Iggy + Rock

No camarim com o bom selvagem avô do punk

Claudio Kleiman e Alejandro Seselovsky Publicado em 22/09/2008, às 16h40 - Atualizado em 21/04/2016, às 20h35

O cantor Iggy Pop foi capa da segunda edição. Leia aqui.

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Ele desceu do palco há exatos 30 minutos e toda a brutalidade do show já é uma imagem que vibra na memória. Podemos falar do sexy Iggy se movendo sobre os amplificadores; do cachorro corrosivo e raivoso de "I Wanna Be Your Dog"; da lenda que foi até o público cantar "No Fun"; da bunda aparecendo porque as calças caíam; do grito rasgado que anunciou: "We are the fucking Stooges!". É o rock em estado bruto, orgulhosamente sem-vergonha, que invadiu Buenos Aires, Argentina.

Quarenta minutos depois do show no Club Ciudad de Buenos Aires, Iggy vem até nós e pergunta: "Vocês são da Rolling Stone latina?". Balbuciamos um "sim" e ele continua: "Toda vez que faço um show na América do Sul encontro caras que vêm com esse papo: 'Trabalho para a Rolling Stone, posso entrar de graça no seu show?'". Logo depois desse primeiro e desconfiado contato, o Iguana nos convida para conhecer os camarins.

Há uma foto famosa (dos anos 70) de Iggy, em seus dias de glória com os Stooges, em que ele está com o peito nu, suado e usando uma calça justa e brilhante, e emerge por entre as cabeças dos espectadores com o braço apontando para algum lugar. Depois de 35 anos dessa imagem, o Club Cuidad de Buenos Aires revive, em grande estilo, um momento assombrosamente similar.

Iggy Pop é realmente um dos maiores performers da história do rock, o porta-voz do caos, o frontman que melhor representa um som anárquico, sujo. Que um show dos Stooges seja transcendente em 2006 pode querer dizer duas coisas: o pouco que o rock evoluiu desde então (e essas perspectivas nostálgicas tendem sempre a ser enganosas), ou o quanto a banda estava, e ainda está, à frente do seu tempo. Muito à frente.

Surgidos em 1967 em Detroit (EUA) o coração da indústria automobilística da América do Norte, o asfixiante ruído das fábricas se tornaria uma característica fundamental da sonoridade dos Stooges, juntando isso à adrenalina do r&b dos primeiros discos dos Stones, ao jungle de Bo Diddley, ao rock garage e suas mutações psicodélicas, ao chamanismo dos Doors, ao drone vanguardista do Velvet Underground, ao free jazz de John Coltrane e Albert Ayler e às rimas minimalistas tão-estúpidas-que-chegam-a-ser-brilhantes dos primeiros rocks ("Tutti Frutti", de Little Richard, e"Be-Bop-a-Lula", de Gene Vincent) reformulados por Iggy e herdados pelos Ramones.

Assim como o Velvet Underground, só que menos cerebrais, os Stooges mostraram a ressaca e a alienação da juventude das grandes cidades, prenunciando o niilismo do punk, o dark e a inclinação sadomasoquista do gótico e o tédio do grunge. Mas eles ainda têm um groove, que não é necessariamente de Detroit, e uma distorção que vai além da simplicidade do heavy metal e envolve um som dissonante que reflete a opressão. É ruído, sim, mas a banda elevou o noise à categoria de arte, uma lição que o Sonic Youth aprendeu e soube muito bem capitalizar.

James Newell Osterberg nasceu em 21 de abril de 1947 e foi criado em um acampamento de trailers na pequena localidade de Ypsilanti, perto de Ann Arbor (Michigan). Antes de se tornar Iggy Pop, foi baterista de duas bandas de blues psicodélico, a The Iguanas - de onde tirou seu pseudônimo - e a The Prime Movers, até decidir mudar para Chicago para tocar com os bluesmen. Quando voltou a Michigan, formou uma banda de rock com os irmãos Ron (guitarrista) e Scott Asheton (baterista) e o baixista Dave Alexander. Estava criada a The Psychedelic Stooges, nome que depois seria reduzido a The Stooges.

