Tom 70

Tom Zé, a morte da canção em seu novo disco e o recente documentário sobre sua obra e os 70 anos de vida

Xico Sá Publicado em 22/09/2008, às 17h43

Tom Zé avisa: "Essa gente precisa saber que nas revoltas populares, dos negros, dos índios, eram cebeças cortadas mesmo, não era só uma coisinha de chorar porque perdeu o emprego"
Rui Mendes

Um besouro preto de cabeça grande teima contra o vidro, espremendo onomatopéias que imitam algo como aquele som de Frank Zappa com o Captain Beefheart, zumbido nervoso, para dizer o mínimo na língua ultrajovem, pobres moços, sofremos de juventude, essa coisa maldita.

Testemunho aquela lenta luta invertebrada, épica e canudesca, o besouro contra a janela, no momento em que adentra o recinto o inimitável homem de música e letra, o homem de todas as qualidades no sentido do som, se é que você me entende, ponto, com vocês, depois de 70 outubros nem sempre dourados, Tom Zé, soletre comigo esse batismo, o nome do homem, o nome da música, amplifique, o nome da letra, repito, batam palmas e depois esqueçam tudo que vocês já ouviram, todos os acordes e notas que têm pendurados no trapézio do cocuruto.

Inacreditável, senhoras e senhores, o besouro capricha ainda mais no seu gemido punk, juro, não estaria sonhando àquela altura de mais uma ressaca de primavera, véspera de eleições, silêncio de desilusões e assonâncias guardadas no juízo, o bodejo-jazz-mor do fim do mundo adentra, com um desaforo de coração, como os nordestinos sempre se tratam, de forma que o elogio e a alegria do reencontro podem ser saudados assim, dois pontos: "Desgraçado, fela-da-mãe, seu miserável,há quanto tempo!"

"Tá entregue, aqui está o menino", Neusa Martins, mulher amada que coordena vida e obra, solta o caboclo naquela sala cheia de instronzémentos, os lendários instrumentos fabricados por Tom Zé, crítica da razão punk, "faça você mesmo", ali estão o enceroscópio, o buzinório, o hertzé, aquele que vale por um John Cage - todos usados no já clássico Jogos de Armar - Faça Você Mesmo (Trama. 2000). Ao lado da estante das geringonças, uma bodega de babel com pastas e recortes de jornais e revistas do mundo inteiro, só em ideogramas tem umas duzentas críticas. Tânia Lopes, assistente de produção, guarda tudo com zelo e fuça na internet em busca de novos textos e mensagens engarrafadas. Lá na prateleira está a Rolling Stone americana com o samba-exaltação ao CD The Best of Tom Zé (Luaka Bop., 1990), tido e havido como um dos dez discos daquela década. Para dizer o mínimo, pois é, muito mais do que o que deu conta o sermão gringo.

O cara veste um bocado de camisas, mesmo num calor danado, e ainda por cima uma bata branca de cientista, superposições de texturas como na sua música. Esse mestiço de Irará, que nunca mascou o jiló do comodismo nem o chiclete da rendição de praxe, senhoras e senhores, esse menino acaba de fazer o nosso Finnegans Wake da música, o Finnegans Wake brasileiro e de todo o mundo, sim, um disco que poderia ter sido composto por James Joyce ou vice-versa, obra monstruosa. Danç-Êh-Sá -Dança dos Herdeiros do Sacrifício é a soma de todas as dores, banzos e zumbidos, antologia de chacinas e revoltas, mas também tem a cadência de belas bundas negras; tem, ao fundo, o banquete dos índios Caetés devorando o Bispo Sardinha, jesuítas vade-retro, a comilança de todos os signos.

O besouro preto vai embora daquela janela no quinto andar da rua Homem de Mello, bairro das Perdizes, São Paulo Meu Amor, hora do almoço de uma terça-feira, cheiro do bife da vizinha nas ventas, Tom Zé fecha a porta do escritório, play/ record, começamos a gastar o magnésio da velha fita cassete, vamos embora. Gravando, teste, teste, alô som, alô som... O sertanejo prepara a goela. Ao contrário de Frank Sinatra, nunca está resfriado, muito menos eu me chamo o escriba Gay Talese, de quem apenas roubo sorrateiramente alguma besteira técnica vez por outra, roubo mas enveneno, bote malagueta nisso. Tom Zé não resfria, é antes de tudo um forte.

"Vamos nessa?", avexo-me como um foca. "Repare, deixe eu dar uma ordem na minha cabeça", pede Tom Zé, rebobina-se para falar do seu apocalipse esquema novo, tinha estreado também o show havia três dias, no Sesc Pinheiros, e ainda estava se recompondo das tensões naturais da volta aos palcos.

