A Metáfora do Discurso

Buscando raízes, Primeira Audição mescla bossa e rap

André Maleronka Publicado em 09/06/2008, às 12h50

(Da esq. para a dir.): DJ Soares, Omig One, Geléia e Rato Fritz

A situação do rap está estagnada porque tem muita gente fazendo som no computador, mas pouca gente produzindo eventos", diz o DJ Soares, do grupo Primeira Audição. O quinteto paulistano, formado por ele, Omig One, Mascote, Rato e Geléia, acaba de lançar seu primeiro álbum, A Primeira Audição É a Que Fica, gravado e mixado no estúdio A.M por Munhoz, companheiro de Mascote em outro grupo independente de rap, o Contra-Fluxo.

Em 13 faixas, o Primeira Audição busca mesclar rap com bossa nova, uma opção que apareceu como uma luz para o grupo que buscava um caminho nacional para sua música. "Sentimos a necessidade de criar algo brasileiro dentro do rap. Estava tudo muito americanizado", diz Soares. "As influências são de lá [Estados Unidos], e você começa a querer seguir os moldes de seus ídolos." No Brasil, ele cita outras referências. "O Planet Hemp fazia um som muito americanizado. O Marcelo D2, mesmo em seu primeiro disco solo, foi sampleando, principalmente jazz. Mas ali já havia músicas com essa pitada de brasilidade, e isso deu certo", acredita.

O próprio nome, Primeira Audição, veio de um antigo programa de rádio gaúcho onde Elis Regina se apresentou pela primeira vez (ou tentou, já que a cantora travou no ar). Por essas e outras, fica claro que a proposta do grupo é aproximar sua produção da MPB. "O rap é uma das MPBs atuais", teoriza Soares. "Hoje em dia existem várias vertentes. Tem aquelas que gostamos, como o samba, e as que não gostamos, como o funk carioca." Para o futuro, o DJ torce pelo reconhecimento dessa mescla inusitada. "Nosso tipo de rap valoriza mais a musicalidade e a poesia, em todos os sentidos, tanto instrumental quanto lírico. No rap mais gangsta, em que as batidas são mais lentas, o estilo é mais de documentário. A gente usa o verso com metáfora."