Danny Fields, que então trabalhava na gravadora Elektra, viajou a Detroit para assistir ao MC5 e estes lhe recomendaram uma banda, cujos integrantes eram como seus irmãos mais novos, que tocariam no dia seguinte na Federação de Estudantes da Universidade de Michigan. Segundo relata o próprio Fields, essa foi uma experiência que mudou sua vida: em lugar de um, terminou contratando dois grupos para o selo de Jac Holzman, os MC5, mais radicais e políticos, e os Stooges, primitivos e endiabrados, punks antes do punk.

Os Stooges originais existiram ao longo de dois álbuns: The Stooges (1969), produzido por John Cale, do Velvet Underground, e o incendiário Fun House (1970), que teve produção de Don Gallucci, do Kingsmen. Neste último, eles incorporaram à banda o saxofonista Steve Mackay para gravar a apocalíptica "L.A. Blues", um dos temas emblemáticos de Fun House. Já com Asheton no baixo (situação que aceitou de má vontade) e o guitarrista James Williamson, os rebatizados Iggy & the Stooges, produzidos por David Bowie, gravariam o igualmente influente Raw Power (1973), antes de se dissolver no meio da confusão e dos vícios que envolviam suas vidas (muito especialmente a de Iggy).

Mas não é por acaso que os Stooges de hoje, que incluem outro herói do rock alternativo, o baixista Mike Watt (ex-The Minutemen) em substituição a Dave Alexander (que morreu em 1975), baseiam seu set list em músicas daqueles dois primeiros álbuns ("1969", "I Wanna Be Your Dog", "No Fun", "TV Eye", "L.A. Blues"), ignorados em seu lançamento, mas agora convertidos em clássicos, e também em alguns hits de Skull Ring (2003) como "Little Electric Chair" e "Dead Rock Star". Nesse show concentra-se a essência dos Stooges, que se parece tanto com a essência do próprio rock'n'roll e cuja influência é tão poderosa quanto inimitável. Porque como se viu claramente em Buenos Aires, e no ano passado no Brasil, só os Stooges podem soar como eles mesmos.

Quase 40 anos de rock em seu estado bruto são representados pela figura de um cara que faz sua quinta visita à Argentina. Caminhamos por um corredor comprido e branco. O Iguana está alguns passos à frente, conversando com Henry, seu empresário. Iggy é um cara de estatura mediana, deve ter 1,68m de altura, que, na vida real, manca da perna direita e no palco não. Ou ele é bem-humorado ou agora está particularmente feliz, porque sorri o tempo todo e se esforça para parecer simpático e amável. E cantarola. Chegando ao camarim, nosso anfitrião senta em almofadas brancas, pede vinho e, iniciamos a conversa:

Como os Stooges trabalham hoje?

Bom, voltamos a tocar ao vivo em abril de 2003. Desde então, a cada dois ou três meses a gente (Ron, Scott e eu) se reúne em algum lugar, geralmente na minha casa, com uma bateria de brinquedo e uns amplificadores pequenos para escrever coisas.

No início também era assim?

Bom, a mentalidade era a mesma, sempre em miniatura. A gente improvisa muito e, quando você está fazendo isso com amplificadores grandes e tudo mais, pode até conseguir tirar um bom som mas, a menos que tenha recursos para cortar tudo e trabalhar naquilo, não conseguirá sair com uma música pronta. E especialmente quando tem gente ao seu redor.

Um pouco de solidão é sempre melhor&

As bandas de hoje vão a um ensaio com secretária, empresário, executivos, técnicos... Eu costumava compor sozinho, em uma guitarra com cordas de náilon, dessas que se vendem na rua. Quando fizemos algum sucesso, consegui então comprar uma guitarra de verdade.

