatimento no IR) -, o Rec-Beat custou neste ano 340 mil reais, entre cachês, tributos e a estrutura competente montada na avenida Cais da Alfândega, à beira do Rio Capibaribe.

Tudo começou porque o manguebeat não se exibia de forma ordenada aos curiosos que rumavam a Pernambuco à procura da música de Chico Science e cia. Em 1993, Antonio Gutierrez passou a promover festas para reunir os artistas locais, e, dois anos mais tarde, estreou o festival em plena folia de Olinda: "Pelo fato de o carnaval reunir muitas pessoas, e gente de fora vir interessada em conhecer não só o frevo e o maracatu, eu quis criar um palco pra botar essas bandas novas".

Hoje distante das "bandas novas" de outrora (Nação Zumbi e Mundo Livre S/A), que reinam em outros palcos do carnaval, o festival reúne artistas independentes de todo o Brasil e países vizinhos. A edição deste ano teve de Móveis Coloniais de Acaju à chilena Panico, e foi encerrada pelo já consagrado Pato Fu, que, estima-se, reuniu 20 mil espectadores - a maior lotação da "casa". "Não meço o festival pela quantidade de pessoas. Quinze mil, vinte mil, pra mim isso é segundo plano", folga Gutie, que reconhece a vantagem de pilotar um evento com entrada gratuita: "Talvez eu não conseguisse fazer este festival fechado, dependendo só de bilheteria, porque as pessoas teriam de pagar pra ver coisas que elas não conhecem." A escalação completa está no site da revista.

À espera de uma nova prefeitura em 2009, Gutie tem planos B, inclusive alternativas propostas pela Abrafin (Associação Brasileira dos Festivais Independentes), caso a nova administração mude o esquema de financiamento do carnaval: "Acredito que diversas pessoas devem continuar apoiando, mas quero estar preparado pra fazer o festival de alguma forma, nem que seja voltar pra Olinda".