E não era um eterno retorno qualquer. O desgraçado ainda estava com as mãos meladas de sangue, havia assassinado a canção, o assassinato como uma das belas artes. Mas não existia no seu semblante expressões de culpa, residiam apenas as velhas rugas da desobediência e da traquinagem de sempre.

"Fizemos a coisa dramatizada ficar um pouco mais alegre, né?", diz sobre o novo espetáculo no qual ele se multiplica na pele de deuses malés, deuses que dançam, encourados de todos os reinos, praieiros revoltosos, Congo, índios paiaiás, Capões Redondos e Porto de Galinhas - onde os escravos chegavam entocados sob cumeeiras de aves d'Angola -, esfarrapados, molambos humanos, ninjas zumbis debaixo de cobertores Parahyba, 300, 350 Tom Zés.

O concerto e o CD novos não têm mesmo letras. Não carecem. São murmúrios, dores e barulhos de algumas celebrações. Antes de cada música, um pequeno argumento de tiro certeiro. São sete pós-canções. Cada uma narra um acontecimento histórico. Abre com "Uai-Uai", que conta a Revolta Queto-Xambá, de 1832, e fecha com "Abrindo as Urnas", com a saga dos Eucourados de Pedrão, sobre os vaqueiros pardos que lutaram na Guerra da Independência da Bahia, em 1823. As composições são do próprio Tom Zé e de Paulo Lepetit.

Matou a canção, esse desalmado dos sertões, e agora me olha com essa cara de cangaceiro que fez o trabalho bem-feito, a encomenda da musa trágica, greco-baiana, dever cumprido, matou a canção a talhos de peixeira no bucho da tradição e das notas certinhas e enfileiradas que tomam conta do mundo, nosso Antonio das Mortes, braço da mesma radiola sensorial que toca imagens de Glauber Rocha.

É realmente um perigo um homem desses à solta, Neusa!

"A vida é uma coisa que a gente realmente não sabe para onde vai", diz o sanguinário, com a alma mais lavada do mundo. Lavou alma e égua no mesmo riacho de experimentos, pois não se bebe duas vezes da mesma correnteza e muito menos se banha na mesma chuva. "Eu não pensava, no ano passado, que ia entrar numa tarefa dessas, mas quando vi, 80% da juventude dando aquelas repostas, fui atingido, como se fala lá na mitologia grega, pela seta do deusinho do amor, como é mesmo o nome dele?" [Pausa para uma revoada de periquitos, sim as aves que aqui gorjeiam, perfurando bravamente nuvens paulistanas de fuligem, não gorjeiam como lá. E como tem românticos periquitos nas Perdizes! Tom Zé também se diz impressionado com a quantidade de sabiás, esses pássaros resistentes, na cidade de São Paulo. Deve ter mais sabiás do que no resto do país, hiperbolizamos].

Eu sofro de juventude.

Voltemos aos moços, pobres moços: "O que me comoveu foi a responsabilidade de ver essa juventude toda tomando um caminho que, até outro dia, tempos atrás, era a época, a fase do amor à humanidade, o amor pela justiça, o tempo da disponibilidade para lutar por um mundo menos terrível..."

O que assombrou Tom Zé e foi uma das espoletas para o assassinato de que agora tomamos conhecimento apareceu numa notícia de jornal: "Dossiê MTV faz Biópsia do Universo Jovem", por Flávia Guerra, "Caderno 2" do Estadão, dia 9 de maio de 2005. A pesquisa, coordenada por Ione Maria Mendes, com quem o artista trocou idéias várias vezes, revelava que a grande maioria dos garotos e garotas entre 15 e 30 anos, moradores de grandes regiões metropolitanas, não quer saber porra nenhuma de nada que não seja balada, vaidade, consumo e egocentrismo. E daí?

"Claro que não fiquei aqui achando que eles estão errados, fiquei me perguntando o que será que aconteceu", diz um Tom Zé agora de mãos postas, dramaturgia à Antonio Conselheiro. Danou-se.

"Tânia, ô Tânia, traz uma cópia daquele artigo do maestro Júlio Medaglia aqui para a gente", ele pede. Lá vem mais um precioso recorte fundamental na montagem do Danç-Êh-Sá: "Mensagem ou massagem sonora?", da revista Concerto, de agosto de 2004, um guia mensal de música erudita aqui de São Paulo.

O maestro havia sido convidado pela revista Quatro Rodas a ouvir e opinar sobre equipamentos de som de grande potência para carrões idem. Saiu da experiência meio chocado: "Entrei num daqueles carrões e, quando a usina sonora começou a funcionar, mais lembrando a explosão de uma bomba atômica do que um fenômeno musical, temi pelas juntas dos meus ossos. As vibrações não sacudiam apenas meus tímpanos e sim toda a minha estrutura corpórea. Para se ter uma idéia da força daquelas emissões, quando um ataque de baixo elétrico variava no estéreo do alto-falante de um lado para outro, o carro balançava".