Vocês acabaram de gravar um novo disco (previsto para 2007) com Steve Albini - produtor responsável por CDs como In Utero, do Nirvana. Como repartem o trabalho?

A maioria das guitarras é do Ron. Faço mais as letras e as melodias, mas a gente nunca sabe se vai ficar bom até entrar a bateria, que é peça-chave.

Qual é o segredo de Ron e Scott Asheton?

Os dois têm essa coisa rara, essa característica psicodélica, de guerra, de invasão (risos). Eles são russos, têm esse sangue angustiado. A mãe deles é da Ucrânia, o pai era inglês, um piloto de combate que lutou na guerra.

Ron coleciona lembranças da guerra...

Sim, todas essas coisas&

Pra você, qual a diferença dos Stooges de hoje em relação à formação original?

Algumas coisas são muito diferentes, vou ser honesto. Há pouco tempo escutei uma gravação nossa de 1970 e pensei: "Que tosco". Tínhamos um total de cinco músicas e a apresentação terminava bem lenta. Dava para escutar as pessoas atirando coisas na gente. Também ouvi três caras que gritavam "Bravo!" e aplaudiam. Lembro desse show, eu corria pelo backstage tentando conseguir alguma coisa. Hoje já não é mais assim.

E é fácil chegar ao mesmo ponto sem as drogas? Como vocês fazem?

É fácil chegar a um bom ponto. Acho que a melhor coisa que as drogas fizeram pelos músicos nos anos 60 foi atuar como uma parede para manter longe todas as distrações e toda a negatividade possível. Em outras palavras, ninguém podia te atacar com frases como: "Você é péssimo, não vai ser ninguém daqui a dez anos. Você não é Bob Dylan, como ousa escrever uma música?"

E hoje, as drogas ainda são importantes para os Stooges?

Todos da banda ainda têm certa inclinação, mas não do jeito como era antes.

Ter Iggy a um metro de distância durante 40 minutos permite que você veja coisas. Para começar, o corpo dele é um território onde a juventude de espírito e a maturidade não dialogam: combatem. Como um corpo pode ser fibroso, mas enrugado? Como ele pode levar nos olhos essa expressão adolescente e estar preparando seu 60º aniversário? Como pode ter o cabelo de Kurt Cobain, ter nascido 20 anos antes e seguir vivo 12 anos depois? Como uma tensão que não cede, há nele dois tempos que buscam se impor um sobre o outro. Mas ainda tem algo a mais, que não parece se acomodar: Que distância existe entre o animal selvagem que caminhava no palco como uma besta eletrificada e este relaxado senhor que faz girar sua taça de Cabernet Sauvignon enquanto fala sobre John Coltrane? Qual dos dois é Iggy Pop? Quantos Iggy Pop temos esta noite? Talvez fique clara essa dupla face do rockstar e então seja mais simples aceitar a idéia de que Ron Wood é, em seu tempo livre, um artista plástico conceitual. Ou de que Marilyn Manson é apenas um cavaleiro de modos refinados quando não está brincando de anticristo. Rockstars são geralmente atores de si mesmos, de sua própria lenda, uma manifestação agitada sobre o palco que não necessariamente é a mesma fora dele.

Sua atitude no show é muito importante. Como você consegue fazer tudo aquilo?

Eu me obrigo a subir ao palco com uma puta energia para que as pessoas vivam isso de vez em quando. Porque especialmente no Rock, com "R" maiúsculo, essa espontaneidade tem ido embora. Quem é assim hoje em dia?

Quem?

Honestamente, isso pode ser visto apenas nas estrelas pop e em alguns caras do hip hop. Quem realmente tem atitude no palco? Bom, a Britney costumava tentar. O único problema é que tudo estava sempre muito planejado porque ela nem sequer sabe cantar. É Clube do Mickey Mouse mesmo.

Essa presença de palco é o que diferencia as gerações de roqueiros?

Acho bom ver uma banda fazendo um esforço para entreter. Mas também não dá para entrar nessa onda: "Se acalmem todos, porque estamos salvando o mundo com o rock". Não é isso.

