É Dando que Se Recebe?

Enquanto as vendas de CDs caem, artistas descobrem meios de lucrar dando música

Paulo Terron Publicado em 09/06/2008, às 16h05

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É como se o darwinismo fosse transplantado para a indústria do entretenimento: sempre há formatos diferentes lutando por uma vitória que os salvará da extinção. Foi assim na disputa entre os formatos Blu-Ray e HD-DVD (o primeiro venceu) e ainda há trocas de socos no mundo dos games, entre PS3, Xbox 360 e Wii. Enquanto isso, a indústria da música vê seu único filho definhar, sem ninguém para substituí-lo. Afinal, o que será do setor sem o CD?

Ainda é difícil saber. Mais conservadoras, as gravadoras parecem rezar por um milagre. Enquanto isso, boas idéias surgem. A mais famosa foi a do Radiohead e seu In Rainbows (2007). Quando o formato tradicional do álbum chegou às lojas norte-americanas, escalou a parada da Billboard até chegar ao número 1 em duas semanas de vendas.

Os artistas, por sua vez, já se atentaram ao momento. Em março, o Nine Inch Nails - recém-libertado de seu contrato com a Interscope - liberou parte do disco Ghosts I-IV para download. Pouco depois, vendeu (por US$ 5) o resto do trabalho em forma digital, com encarte em PDF e mais bônus. Por US$ 10, o fã poderia comprar o CD duplo. Há ainda a versão em vinil, a de luxo e uma "ultraluxo limitada", assinada por Trent Reznor, por US$ 300. Em dois dias, as 2.500 cópias da edição mais cara estavam esgotadas, rendendo US$ 750 mil ao artista.

Você lê esta matéria na íntegra na edição 21 da Rolling Stone Brasil, junho/2008