Agostinha bate na porta do quarto onde estamos trancados. A baiana de Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, trabalha há 22 anos com os Martins. Hora do café. Passado na hora, açúcar, cravo, um primor de excitante. Tom Zé bebe café apenas em dias de show, mas nem sempre. Há cinco anos, depois de um concerto histórico no Abril Pro Rock, festival do Recife, sofreu um infarto, "susto da porra", relembra. Daí por diante, o que vemos no seu camarim é apenas água, refrigerante, suco, maçãs, peras, pães e queijo branco. O homem se cuida, por isso parece um menino no palco. Faz tai-chi-chuan, pilates e cuida do jardim do prédio em frente, onde se mistura à terra em um mimetismo como o dos homens-caranguejos que se diluem em lama. Aí, nesse capítulo agromusical, a gente lembra também o velho Tom Waits, que tem o costume de inventar canteiros e cultivar minhocas no seu sítio em plagas americanas.

Esvazio o bule de Agostinha. Agora sim, estou cheio das interrogações de novo, essas balas perdidas de repórteres ignorantes metidos a bestas. Tom Zé é quem larga na frente no segundo tempo: "O que a gente estava falando mesmo?". Só voltando a fita.

"Ah, o Medaglia... era o capítulo do Júlio Medaglia", ele diz aqui, repare: "Mesmo não querendo raciocinar como um vovô chato que diria 'Ah, meus netinhos... vocês não sabem o que estão perdendo por se contentarem com isso', a sensação que tive foi a de ter visto um transatlântico de 22 mil toneladas transportando, com excesso de conforto, uma mercadoria de 20 quilos".

Então, recapitulando, prestem atenção na encruzilhada que deu origem a um dos discos mais radicais da história da música feita no Brasil, sim, meus jovens, estamos diante de uma ocorrência histórica: o dossiê da MTV, os decibéis dos carrões de Medaglia... e tem um terceiro motivo, também de um craque, aquela boutade apocalíptica de Chico Buarque: "A canção acabou", havia dito ele, em entrevista do ano passado.

Mas o tiro de misericórdia só viria com as sete caymianas, como estão denominadas as pós-canções, do disco com o qual Tom Zé celebra seus 70 anos. Não há letras, mas ele consegue contar toda a história do Brasil, tanto no CD como no show, das revoltas populares ao maestro regendo um DJ dublê de techno, aqui representando os novíssimos tempos. Ao som do DJ e da sua orquestra, Tom Zé dança frevo, de sombrinha à Capiba, e tudo. O que quer dizer com essa munganga toda? Que o frevo, centenário ritmo pernambucano, já continha a velocidade da música eletrônica. Na platéia do Sesc Pinheiros, muitos moços, pobres moços, e raparigas em flor, meninas ainda em botão, mas cujos juízos entendem tudo ou procuram entender. Ficam até agoniados nas poltronas, doidos para dançar, doidos para que o mesmo show fosse de pista - a vacina do concerto é feita do veneno do mesmo mal do novo século. Algumas mocinhas murmuram: "Homem maluco esse Tom Zé".

A fita do velho gravador emperra. Dou uma pancada, o homem de Irará-São Paulo, Irará hífen Paris, como diz Neusa no documentário de cinema sobre o tal, salta da cadeira e vai aos ares: "Essa gente precisa saber que nas revoltas populares, dos negros, dos índios, eram cabeças cortadas mesmo, não era só uma coisinha de chorar porque perdeu o emprego". Tom Zé bate na mesa, levanta as calças, gesticula de novo como um Conselheiro, deixa o homem falar que eu vim aqui foi mesmo para aprender e ouvir: "Eu vi toda essa encruzilhada e dizia 'puta que pariu', perdi o sono mesmo. Já trabalho para a juventude, é um público jovem, e é sempre assim, sempre canto em festas de calouros há mais de 20 anos. Não é possível que agora fique nessa posição confortável de cantor, na posição de quem já tem uma cadeira numa academia de música. Aí joguei o meu fardão de acadêmico fora, o fardão de compositor considerado fora e saí para correr esse risco onde eu sou completamente analfabeto, sem saber o que era norte e o que era sul. E saí no desespero de dizer: vocês são de uma nação negra!".

O homem, no seu maldizer e no escárnio, está bravo e sábio como aqueles árabes que inventaram o zero e saíram da Península Ibérica para botar pólvora na cabeça do Nordeste. Saca um rápido sample de Gilberto Freyre, autor de Casa Grande & Senzala: "A gente é negro pela cor, pelo sangue ou pela formação cultural. A gente é negro de qualquer jeito, a gente não escapa da negritude". Tom Zé está bravo e isso é ótimo em tempos de tantos artistas frouxos, medrosos e de cus-nas-mãos. Vê-se um homem incomodado com a pasmaceira geral. "Se Hitler fosse vivo hoje seria o rei da democracia", solta o seu míssil para a era Bush-hollywoodiana e todos os símbolos da "globarbarização", grifo seu para o massive atack imposto aos países periféricos, as novas colônias d'África.