Há muitas bandas que foram influenciadas pelos Stooges. Em compensação, não existe um frontman que imite você?

Quem ia querer me imitar? (risos) Sou um cara que trabalha duro. Quero dizer, não é que acorde todos os dias para fazer isso. Há outras pessoas que têm de estar na pizzaria às 8 da manhã para assar a massa. Nessa hora eu ainda estou nadando.

Existe uma espécie de mito que diz que o público de rock na América Latina é o melhor do mundo. Você concorda?

O público latino está em outro nível. Vocês têm mais sintonia, são mais entusiasmados. Acho que é algo relacionado às condições da América do Sul. Por um lado, a natureza geográfica remota e, por outro, tem a ver simplesmente com as raízes. Vocês têm um pouquinho de sicilianos, um pouquinho de poloneses& e um pouco de índios (mesmo que ninguém queira falar muito disso). E a população é mais jovem.

Muito mais jovem do que na Europa, por exemplo?

Sim. Não é verdade? Eu lembro que, a primeira vez que vim, fui em um club que os produtores tinham indicado. Quando eu estava chegando, um grupo começou a gritar: "Não entre ali! O lugar está cheio de mauricinhos!". E eles provavelmente deviam estar certos. Há coisas que se notam quando você é norte-americano e vem à América do Sul. É possível comer macarrão de madrugada em um lugar aberto que não faz parte de uma rede de restaurantes com as luzes brilhantes. Nos Estados Unidos tudo é tão iluminado e a TV está ligada o tempo todo e tudo está pavimentado. Aqui não é assim.

As coisas são um pouco mais soltas, né?

Dá para ver gente caminhando nas ruas, as luzes são mais tênues, o clima é mais romântico. E o romance leva à imaginação e a imaginação, à criatividade. E isso acontece em Buenos Aires, que é um lugar belíssimo.

Uma vez você disse que parte da identificação com o público argentino acontecia porque, para você, Buenos Aires lembrava muito Detroit...

Buenos Aires? Não sei, mas tem alguma coisa sim. Quando cheguei aqui o tempo estava realmente lindo e quando acordei esta tarde era o Apocalipse.

Em poucos minutos&

Em poucos minutos. E eu fiquei jogado na cama pensando em Detroit, lembrando do meu pai, dos problemas, das brigas. No caminho do aeroporto, eu estava em um carro com ar-condicionado mas, na verdade, queria abrir a janela para que entrasse um pouco de vento. Na hora em que resolvi fazer isso, passou um desses táxis pequenos daqui [imita o barulho de um cano de escape] e me encheu a cara de fumaça&

A primeira vez que você se apresentou em Buenos Aires, em 1988, foi incrível, com Robert Quine (Lou Reed) e Andy McCoy (Hanoi Rocks), como guitarristas.

Mas não foi ninguém.

Eu (Kleiman) estava lá.

Você? Bom, tinha algum público&

Mas o tempo passou e parece que as coisas mudaram. Tem consciência de que o público daqui adotou você? E o mesmo aconteceu com os Ramones, com os Rolling Stones, com o Die Toten Hosen&

Escutei alguma coisa sobre isso e tinha a esperança de que realmente acontecesse. Tenho relações muito próximas com este país, em vários aspectos.

Uma coisa que não é muito comentada é esse elemento jazz dos Stooges que vocês estão querendo enfatizar com o Steve Mackay (saxofonista)&

É bom, né?

Steve é parte importante da banda e da história da música.

Na verdade, como foi esse encontro dos Stooges com o jazz?

Teve realmente um momento em que houve essa aproximação. E isso aconteceu porque o rock estava se tornando interessante e começou a chamar a atenção dos jazzistas. Aliás, Miles Davis estava pegando as mesmas garotas que o Jimi Hendrix.

Sentia a influência de Coltrane?

Coltrane me deixa louco, mas não sou suficientemente evoluído para desfrutá-lo por completo. E depois tinha Albert Ayler... Tudo isso dava voltas ao nosso redor. Miles Davis... Bitches Brew saiu quase ao mesmo tempo em que nós estávamos gravando Fun House. Já tínhamos compilado tudo quando alguém me fez ouvir Bitches e foi& pensamento em paralelo. Havia muita coisa em comum, a única diferença é que se tratava de um músico avançado, mas em muitos aspectos nós também o éramos.

O MC5 também tinha esse tipo de influência. É algo que aconteceu em Detroit e não parece ter rolado em outras cidades.

A primeira vez que ouvi Coltrane foi no apartamento de um cara que eu queria que fosse empresário da banda porque ele era amigo do John Sinclair (manager do MC5) e nós estávamos pensando em tocar no show deles. E ele lançou Coltrane... Eu tinha fumado um pouco e estava realmente perturbado. Quando escutei pela primeira vez, não gostei muito. Depois voltei a ouvir com calma (faz um gesto de deslumbramento).

O punk foi influenciado pela musicalidade dos Stooges. Como vê a evolução do punk, daquela época até hoje?

Os verdadeiros punks eram os velhos músicos de blues. Muddy Waters era um punk, ele estava bebendo e trepando com cinco adolescentes (tinha mulheres em diferentes lugares da cidade e nenhuma sabia da existência da outra), andava sempre na moda e seus músicos eram todos alcoólatras. Só depois é que vieram os Ramones e os Sex Pistols. Eles eram boas bandas de bar, excelentes letristas, tinham personalidade forte e, no caso dos Ramones, ótimas melodias. E faziam coisas diferentes da gente. Mas a indústria da música nos Estados Unidos começou a controlar: "Abra bem a sua boca"; e ela te tirava os dentes e falava: "Bem, já temos um punk sem dentes que não pode morder ninguém". E no momento seguinte pensamos em como conseguiríamos fazer dinheiro com aquele som porque não podíamos deixar passar um movimento musical sem tirar uma grana. E, de repente, todas as bandas começaram a soar igual, tipo vou-correndo-pela-praia-nu. Elas não eram perigosas. Mas eventualmente, quando as pessoas se davam conta disso, elas olhavam para trás e diziam: "Vamos escutar os discos dos Stooges para ver o que eles faziam".

Quer dizer, o panorama era ruim.

Não completamente porque sempre existe algo que substitui o que falta e, nesse caso, era a alta qualidade dos músicos. Green Day, por exemplo, é uma banda fabulosa.

Vocês chegaram a gravar com o Green Day em Skull Ring&

Respeito muito o Green Day. Tocamos uma vez juntos e o Billy Joe [Armstrong] veio pedir que eu escrevesse uma música para ele. Eu estava naquele momento de me perguntar o que a gente ia fazer. Gravar outro disco com o Bowie? Não, porque ele já tinha feito muito por mim. A banda com que eu estava tocando, os Trolls, dava para fazer um filme de terror sobre eles. Assim, o que resolvi? Decidi trabalhar com várias pessoas e ver no que ia dar. Algo como atirar as cartas no ar.

Quem são seus amigos no mundo do rock?

David Bowie me disse uma vez que não há amigos no mundo do espetáculo. Mas me dou muito bem com várias pessoas.

Você compôs para um filme do Johnny Depp, não? Como foi isso?

Johnny me contratou para fazer algumas músicas para The Brave (1997). Ele tirou a guitarra da minha mão, me colocou numa ala do seu castelo, me deu um teclado e falou: "Toca isso". E adorei a experiência. Pensei: "Ok, vou escrever trilha para cinema, algo que sempre quis fazer". Quando eu comecei a tocar eu já me arriscava nos teclados. Ficava compondo umas minióperas sobre ratos. Demorou um pouco para que me desse conta de que as pessoas não queriam escutar isso, elas estavam, na verdade, buscando "o" roqueiro. Ok, eu estava disposto a transgredir.