O cidadão baiano Antonio José Santana Martins, nascido aos 11 de outubro de 1936, não abre mão do saudável radicalismo estético, anda mesmo embriagado com a jurubeba luxuosa da coragem. Ninguém segura esse menino. Ele matou a canção e faz sucesso no cinema. O documentário Fabricando Tom Zé, dirigido por Décio Matos Jr., mal foi lançado e já faz um arrastão de prêmios nos festivais. Depois de redescoberto nas Américas, pelo músico David Byrne, na segunda metade dos anos 80, aos poucos o autor de "Augusta, Angélica e Consolação" vai se firmando no seu próprio terreiro também como o pai das invenções, o nosso artista mais importante. Até o besouro da janela, aquele que imitou Frank Zappa quando Tom Zé entrou na sala para a nossa prosa, sabe disso.

Um perigo um homem desses soltos por aí. Leva esse homem daqui, Neusa. O homem que sempre quis implodir a canção. Lembram da música "Brigitte Bardot"? Já era a fuga da canção. Conta que nunca foi chegado mesmo ao mainstream, e isso acabou por facilitar o estilo demolidor. Existem 70 motivos ou mais, um para cada ano de vida, para soltar Fogos Caramuru em homenagem a Tom Zé. Sua queda para cientista do som é um dos mais nobres. O cara fez uma maquininha de sample já em 1978, antes da indústria eletrônica daqui fabricá-lo.

"Mais água pra nós, Tânia!"

Ele molha a palavra e prossegue montado no seu cavalo Roncinante, como o Quixote, como quem está cada vez mais parecido, tanto na figura - nada triste! - como no escárnio e nos cutucões malucos. Tom Zé agradece muito ao seu "analfabetismo" parte do seu atrevimento.

Roda o Amarcord iraraense do moço e vamos viajar juntos: "Se eu fosse muito educado, em 1960 não teria feito uma música que foi praticamente um trabalho de engenharia genética na canção. Eu amava muito o folclore de Irará, a banda de barbeiro, e aí fiz um trabalho de engenharia genética sem querer. Peguei uma canção de folclore, quebrei o DNA dela. Graças ao meu analfabetismo, não por estar viciado na linguagem escrita que é tida como determinante, pude fazer uma coisa que não estava prevista para nenhum aluno de música fazer. Isso foi de uma ousadia que, no outro dia, senti até medo do pecado. Ao mesmo tempo em que sentia prazer como se fosse um super-homem, capaz de mexer com coisas eternas, mexer com a própria constituição do átomo, eu também sentia medo".

Graças a esse mesmo analfabetismo, que fez questão de não apagar mesmo estudando música na universidade, é que criou também, com Caetano e Gil, o Tropicalismo. "Três analfabetos completos", exalta. Por analfabetismo podemos entender, nesse caso, a formação a partir de uma cultura não ocidental, não totalmente ocidentalizada, como a herança nordestina trazida pelos malés, mouros, árabes, as vozes da Península Ibérica.

Haja fita. Lembramos também que Gilberto Freyre pregava, um tanto quanto para provocar a esquerda brasileira, a preservação de uma cota de analfabetos. Era apenas uma forma de dizer o mesmo que Tom Zé me diz agora, de um jeito mais prático.

Avançamos pela tarde quente nas Perdizes. Stop! Parou o gravador ou estamos apenas delirando de fome, essa sertaneja fome atávica? Mais afetos nordestinos. "Seu peste, que coisa boa a visita, vê se aparece." Tom Zé sobe do quinto andar, onde mantém o escritório, para o décimo, onde mora. Sim, está com uma baita cara de fome. A última vez que havíamos nos encontrado, no Festival de Música Independente, conhecido como o FMI de Maceió, nas Alagoas, o artista estava abraçado a um enorme cacho de pitombas, uma frutinha nordestina de pouca carne, mas ótima para ficar dançando na boca. Ah, essas fomes todas.

O autor de Imprensa Cantada subiu e eu desci correndo para tomar aquela gelada celebrativa, espumas flutuantes do dever cumprido. Afinal de contas não é todo dia que nos deparamos com um Quixote tão sabido. Desci com o cheiro da massa do Del Michele nas narinas, ali onde encontro o rei do punk brega, o trovador gaúcho Wander Wildner, bebendo vinho e jurando, por Baco e Pantagruel, que estava à beira do Mediterrâneo. Não seja por isso, acabei de chegar de Irará ou de La Mancha, dois sítios mais universais possíveis, para citar apenas dois territórios onde estivera mesmo naquela tarde tomzeística. Brindemos!